Ola Cassiano, Não se pretende negar que o desenvolvimento da ciência esteve ligado a empreitadas mercantis, colonialistas ideológicas, religiosas, de dominação- e nem parece necessário (re)ler O Capital para se convencer disso.
O que eu disse é que nunca esse tipo de coisa esteve na mão de meia dúzia de empresas com ações na bolsa e interesse exclusivo no lucro. Me parece que negar isso é tapar o sol sem a peneira :-) Abraços, Walter ======================== Walter Carnielli CLE and Department of Philosophy University of Campinas –UNICAMP, Brazil AI2- Advanced Institute for Artificial Intelligence Blog https://waltercarnielli.com/ Em sáb., 23 de mai. de 2026 20:04, Cassiano Terra Rodrigues < [email protected]> escreveu: > Colegas, respondo apenas a um ponto aqui levantado pelo Walter. > > <<as grandes revoluções científicas foram predominantemente financiadas > por instituições públicas, eclesiásticas ou filantrópicas, e seus > resultados > geraram bens comuns da humanidade, por bem ou até por mal. > > A IA rompe com esse padrão >> > > Talvez eu tenha entendido mal, mas devo dizer q não posso concordar com a > afirmação a respeito das grandes revoluções Científicas. > Há bibliotecas sobre o tema da agenda burguesa capitalista sem a qual > sequer a física newtoniana existiria. > Basta pensar em Galileo. > Além disso, é impossível pensar o nascimento da ciência e da tecnologia > modernas separadamente da empresa colonialista. A não ser q a separação > entre teoria e prática seja de um positivismo peircista, devo reconhecer. > Copérnico podia estar preocupado com a verdade de Deus, mas jamais haveria > preocupação com o calendário da Páscoa se a necessidade mais precisão na > cronometragem não tivesse surgido com porque era necessário navegar por > mares nunca dantes navegados. A Igreja nunca foi ingênua e a teologia se > preocupa menos com o discurso divino do q com a maneira como os homens o > usam. Copérnico podia não achar, mas estava a serviço de instituições > econômica e socialmente interessadas no lucro. Sugiro a leitura dos > capítulos historicos do *Capital, *sobre a formação da cooperação, da > manufatura e da maquinaria, para entender o q era a Igreja em decadência já > no séc. XIII. > > Além disso, se avançarmos um pouco no tempo e pensarmos na consecução do > programa cartesiano por Newton, temos de reconhecer q Newton, na verdade, > "era o mais proeminente matemático de um grupo de praticantes da > matemática, professores, fabricantes de instrumentos, cartógrafos, > astrônomos e inventores que formavam a base de seu trabalho", nas palavras > de Ruy Gama. E eis aí a Sociedade mercantilista e o imperialismo inglês em > expansão (como queria Francis Bacon): o q seria da cosmologia de Newton se > não fosse o problema da longitude das marés? Problema aliás tb para Galileo > e Huygens. Sem falar na hélice e nos projéteis. E os relógios. Etc. A Royal > Society não era nem Cambridge nem Oxford, vivia às mínguas e buscava > financiamento com qualquer um q pagasse. E a Companhia das Índias > Ocidentais pagou bastante coisa. > Ou seja: há muito mais entre o céu e a terra do q supõe a vã filosofia, ou > a van da filosofia. > > Abraços. > > > > > Cassiano Terra Rodrigues > Prof. Dr. de Filosofia - IEF-H-ITA > Presidente da Sociedade Brasileira de Lógica - SBL > > Rua Tenente Brigadeiro do ar Paulo Victor da Silva, F0-206 > Campus do DCTA > São José dos Campos > São Paulo, Brasil > CEP: 12228-463 > Tel. (+55) 12 3305 8438 > > -- > lealdade, humildade, procedimento > > Em sáb., 23 de mai. de 2026, 13:39, Walter Carnielli <[email protected]> > escreveu: > >> Bon dias, >> >> acho muito bom que o debate continue! >> >> Existe um ponto central filosoficamente muito importante e esquecido >> no caso das IAS: >> as grandes revoluções científicas foram predominantemente financiadas >> por instituições públicas, eclesiásticas ou filantrópicas, e seus >> resultados >> geraram bens comuns da humanidade, por bem ou até por mal. >> >> A IA rompe com esse padrão — não nas ideias (que continuam sendo >> algoritmos, protocolos, etc), mas no controle, propriedade e >> direcionamento >> do desenvolvimento tecnológico. É uma questão que, penso eu, merece >> debate público sério. Ninguém está falando sobre isso. >> >> O negócio agora são aplicações imediatas, comerciais, divertidas- nada >> na direção da ciência básica. Isso está levando a um declínio no apoio >> à pesquisa >> fundamental, sem contar o declínio intelectual dos usuários em geral. >> >> A escala do financiamento