Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, miserere nobis. Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, dona nobis pacem.
C.A. ANÁLISE Modelo mostra fragilidade de Estado e empresas no Brasil FERNANDO CANZIAN DE SÃO PAULO A tentativa de reproduzir no projeto do trem-bala o condomínio estatal-privado que também será responsável pela hidrelétrica de Belo Monte é exemplar para ter uma avaliação mais fria e realista do atual estágio da economia brasileira. Apesar do ufanismo governamental com os progressos econômicos, o Brasil mostra que ainda não tem grupos privados com envergadura para tocar sozinhos obras essenciais e de grande porte sem uma grande mãozinha estatal. Nem um Estado suficientemente forte para assumir essa função sem repartir os grandes riscos com seus contribuintes. Se o setor privado ainda é pequeno, incapaz ou avesso a riscos para tentar tomar dinheiro de fontes externas, o Estado (que abocanha 35% do PIB em impostos) não consegue superar a marca de 1% do mesmo PIB em investimentos na infraestrutura. Por conta dessas limitações, o modelo escolhido acaba revelando quais são as preferências do governo Lula entre o leque de opções privadas que se "arriscam", no Brasil, a fazer obras financiadas com recursos públicos e subsidiados do BNDES. No caso do trem-bala, o Estado aportará R$ 3,4 bilhões na nova estatal Etav para se tornar sócio da empresa vencedora do leilão. Um dos principais concorrentes é o mesmo consórcio que mira Belo Monte, que terá como sócio a Eletrobras. Para erguer a hidrelétrica, o BNDES se propõe a financiar até 80% da obra. No caso do trem-bala, R$ 19,9 bilhões, ou 60% do valor (o que for menor). O resultado dessa configuração é uma espécie de nova "Estatalbrás". Nela, o governo vai dando as cartas e determinando quem serão os seus grandes sócios preferenciais. Em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/me1607201004.htm
