Márcio Palmares escreveu:
>
> Seres humanos exteriorizam sua imaginação criando ferramentas, máquinas, 
> tecnologia.
>
> Agora, exteriorizamos nosso pensamento matemático, ou certas porções dele. De 
> um machado de pedra para uma máquina capaz de fazer matemática... Podemos 
> delegar à máquina a resolução de alguns problemas. E ela pode se sair melhor 
> do que nós em certos casos (do mesmo modo que uma escavadeira se sai melhor 
> do que um indivíduo com uma pá). Mas não se trata de força bruta. Este caso 
> mostra criatividade, engenhosidade: exteriorização de faculdades humanas.
>
> Para um materialista no sentido filosófico, isso tudo é surpreendente em um 
> único sentido: somos matéria estelar que adquiriu vida e consciência (Carl 
> Sagan). Somos máquinas biológicas. Se fosse impossível construir máquinas 
> capazes de imitar certas faculdades humanas (inteligência matemática), então 
> nós não existiríamos.

No que diz respeito ao advento das LLMs e a nossa reflexão acerca das
suas capacidades, lembrei-me deste artigo:

Cognitivism prevents us from understanding artificial intelligence
https://link.springer.com/article/10.1007/s00146-025-02583-5

Será que é mesmo o caso de reavivarmos a chama do comportamentalismo,
em detrimento do cognitivismo?


Gisele Dalva escreveu:
> Nem tudo o que reluz é ouro, já diz a cantiga de capoeira, e dar uns passos 
> atrás antes de preconizar grandes e radicais mudanças em alguma prática 
> científica pode ser uma boa atitude.

Eu não hesitaria em afirmar que as mudanças trazidas pelas LLMs à
prática matemática são, com efeito, grandes e radicais.

Querendo ou não, nunca mais voltaremos a fazer buscas da forma como
fazíamos outrora.  E isso me faz recordar o clássico artigo
"Intelligent machinery", escrito pelo patrono da "Filosofia da
Inteligência", Alan Turing, no qual ele discute, entre outras tantas
questões, "the idea that intellectual activity consists mainly of
various kinds of search".  Pois a coisa está funcionando, e está, sim,
desmistificando um bom bocado a ideia romantizada acerca das
capacidades que nos tornariam singularmente humanos --- capacidades
estas, aliás, que muitos humanos parecem usar com bastante parcimônia.

[]s, João Marcos

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