privado é sem precedentes históricos, com >> modelos, dados, e arquiteturas todos (ou na maioria) proprietários, >> ao contrário das revoluções anteriores onde o conhecimento circulava >> livremente. >> >> Vejamos: >> >> - Revolução Copernicana e mecânica clássica >> >> Copérnico, Galileu, Kepler e Newton foram financiados por >> universidades, igrejas e patronos nobres, nunca por empresas >> comerciais. >> >> – A eletricidade nasceu dos experimentos Michael Faraday e da teoria >> de James Maxwell, ambos ligados a instituições acadêmicas e sociedades >> científicas, >> sem financiamento empresarial direto. >> >> --O caso da mecanica quântica: Einstein, Bohr, Heisenberg, Schrödinger >> trabalhavam em universidades europeias financiadas pelo Estado. Havia >> bolsas de doutorado dr fundações como Rockefeller e Guggenheim . Mas >> não eram **encomendas**. Eram bolsas de estudo. >> >> – A internet foi desenvolvida com recursos do DARPA (Defense Advanced >> Research Projects Agency) do Departamento de Defesa dos EUA e da NSF, >> (Nat. Sc. Foundation) com base em pesquisa do MIT, UCLA, etc. É um >> produto essencialmente público (e militar). Mas não empresarial. >> >> Eu acho isso uma grande diferença, que formata todo o resto da >> discussão: o conhecimento escapando das. >> mãos dos cientistas, acadêmicos, pensadores, para as mãos do capital. >> >> Abraços, >> Walter >> >> >> >> >> Em sáb., 23 de mai. de 2026 às 11:22, Cassiano Terra Rodrigues >> <[email protected]> escreveu: >> > >> > Bons dias, colegas. >> > Posso estar um pouco atrasado na conversa, não tenho frequentado tanto >> a lista, infelizmente. >> > Permitam-me divulgar uma mesa sobre IA e Ética de que participei, >> online, no final do ano passado. >> > Creio que há ressonâncias com o que aqui se discutiu, principalmente as >> últimas mensagens. >> > A minha apresentação é a primeira, mas não necessariamente a mais >> interessante, devo dizer. >> > Pretendo reelaborar a fala para a conferência da SBL na 78ª reunião da >> SBPC a acontecer em julho, em Niteroi. Assim, toda sugestão é bem vinda. >> > Eis o enlace: >> https://www.youtube.com/live/dM_c_M33bCs?si=EpwpWihC5eFYJdx7 >> > Saudações, >> > >> > >> > On Friday, May 22, 2026 at 9:43:54 AM UTC-3 marciopalmares wrote: >> >> >> >> Lembrei de uma coisa... >> >> >> >> O Adolfo disse que não gosta de ficção científica, tudo bem. Gosto é >> gosto, não se discute. >> >> >> >> 'Solaris' foi um dos melhores livros que li na vida... Não vou dar >> spoiler, pois pode haver alguém jovem aqui, acompanhando as discussões. >> >> >> >> Outro que gostei muito quando li, acho que com uns 15 anos, foi o >> 'Esfera', do Michael Crichton. Este livro lembra o 'Solaris' em alguns >> aspectos... >> >> >> >> No 'Esfera' um matemático ocupa um papel central em uma equipe >> destinada a analisar uma nave alienígena encontrada no fundo do oceano. >> >> >> >> Um dos momentos mais aterrorizantes e perturbadores ocorre quando um >> computador usado pela equipe adquire 'consciência', parece ter sido >> invadido pela máquina alienígena. >> >> >> >> Nos dois casos é explorado o problema da exteriorização de nossas >> faculdades subjetivas: inteligência, razão, consciência, sentimentos. >> >> >> >> Este tema é recorrente na literatura porque é realmente o que sempre >> fizemos, desde o princípio: reunimos todas as nossas principais qualidades >> (solidariedade, generosidade, amor, compaixão, bondade...), exteriorizamos, >> objetivamos em um "outro" (deuses) e passamos a nos relacionar mentalmente >> com este "outro". >> >> >> >> Reunimos nossos piores atributos coletivos (violência, egoísmo...), os >> exteriorizamos, objetificamos em um "outro" (o mal, demônios, o que seja) e >> passamos a acreditar que estamos de algum modo subjugados por este "outro", >> que brotou de nossas próprias cabeças. >> >> >> >> Agora, conseguimos fabricar máquinas que fazem matemática sofisticada >> de alto nível, inédita. É uma exteriorização de nossa criatividade. Somos >> nós, porém exteriorizados, objetificados num "outro". Nos relacionamos com >> esse "outro". >> >> >> >> É um tema velho, por isso tão recorrente. >> >> >> >> Não vou fingir aqui que li Hegel. Comprei essa edição em português da >> Vozes, do "Ciência da Lógica" em dois volumes... Já comecei a ler e >> abandonei diversas vezes. Acho tremendamente difícil, praticamente >> ilegível. Mas alguns comentadores dizem que Hegel acreditava que o >> "espírito humano" se exterioriza na História, em instituições... e então se >> reconhece