mais uma perola do estadista:

*— Hoje eu vi um jornal que, para fazer uma crítica ao Brasil, diz que a
Europa está deixando de pesquisar ou de tirar petróleo no fundo do mar e que
o Brasil continua. Primeiro, é preciso saber qual país da Europa tem
petróleo no fundo do mar. O pouco que tem no Mar Morto (sic) está acabando,
no Mar do Norte está acabando. Ou seja, na verdade, talvez esteja por detrás
disso a ideia de dizer: “Ô Brasil, não tira o seu petróleo do pré-sal, não!
Deixa aí para alguém um dia vir tirar”.*

D. Lulla, Primeiro e único


Economia - Página 27
   *Lula: EUA foram incompetentes*
Presidente ataca 'O GLOBO'. Para analistas, Brasil não está preparado para
vazamento de óleo

*Bruno Dalvi*, Ramona Ordoñez e Danielle Nogueira
*VITÓRIA e RIO

Opresidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, em Vitória, que os
Estados Unidos são incompetentes por não terem conseguido conter o vazamento
de petróleo no poço do Golfo do México operado pela BP. E, pouco antes de
inaugurar oficialmente a primeira produção contínua do pré-sal brasileiro,
no litoral capixaba, Lula afirmou que a União Europeia (UE) só recomendou
aos países do bloco suspender novos projetos de exploração em águas
profundas porque não tem petróleo no mar. O presidente criticou reportagem
publicada anteontem no GLOBO mostrando que o Brasil está aumentando a
produção de petróleo em águas profundas, caso do pré-sal, enquanto EUA e
Europa estão revendo essa atividade por causa do acidente no Golfo do
México, o maior desastre ambiental da história da indústria petrolífera.

— Hoje eu vi um jornal que, para fazer uma crítica ao Brasil, diz que a
Europa está deixando de pesquisar ou de tirar petróleo no fundo do mar e que
o Brasil continua. Primeiro, é preciso saber qual país da Europa tem
petróleo no fundo do mar. O pouco que tem no Mar Morto (sic) está acabando,
no Mar do Norte está acabando. Ou seja, na verdade, talvez esteja por detrás
disso a ideia de dizer: “Ô Brasil, não tira o seu petróleo do pré-sal, não!
Deixa aí para alguém um dia vir tirar”.

E nós temos tecnologia — disse Lula em entrevista à Rádio Litoral FM.

Apesar de Lula afirmar que o petróleo no Mar do Norte está acabando, a
Noruega produz hoje 2,3 milhões de barris de petróleo por dia e o Reino
Unido, 1,4 milhão. O Mar Morto, citado pelo presidente, fica na verdade no
Oriente Médio. Mas, para Lula, há desconhecimento sobre a Petrobras.

— Essa manchete é vergonhosa. O que eles deveriam estar fazendo era criticar
a incompetência dos Estados Unidos em não ter terminado ainda o vazamento de
óleo que já dura mais de 60 dias. Significa dizer que eles não conhecem nem
a Petrobras. Se conhecessem, não fariam uma manchete dessa — completou Lula.

*Especialista cobra transparência*

Mais tarde, em discurso no navio plataforma FPSO Capixaba, no Campo de
Baleia Franca, onde teve início a primeira produção contínua do pré-sal
brasileiro, Lula disse que um acidente como o do Golfo do México não
ocorreria com a Petrobras.

— A empresa que estava fazendo aquilo (nos EUA), para fazer mais barato,
colocou menos do que precisava colocar e quando explodiu aconteceu o que
aconteceu. Não é o caso que vai acontecer com a Petrobras, que 190 milhões
de brasileiros estarão ajudando a Petrobras a tirar, da forma mais carinhosa
possível, o nosso tão cheiroso e admirado petróleo do pré-sal.

Especialistas, porém, temem que, com o avanço da produção em águas profundas
no pré-sal, o Brasil se torne vulnerável a acidentes como o ocorrido nos
EUA. Eles também cobram mais transparência dos órgãos reguladores e
ambientais.

— Está havendo uma omissão por parte da ANP (Agência Nacional do Petróleo) e
do Ibama em dar transparência ao que planejam em termos de normas de
segurança e fiscalização para o pré-sal. É injustificável — criticou o
ex-diretor da ANP David Zylbersztajn, que, contudo, não acha necessário o
Brasil adiar projetos em águas profundas como fizeram EUA e Noruega, e como
recomendou a UE.

No Brasil, os maiores campos de petróleo situam-se em águas profundas e, no
caso do pré-sal, que ainda será explorado, a profundidade é muito maior, de
até sete mil metros. Nas primeiras áreas já pesquisadas do présal, há
reservas estimadas de 15 bilhões de barris, o que dobraria a capacidade de
produção brasileira.

Zylbersztajn também critica a falta de transparência da Petrobras em relação
à atuação no pré-sal. Para o advogado especialista em petróleo Alexandre
Aragão, Petrobras e ANP precisam mostrar como são os sistemas de segurança
no país e, se em função do acidente no Golfo do México, é preciso mudar
alguns procedimentos.

A estatal alega estar em período de silêncio devido à capitalização e não
quis se manifestar.

Em nota, a ANP afirmou ontem que, “até o momento, não há indicações de que
seja necessário alterar a atual regulamentação sobre segurança operacional
das plataformas que operam em águas brasileiras”. Segundo a agência, apenas
com informações mais detalhadas sobre o acidente da BP, será possível
determinar se será necessário tornar mais rigorosos os sistemas de segurança
operacional no Brasil.

Para o oceanógrafo da Uerj Ricardo Carreira, que trabalha com monitoramento
de poluição por petróleo, o país não está preparado para um acidente como o
do Golfo do México: — O que me preocupa é que não há um plano de ação
integrada para contenção de vazamentos. A capacidade de resposta brasileira
não está clara.

*País concentra poços profundos*

Edmar de Almeida, do Grupo de Economia de Energia da UFRJ, lembra que a
produção petrolífera está em declínio nos países europeus e que, por isso, é
mais fácil para eles tomar a decisão de suspender as perfurações de novos
poços em alto mar. A Noruega, por exemplo, viu sua produção cair de 3,1
milhões de barris/dia de petróleo em 1999 para 2,3 milhões de barris diários
no ano passado.

— Seria uma inconsequência o Brasil suspender seu programa. O maior
potencial de aumento de produção em águas profundas no mundo está aqui.

Segundo Almeida, mais de 30% dos poços com 2 mil metros de profundidade ou
mais já perfurados no mundo estão em costas brasileiras, e a Petrobras detém
expertise para exercer a atividade.

** Especial para O Globo*

*ANALISTAS:* ACIDENTE DA BP E ELEIÇÕES AFETARÃO CAPITALIZAÇÃO DA PETROBRAS,
na página 28

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