para pagar a maquina do estado, agora a ditadura tributaria

http://www.youtube.com/watch?v=Maz9ddxEQnM

Let me tell you
How it will be.
There's one for you,
Nineteen for me,

'Cause I'm the taxman.
Yeah, I'm the taxman.

Should five percent
Appear too small,
Be thankful I don't
Take it all.

'Cause I'm the taxman.
Yeah, I'm the taxman.

Governo quer dar à Receita poder de juiz e de polícia sobre os contribuintes

Projeto prevê quebra de sigilo, penhora de bens e invasão de domicílio pela
Fazenda, sem passar pelo Judiciário

Renato Andrade

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  *DEBATE -* O deputado João Paulo Cunha (PT/SP) será o relator




Após dez meses em hibernação na Câmara, os deputados vão começar a discutir
nas próximas semanas um pacote tributário enviado pelo governo que promove
uma verdadeiro cerco aos contribuintes. No meio dos artigos para criar novos
mecanismos de cobrança das dívidas ativas e penhora de bens, a Fazenda quer
que seus fiscais ganhem poderes de polícia, sem autorização judicial. Os
fiscais podem quebrar sigilo, penhorar bens e até arrombar portas de
empresas e casas sem autorização prévia do Judiciário.

O pacote cria um sistema de investigação com acesso a todos os dados
financeiros e cadastros patrimoniais dos cidadãos. A nova sistemática de
cobrança valerá tanto para a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, órgão
responsável pela gestão da dívida ativa da União, quanto para as similares
nos Estados e municípios. No limite, a penhora poderá ser aplicada contra
uma grande empresa ou contra um contribuinte-pessoa física que tenha deixado
de pagar o IPTU ou o IPVA. Na prática, um oficial da Fazenda, mesmo sem
autorização de um juiz, pode arrestar uma casa ou um carro para quitar uma
dívida tributária com o município.

As três propostas foram enviadas em abril do ano passado, mas só agora
começaram a ter tramitação efetiva - no mês passado foi criada a comissão
especial da dívida ativa. O deputado Jurandil Juarez (PMDB-AP), que preside
a comissão, pretende organizar ao longo dos próximos meses audiências
públicas para discutir as propostas. O deputado João Paulo Cunha (PT-SP)
será o relator das matérias.

A retomada das discussões não passou despercebida por entidades
empresariais, tributaristas e pela seção paulista da Ordem dos Advogados do
Brasil (OAB), que classificou as medidas como abusivas e inconstitucionais.
O Planalto alega que as propostas são "indispensáveis" à "modernização" da
administração fiscal e diz que está garantido aos contribuintes o princípio
da "ampla defesa".

A OAB-SP, entretanto, entende de outra forma. "O conjunto de proposições
choca pela forma contundente com que se pretende transferir, sem a
intermediação salutar e constitucionalmente determinada do Poder Judiciário,
e sem o devido processo legal, patrimônio jurídico dos particulares",
afirmou a entidade em parecer entregue no mês passado ao presidente da
Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), logo após a criação de uma
comissão especial para discutir três dos quatro projetos de lei.

Anteontem, o advogado-geral da União, Luis Adams, defendeu o pacote de
vigilância fiscal no Conselho Federal da OAB. Adams disse aos advogados que
as medidas são de interesse do Estado, e não do governo, pois ajudam a
defender a sociedade dos sonegadores. As medidas, afirmou, ampliam o poder
de fiscalização do Estado. Ele admitiu que a pressão administrativa da
Fazenda e da Receita vão ajudar o contribuinte a ficar mais em dia com o
Fisco.

Para o presidente da OAB, Ophir Cavalcante, o pacote tem "viés autoritário"
e "joga no lixo a presunção da inocência que vale para todo o cidadão, tenha
ou não problemas com a Receita". As medidas, acrescentou, "só são boas para
o governo, que quer chegar o mais rapidamente possível ao bolso do
contribuinte, mesmo que à custa da quebra de todos os paradigmas do processo
tributário".

 

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