nelas. É uma boa ideia, eu acho (se for mesmo o que ele diz, não >> posso confirmar porque não li). >> >> >> >> É isso o que estamos fazendo com essas máquinas: estamos assombrados >> porque nos exteriorizamos num "outro". >> >> >> >> >> >> >> >> Em sexta-feira, 22 de maio de 2026, Eduardo Ochs <[email protected]> >> escreveu: >> >>> >> >>> Oi todos, >> >>> >> >>> > Que bom que ainda temos esses debates polêmicos aqui na lista. >> >>> > Muitos estudantes estão migrando dos fóruns de discussão entre >> >>> > pessoas e debatendo apenas com o ChatGPT, Claude, etc. Estão >> >>> > preferindo conversar com as máquinas do que a interlocução com >> >>> > humanos. (Acho que li no blog do Peter Smith, não tenho certeza, que >> >>> > houve uma diminuição no fluxo de perguntas e respostas no Math Stack >> >>> > Exchange...) >> >>> >> >>> Em 2025.2 eu tive uma turma em que uns 80% dos alunos eram estudantes >> >>> de Computação de 2o e 3o período que eram assombrações... eu passava >> >>> umas atividades de grupo em que eles tinham que calcular o resultado >> >>> de coisas como isso aqui na mão, >> >>> >> >>> { (x,y) | x∈{-2,...,2}, y∈{-2,...,2}, y=sqrt(1-x^2) } >> >>> >> >>> e nos grupos de assombrações os alunos nem discutiam entre si e nem >> >>> tentavam "pensar no papel" - eles dividiam os 50 exercícios da >> >>> atividade entre as 5 pessoas de cada grupo, perguntavam algumas coisas >> >>> pro ChatGPT, e pronto: eles tinham feito o exercício "do melhor jeito >> >>> possível", e tinham chegado nos resultados bem rápido. >> >>> >> >>> Pra gente é bem claro que o "melhor jeito possível" de fazer o >> >>> exercício depende da métrica, e que tem várias métricas diferentes, e >> >>> que a métrica que esses alunos estavam usando era péssima, porque eles >> >>> não aprenderam quase nada e não treinaram quase nada. Só que pra >> >>> explicar pra eles quais são as métricas "melhores" a gente teria que >> >>> ter boas explicações do como funcionam coisas como "pensar no papel", >> >>> "aprender", "treinar até ficar fácil", "fazer boas perguntas", "fazer >> >>> perguntas que sejam úteis pros outros", etc, que fazem pouco sentido >> >>> pros xóvens... >> >>> >> >>> Alguém tem material sobre isso pra me recomendar? Eu acabei de >> >>> baixar e ler uns 10 artigos curtos da "AI & Society", que o João >> >>> Marcos recomendou e que eu não conhecia - >> >>> <https://link.springer.com/journal/146/volumes-and-issues/41-2>... >> >>> eu até tenho um monte de livros e artigos sobre isso que eu posso >> >>> mandar pra quem quiser, mas são todos bem mais antigos, e talvez >> >>> vocês tenham recomendações recentes... >> >>> >> >>> [[]], >> >>> Eduardo Ochs >> >>> Psicopata do CEFET >> >>> https://anggtwu.net/2026-alguns-motivos-bel.html >> >>> >> >>> >> >>> On Fri, 22 May 2026 at 08:29, Márcio Palmares <[email protected]> >> wrote: >> >>>> >> >>>> Que bom que ainda temos esses debates polêmicos aqui na lista. >> Muitos estudantes estão migrando dos fóruns de discussão entre pessoas e >> debatendo apenas com o ChatGPT, Claude, etc. Estão preferindo conversar com >> as máquinas do que a interlocução com humanos. (Acho que li no blog do >> Peter Smith, não tenho certeza, que houve uma diminuição no fluxo de >> perguntas e respostas no Math Stack Exchange...) >> >>>> >> >>>> Eu separo a dimensão sociológica, política, econômica, da dimensão >> puramente teórica, matemática e filosófica. Acho que misturar as coisas >> prejudica nossa compreensão. Sou comunista de carteirinha, desde os 17 >> anos. Poderia discutir o aspecto sociológico também, mas não é tão >> significativo, pois não tem nada de novo. Todas as tecnologias são >> mercadorias. Na verdade, todo trabalho humano assume a forma mercadoria no >> capitalismo. Toda tecnologia é explorada por corporações grandes ou >> pequenas com o objetivo exclusivo de conseguir lucro, mais concentração de >> poder, mais concentração de capital. >> >>>> >> >>>> "Parece que o resultado em questão se deve mais ao desejo da OpenAI >> de concorrer com a Antrophic --publicidade, portanto-- do que de uma >> verdadeira preocupação com a pesquisa matemática". >> >>>> >> >>>> Este contraponto é como dizer: "Parece que o fato de a Coca-Cola >> estar vendendo água mineral se deve mais ao desejo de a empresa de obter >> lucros do que uma verdadeira preocupação com a hidratação das pessoas." >> >>>> >> >>>> É um ataque contra um espantalho. Toda empresa busca lucro, faz >> publicidade, vende sua mercadoria, concorre no mercado com outras empresas, >> assedia o governo dos países onde está instalada para ter vantagens, >> explora sua força de trabalho... >> >>>> >> >>>> Não há novidade alguma aqui. Talvez um aspecto meio novo: >> normalmente, áreas de ponta em tecnologia estão ligadas a complexos >> estatais-militares, como no caso da energia atômica. Aqui um setor privado >> é o propulsor da ferramenta, e vem adquirindo cada vez mais poder e >> influência sobre os governos (veja-se o 'artigo' recente da Anthropic sobre >> 'geopolítica', onde a empresa prevê um apocalipse caso o 'ocidente' perca a >> liderança em IA para a China. Realmente a Anthropic está preocupada com a >> opressão dos chineses? Ou está de olho no fluxo de investimentos que pode >> vir do governo dos EUA?). >> >>>> >> >>>> A IA na forma atual é um problema humano, ambiental? Claro que sim. >> Tanto quanto os agrotóxicos, os microplásticos, os desastres climáticos... >> Mas essa dimensão não é relevante filosoficamente. É relevante para a >> política diária. Mas a escala de tempo dos problemas filosóficos é outra. >> Sistemas econômicos mudam, a filosofia fica. >> >>>> >> >>>> A Profa. Tatiana Roque da UFRJ escreveu um artigo na Folha de São >> Paulo fazendo esse contraponto sugerido pela Gisele na postagem anterior, >> uma visão mais histórica, mais filosófica, menos 'entusiamo ingênuo' e mais >> 'senso crítico'. Foi publicado no momento em que o Marcelo Viana estava >> terminando a série de colunas dele sobre a IA na matemática. Claramente, >> são pontos de vista opostos. Reproduzo abaixo, na íntegra, o artigo da >> Tatiana Roque. É ilustrativo em vários aspectos. No entanto, em minha >> opinião, expressa uma reação conservadora diante da novidade filosófica, >> epistêmica. >> >>>> >> >>>> Peguei o termo "revolução científica" do ensaio do Bessis, divulgado >> pela Valéria, com o qual começamos a discussão. Acho que ele está correto. >> >>>> >> >>>> Acho que estamos atravessando essa revolução e ainda tentando >> entender o que será este mundo novo que emergirá dela, quando ela se >> completar. Minha aposta: surgirá uma era de 'transcognitivismo' (para >> confrontar com 'trans-humanismo'). Sem descartar a hipótese de ciborgues ou >> coisas do tipo, o que parece estar surgindo é uma cognição híbrida: uma >> colaboração cada vez maior do homem com a máquina. E o interessante é que, >> agora, a máquina pode nos surpreender, criar matemática nova. Não é apenas >> força bruta. É exteriorização de nossa criatividade. Essa colaboração >> provavelmente mudará o modo como pensamos em matemática, fazemos matemática. >> >>>> >> >>>> Vou ler agora o artigo que o João Marcos sugeriu, sobre >> comportamentalismo versus cognitivismo, para ver se entendo o ponto. >> >>>> >> >>>> Segue o artigo da Tatiana Roque: >> >>>> >> >>>> -x-x-x- >> >>>> >> >>>> 'Hype da IA' não pode rebaixar o pensamento humano e bloquear debate >> sobre a tecnologia >> >>>> >> >>>> Com avanço da IA, a capacidade de máquinas passa a definir o >> significado da inteligência humana >> >>>> >> >>>> Fase de superexcitação com a tecnologia está de volta, mas a >> história mostra que destino não é inexorável >> >>>> >> >>>> Tatiana Roque >> >>>> >> >>>> [RESUMO] Em reflexão sobre as raízes históricas da inteligência >> artificial, autora retoma a previsão do matemático Alan Turing, que propôs >> que o debate sobre o significado do pensamento humano seria esquecido no >> final do século 20 com o fim dos questionamentos sobre a inteligência das >> máquinas. Hoje, a falta de humildade epistêmica em um período de >> desenvolvimento acelerado da tecnologia pode causar grandes catástrofes. >> >>>> >> >>>> × >> >>>> >> >>>> Paris inteira correu para ver o flautista. Pessoas de todas as >> idades tentavam achar um bom ângulo para assistir àquele espetáculo >> inusitado. >> >>>> >> >>>> Na grande estreia daquela noite, o músico era um autômato. A máquina >> havia sido construída pelo mecânico francês Jacques de Vaucanson e fazia >> movimentos contidos em cima de um pedestal. Mais do que um suporte, >> escondia-se ali o mecanismo engenhoso que dava vida ao flautista. O público >> saiu encantado com a precisão da performance, que foi destaque nos jornais >> daquele janeiro de 1738. >> >>>> >> >>>> Sempre fui fascinada por brinquedos de corda, feitos de metal, com >> pintura delicada e colorida. Na minha estante de livros, tenho um >> carrossel, um pintinho, um elefante, um pião e um humanoide, todos com >> aquela aura retrô. >> >>>> >> >>>> Quando chego cansada do trabalho, costumo dar corda no pintinho para >> vê-lo ciscar compulsivamente em cima da mesa, até o mecanismo se exaurir. >> Já o carrossel toca Edith Piaf enquanto gira cavalos e demoiselles. Em >> nenhum momento, esqueço que são engenhos mecânicos. Ao contrário, é isso >> que têm de encantador. >> >>>> >> >>>> Até que ponto as máquinas podem imitar seres humanos? Essa pergunta >> vem de longe. Ninguém achava, no século 18, que o flautista iria superar um >> músico de carne e osso. Para isso, seria preciso reproduzir a >> característica humana mais singular: a inteligência. >> >>>> >> >>>> Ao longo do século 19, foram muitas as tentativas de imitar essa >> faculdade, especialmente com a invenção das primeiras máquinas de calcular, >> propostas por Charles Babbage para substituir o trabalho mental. O avanço >> da computação, durante a Segunda Guerra Mundial, tornou a questão mais >> urgente ao fim do conflito. >> >>>> >> >>>> Em 1950, surgiu um teste para verificar se a inteligência dos >> computadores pode se equiparar à humana. A proposta foi feita pelo >> matemático Alan Turing, conhecido como um dos pais da computação, no artigo >> "Máquinas de computação e inteligência". Apesar de celebrado como inventor >> da "inteligência artificial", ele não usava esses termos. >> >>>> >> >>>> Sou historiadora da ciência e, nessa profissão, partimos da premissa >> de que investigar a obra de um cientista exige recuperar as noções como por >> ele empregadas, sem encaixá-las retrospectivamente nas denominações atuais. >> Olhar o passado com os olhos do presente é anacronismo, vício a ser evitado >> na prática da história. De fato, Turing queria saber se as máquinas podem >> pensar, mas formulou a pergunta em termos peculiares, que podem passar >> despercebidos aos olhares açodados de hoje. >> >>>> >> >>>> Antes de investigar se as máquinas podem pensar, seria preciso >> responder à pergunta: o que caracteriza o pensamento humano? Mas essa >> questão é difícil demais, e Turing faz um desvio: >> >>>> >> >>>> "Acredito que a pergunta original, 'as máquinas podem pensar?', é >> insignificante demais para merecer discussão. No entanto, acredito que, no >> final do século, o uso das palavras e a opinião geral das pessoas >> instruídas terão mudado tanto que será possível falar de máquinas pensando >> sem esperar ser contrariado." >> >>>> >> >>>> A previsão é espantosa, além de profética: a busca pelo significado >> do que é pensar será esquecida até o final do século 20 e, só assim, será >> possível falar de máquinas pensando sem ser contrariado. É exatamente o que >> está acontecendo hoje. Não parece mais importar o que há de especial na >> inteligência ou no pensamento ou até onde o ser humano pode levar o >> exercício dessas faculdades. Basta saber como são percebidas em seu uso >> mais comum. Chamamos esse fenômeno de demônio de Turing. >> >>>> >> >>>> A percepção é uma faculdade traiçoeira, contaminada por interesses. >> E se estivermos enganados a cada vez que nossos sentidos nos fizerem crer >> que observamos algo real? Esse é um dilema da filosofia desde a caverna de >> Platão. >> >>>> >> >>>> A dificuldade se agrava com a pergunta de Descartes: e se estivermos >> equivocados a cada vez que tivermos uma certeza? Um gênio maligno poderia >> estar nos enganando, diz o filósofo francês. Mesmo verdades básicas e >> aparentemente inquestionáveis, como as verdades matemáticas (2 + 3 = 5), >> poderiam ser falsas e a certeza que experimentamos sobre elas talvez seja >> obra do demônio. >> >>>> >> >>>> A hipótese do gênio maligno, o demônio de Descartes, é uma forma de >> nos convencer sobre a necessidade de um método rigoroso para obter certezas. >> >>>> >> >>>> Turing não era filósofo. Preocupado com critérios práticos para >> avaliar a performance dos computadores, propôs substituir a pergunta "as >> máquinas podem pensar?" por um teste, chamado de jogo da imitação. Uma >> máquina e uma pessoa humana devem responder a perguntas, posicionados de >> forma que um júri, encarregado de avaliar as respostas, não consiga ver de >> onde elas vieram. Se o júri errar, ou seja, se avaliar como humanas as >> respostas fornecidas pela máquina, ela pode ser dita inteligente. >> >>>> >> >>>> Vejam a ironia: Turing não estava tentando desvendar os mistérios do >> pensamento humano, apenas provar que isso não é necessário para dizer se >> uma máquina se equipara a um ser humano na tarefa de responder a perguntas. >> Diferente do flautista, que escondia seu maquinário dentro do pedestal, o >> jogo da imitação requer um ser humano escondido. Rebatizado mais tarde de >> teste de Turing, o desafio sugere que a máquina pode ser equiparada à >> inteligência humana se conseguir iludir pessoas de carne e osso. >> >>>> >> >>>> A ideia de inteligência artificial surgiu um pouco depois, em 1956, >> quando um professor do Dartmouth College, John McCarthy, convocou >> pesquisadores de peso das áreas de computação, neurociências e cibernética >> para uma conferência. Como estratégia para tornar o convite sedutor, >> incluiu um termo chamativo na proposta: inteligência artificial. >> >>>> >> >>>> Tratava-se de um nome novo para os estudos sobre autômatos, mas não >> só. O objetivo era avançar na conjectura de que qualquer característica da >> inteligência pode ser descrita com tanta precisão que é possível treinar >> uma máquina para simulá-la. Nessa época, o tipo predominante de >> inteligência artificial era bem diferente da atual, mais influenciada pela >> lógica do que pela estatística. >> >>>> >> >>>> Essa IA clássica costuma ser chamada de Gofai, um acrônimo para >> "good old-fashioned AI" (digamos, a boa e velha IA). Dito de modo resumido, >> a IA simbólica aprendia a partir de regras explícitas, ao contrário das >> técnicas atuais, que se apoiam na enorme quantidade de dados disponíveis na >> internet. >> >>>> >> >>>> Naquela época, já se falava em redes neurais, ideia que está na base >> da IA de hoje. Mas apenas nos anos 1990, com o avanço do poder >> computacional, ela passou a exibir resultados satisfatórios. As diferenças >> entre a Gofai e as redes neurais são difíceis de explicar, mas o >> contraponto ajuda a lembrar que não existe apenas um caminho. >> >>>> >> >>>> A história da IA é marcada por surtos periódicos de superexcitação >> intercalados com os chamados invernos da IA, nos quais os limites se tornam >> aparentes, o entusiasmo se esvai e o financiamento é cortado. >> >>>> >> >>>> Durante a década de 1960, abordagens simbólicas obtiveram sucesso na >> simulação de comportamentos inteligentes em jogos, matemática simbólica ou >> demonstração de teoremas. Depois, o investimento declinou. O ano de 1973 >> foi um marco, com publicações jogando um balde de água fria nos métodos >> usados até ali e mudando o foco da pesquisa. O entusiasmo retornou, até que >> as promessas não cumpridas culminaram em outra reação negativa na década de >> 1980. >> >>>> >> >>>> Estaríamos retornando à fase de superexcitação? Será que ela vai >> demorar? Parece que sim, mas o senso histórico ajuda a lembrar que não se >> trata de um destino inexorável. >> >>>> >> >>>> Nossa definição de inteligência está mudando com o avanço da IA. É >> normal que os conceitos mudem de sentido, mas precisamos estar atentos para >> que essa mudança não acabe diminuindo o potencial da inteligência humana e >> bloqueando um debate franco sobre os rumos da tecnologia. >> >>>> >> >>>> Na matemática, existe uma grande diferença entre resolver problemas >> e formulá-los. Em geral, não se percebe isso, pois o ensino básico é >> excessivamente focado em resolver problemas, como usar a fórmula de >> resolução de equações do segundo grau, encontrar a soma dos termos de uma >> progressão aritmética ou multiplicar matrizes. Um matemático profissional >> não faz nada disso. Ele propõe novos problemas. Se forem bons, esses >> problemas podem virar teoremas, motivar boas teses de doutorado ou ser >> aplicados a outras áreas. Costumo dizer que os problemas são o motor da >> matemática. >> >>>> >> >>>> Neste momento, grandes cientistas e empresários comemoram o sucesso >> de uma ferramenta de IA na Olimpíada Internacional de Matemática. Os >> entusiastas correm para dizer que estamos diante de uma inteligência >> artificial comparável à dos humanos, já que a matemática é símbolo de >> inteligência. >> >>>> >> >>>> De fato, a IA é uma ótima resolvedora de problemas, mas estamos >> longe de vê-la inventar problemas consistentes, ofício de todo bom >> cientista. À frente da empresa ligada ao Google que criou a ferramenta >> vitoriosa nas olimpíadas, Demis Hassabis reconhece essa diferença entre >> resolver e inventar problemas. Os grandes avanços da ciência dependem da >> formulação de boas perguntas, não só das respostas certas. >> >>>> >> >>>> Luciano Floridi é um filósofo que tem refletido sobre as implicações >> éticas da IA. Para ele, a inteligência artificial de hoje é uma dissociação >> entre a resolução bem-sucedida de problemas e o comportamento inteligente. >> Dissociação é uma palavra forte. Ela sugere que o comportamento inteligente >> não está sendo mobilizado, em toda a sua amplitude, quando a IA executa as >> tarefas necessárias para resolver problemas, pois estão ausentes a >> consciência, a perspicácia, a sensibilidade, os insights, a experiência e a >> sabedoria. >> >>>> >> >>>> Mesmo sem nenhuma dessas capacidades humanas, a IA fornece soluções >> convincentes, mas graças às técnicas avançadas para processar enormes >> quantidades de dados produzidos pelos seres humanos. >> >>>> >> >>>> O sucesso da IA depende de uma construção pouco explícita: foi >> criado um ambiente favorável, no qual as tecnologias inteligentes se sentem >> em casa. Vivemos agarrados a nossos celulares, os objetos da casa se tornam >> smart, a TV e o fogão vêm com um assistente de bordo inteligente, os >> veículos possuem chips e um GPS nos acompanha. Tudo isso deixa rastros em >> dados e mais dados. >> >>>> >> >>>> Talvez o mundo esteja se adaptando à IA, e não o contrário, do mesmo >> modo como nossas mãos adquirem a forma de um celular, nossas relações reais >> refletem traços de nosso comportamento nas redes sociais e nosso cérebro >> apodrece com o tempo gasto na internet, como descrito no chamado "brain >> rot". >> >>>> >> >>>> O demônio de Turing é o gênio maligno que nos leva a avaliar nossa >> própria inteligência a partir do que a máquina é capaz de fazer. Esse é um >> risco invisível nas discussões sobre o futuro e o poder da IA. Uma >> redefinição vai se firmando, sem que os termos estejam explícitos. Só então >> "será possível falar de máquinas pensando sem esperar ser contrariado", >> exatamente como Turing previu. >> >>>> >> >>>> As ideias vão se adequando aos ares do tempo de tal maneira que nem >> sequer estranhamos quando um caminhão autônomo é considerado uma façanha da >> inteligência artificial, mesmo que até há pouco tempo não achássemos que >> dirigir fosse uma atividade inteligente. >> >>>> >> >>>> Os avanços dos próximos anos serão velozes e precisaremos de >> critérios para avaliar se estamos realmente perto de uma inteligência >> artificial equiparável à dos humanos. Pode ser útil examinar se ela sabe >> inventar problemas tão bem quanto um bom matemático —e o mesmo vale para a >> arte e outras áreas criativas, que dependem mais de perguntas consistentes >> do que de respostas eficazes. >> >>>> >> >>>> Os debates sobre inteligência artificial são envolvidos por muito >> hype. Isso atrapalha uma conversa franca sobre suas consequências, desde os >> impactos no mundo do trabalho até o uso dos recursos naturais. Encantamento >> e ocultamento são dois lados do mesmo demônio, distrações que terminam por >> esvaziar nossa agência e desmobilizar a ação política necessária para >> incidir nos rumos da IA. Não é uma tarefa fácil, mas a história nos lembra >> que há técnicas diversas e algumas podem ser mais úteis do que outras se >> fixarmos o bem comum como objetivo. >> >>>> >> >>>> "Não acredite no hype da IA" é o título de um artigo de Daron >> Acemoglu, prêmio Nobel de Economia. Ele mostra, com riqueza de dados, que >> os ganhos de produtividade, por enquanto, são modestos e a "automação pelo >> prazer de automatizar" amplia as desigualdades sociais. Acemoglu é um dos >> defensores mais eloquentes da ideia de que devemos direcionar o curso da >> mudança tecnológica e não aceitar o caminho atual como inevitável. >> >>>> >> >>>> Húbris é um conceito de origem grega, comumente associado à soberba. >> Os mitos antigos advertiam para o perigo de se superestimar a contribuição >> humana diante de grandes conquistas. Quando obtêm sucesso importante em >> algum feito, como vencer guerras ou inventar ferramentas poderosas, os >> humanos correm o risco de subestimar o papel da fortuna e achar que tudo é >> fruto de sua própria genialidade. >> >>>> >> >>>> Mais uma vez, o demônio está à espreita, só que o excesso de >> confiança irrita os deuses. A sensação de invulnerabilidade e a falta de >> humildade epistêmica que a húbris enseja podem despertar a ira dos deuses e >> ocasionar grandes catástrofes. Precisamos evitá-las, e redirecionar o uso e >> as prioridades no desenvolvimento da IA é parte dessa missão. >> >>>> >> >>>> *** >> >>>> >> >>>> Este texto é uma versão adaptada da introdução de "A Máquina e Nós: >> Promessas e Armadilhas da Inteligência Artificial", que será publicado pela >> Todavia em junho. >> >>>> >> >>>> >> >>>> >> >>>> >> >>>> >> >>>> >> >>>> >> >>>> Em quinta-feira, 21 de maio de 2026, Joao Marcos <[email protected]> >> escreveu: >> >>>>> >> >>>>> Márcio Palmares escreveu: >> >>>>> > >> >>>>> > Seres humanos exteriorizam sua imaginação criando ferramentas, >> máquinas, tecnologia. >> >>>>> > >> >>>>> > Agora, exteriorizamos nosso pensamento matemático, ou certas >> porções dele. De um machado de pedra para uma máquina capaz de fazer >> matemática... Podemos delegar à máquina a resolução de alguns problemas. E >> ela pode se sair melhor do que nós em certos casos (do mesmo modo que uma >> escavadeira se sai melhor do que um indivíduo com uma pá). Mas não se trata >> de força bruta. Este caso mostra criatividade, engenhosidade: >> exteriorização de faculdades humanas. >> >>>>> > >> >>>>> > Para um materialista no sentido filosófico, isso tudo é >> surpreendente em um único sentido: somos matéria estelar que adquiriu vida >> e consciência (Carl Sagan). Somos máquinas biológicas. Se fosse impossível >> construir máquinas capazes de imitar certas faculdades humanas >> (inteligência matemática), então nós não existiríamos. >> >>>>> >> >>>>> No que diz respeito ao advento das LLMs e a nossa reflexão acerca >> das >> >>>>> suas capacidades, lembrei-me deste artigo: >> >>>>> >> >>>>> Cognitivism prevents us from understanding artificial intelligence >> >>>>> https://link.springer.com/article/10.1007/s00146-025-02583-5 >> >>>>> >> >>>>> Será que é mesmo o caso de reavivarmos a chama do >> comportamentalismo, >> >>>>> em detrimento do cognitivismo? >> >>>>> >> >>>>> >> >>>>> Gisele Dalva escreveu: >> >>>>> > Nem tudo o que reluz é ouro, já diz a cantiga de capoeira, e dar >> uns passos atrás antes de preconizar grandes e radicais mudanças em alguma >> prática científica pode ser uma boa atitude. >> >>>>> >> >>>>> Eu não hesitaria em afirmar que as mudanças trazidas pelas LLMs à >> >>>>> prática matemática são, com efeito, grandes e radicais. >> >>>>> >> >>>>> Querendo ou não, nunca mais voltaremos a fazer buscas da forma como >> >>>>> fazíamos outrora. E isso me faz recordar o clássico artigo >> >>>>> "Intelligent machinery", escrito pelo patrono da "Filosofia da >> >>>>> Inteligência", Alan Turing, no qual ele discute, entre outras tantas >> >>>>> questões, "the idea that intellectual activity consists mainly of >> >>>>> various kinds of search". Pois a coisa está funcionando, e está, >> sim, >> >>>>> desmistificando um bom bocado a ideia romantizada acerca das >> >>>>> capacidades que nos tornariam singularmente humanos --- capacidades >> >>>>> estas, aliás, que muitos humanos parecem usar com bastante >> parcimônia. >> >>>>> >> >>>>> []s, João Marcos >> >>>>> >> >>>>> -- >> >>>>> LOGICA-L >> >>>>> Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área >> de Lógica <[email protected]> >> >>>>> --- >> >>>>> Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo >> "LOGICA-L" dos Grupos do Google. >> >>>>> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails >> dele, envie um e-mail para [email protected]. >> >>>>> Para ver esta conversa, acesse >> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CAO6j_Lj4d_L0%3DMr_ai9UbNhoxinqJ4KSyJwsa_6U_jBM9bMVEg%40mail.gmail.com >> . >> >>>> >> >>>> -- >> >>>> LOGICA-L >> >>>> Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de >> Lógica <[email protected]> >> >>>> --- >> >>>> Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo "LOGICA-L" >> dos Grupos do Google. >> >>>> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, >> envie um e-mail para [email protected]. >> >>>> Para ver esta conversa, acesse >> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CAA_hCxXKfspLgGUK1r%2B_AujcvM%3DAd_tPDhBxAAO95e_4dOsGNA%40mail.gmail.com >> . >> > >> > -- >> > LOGICA-L >> > Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de >> Lógica <[email protected]> >> > --- >> > Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo "LOGICA-L" dos >> Grupos do Google. >> > Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, >> envie um e-mail para [email protected]. >> > Para ver esta conversa, acesse >> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/4ffc1cb5-0e16-4292-936b-56680e8514fbn%40dimap.ufrn.br >> . >> >> >> >> -- >> ======================== >> Walter Carnielli >> CLE and Department of Philosophy >> University of Campinas –UNICAMP, Brazil >> >> AI2- Advanced Institute for Artificial Intelligence >> Blog https://waltercarnielli.com/ >> > > > -- LOGICA-L Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de Lógica <[email protected]> --- Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L" dos Grupos do Google. 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