Ola Cassiano,

Não  se pretende negar que o desenvolvimento da ciência esteve ligado a
empreitadas mercantis,  colonialistas ideológicas, religiosas, de
dominação-  e nem parece necessário (re)ler O Capital para se convencer
disso.

O que eu disse é que nunca esse tipo de coisa esteve na mão de meia dúzia
de empresas com ações na bolsa e interesse exclusivo  no lucro.

Me parece que negar isso é tapar o sol sem a peneira :-)

Abraços,
Walter

 ========================
 Walter Carnielli
CLE and Department of Philosophy
University of Campinas –UNICAMP, Brazil

 AI2- Advanced Institute for Artificial Intelligence
Blog https://waltercarnielli.com/






Em sáb., 23 de mai. de 2026 20:04, Cassiano Terra Rodrigues <
[email protected]> escreveu:

> Colegas, respondo apenas a um ponto aqui levantado pelo Walter.
>
> <<as grandes revoluções científicas foram predominantemente financiadas
> por instituições públicas, eclesiásticas ou filantrópicas, e seus
> resultados
> geraram bens comuns da humanidade, por bem ou até por mal.
>
> A IA rompe com esse padrão >>
>
> Talvez eu tenha entendido mal, mas devo dizer q não posso concordar com a
> afirmação a respeito das grandes revoluções Científicas.
> Há bibliotecas sobre o tema da agenda burguesa capitalista sem a qual
> sequer a física newtoniana existiria.
> Basta pensar em Galileo.
> Além disso, é impossível pensar o nascimento da ciência e da tecnologia
> modernas separadamente da empresa colonialista. A não ser q a separação
> entre teoria e prática seja de um positivismo peircista, devo reconhecer.
> Copérnico podia estar preocupado com a verdade de Deus, mas jamais haveria
> preocupação com o calendário da Páscoa se a necessidade mais precisão na
> cronometragem não tivesse surgido com porque era necessário navegar por
> mares nunca dantes navegados. A Igreja nunca foi ingênua e a teologia se
> preocupa menos com o discurso divino do q com a maneira como os homens o
> usam. Copérnico podia não achar, mas estava a serviço de instituições
> econômica e socialmente interessadas no lucro. Sugiro a leitura dos
> capítulos historicos do *Capital, *sobre a formação da cooperação, da
> manufatura e da maquinaria, para entender o q era a Igreja em decadência já
> no séc. XIII.
>
> Além disso, se avançarmos um pouco no tempo e pensarmos na consecução do
> programa cartesiano por Newton, temos de reconhecer q Newton, na verdade,
> "era o mais proeminente matemático de um grupo de praticantes da
> matemática, professores, fabricantes de instrumentos, cartógrafos,
> astrônomos e inventores que formavam a base de seu trabalho", nas palavras
> de Ruy Gama. E eis aí a Sociedade mercantilista e o imperialismo inglês em
> expansão (como queria Francis Bacon): o q seria da cosmologia de Newton se
> não fosse o problema da longitude das marés? Problema aliás tb para Galileo
> e Huygens. Sem falar na hélice e nos projéteis. E os relógios. Etc. A Royal
> Society não era nem Cambridge nem Oxford, vivia às mínguas e buscava
> financiamento com qualquer um q pagasse. E a Companhia das Índias
> Ocidentais pagou bastante coisa.
> Ou seja: há muito mais entre o céu e a terra do q supõe a vã filosofia, ou
> a van da filosofia.
>
> Abraços.
>
>
>
>
> Cassiano Terra Rodrigues
> Prof. Dr. de Filosofia - IEF-H-ITA
> Presidente da Sociedade Brasileira de Lógica - SBL
>
> Rua Tenente Brigadeiro do ar Paulo Victor da Silva, F0-206
> Campus do DCTA
> São José dos Campos
> São Paulo, Brasil
> CEP: 12228-463
> Tel. (+55) 12 3305 8438
>
> --
> lealdade, humildade, procedimento
>
> Em sáb., 23 de mai. de 2026, 13:39, Walter Carnielli <[email protected]>
> escreveu:
>
>> Bon dias,
>>
>> acho muito bom que o debate continue!
>>
>> Existe um ponto central  filosoficamente muito importante e esquecido
>> no caso das  IAS:
>> as grandes revoluções científicas foram predominantemente financiadas
>> por instituições públicas, eclesiásticas ou filantrópicas, e seus
>> resultados
>> geraram  bens comuns da humanidade,  por bem ou até por mal.
>>
>> A IA rompe com esse padrão — não nas ideias (que continuam sendo
>> algoritmos, protocolos, etc), mas no controle, propriedade e
>> direcionamento
>> do desenvolvimento tecnológico. É uma questão que, penso eu, merece
>> debate público sério. Ninguém está falando sobre isso.
>>
>> O negócio agora são aplicações imediatas, comerciais, divertidas- nada
>> na direção da ciência básica. Isso está levando a um declínio no apoio
>> à pesquisa
>> fundamental, sem contar o declínio intelectual dos usuários em geral.
>>
>> A escala do financiamento privado é  sem precedentes históricos, com
>> modelos, dados, e arquiteturas todos (ou na maioria) proprietários,
>> ao contrário das revoluções anteriores onde o conhecimento circulava
>> livremente.
>>
>> Vejamos:
>>
>> - Revolução Copernicana e mecânica clássica
>>
>> Copérnico, Galileu, Kepler e Newton foram financiados por
>> universidades, igrejas e patronos nobres, nunca por empresas
>> comerciais.
>>
>> – A eletricidade nasceu dos experimentos Michael Faraday e da teoria
>> de James Maxwell, ambos ligados a instituições acadêmicas e sociedades
>> científicas,
>> sem financiamento empresarial direto.
>>
>> --O caso da mecanica quântica: Einstein, Bohr, Heisenberg, Schrödinger
>> trabalhavam em universidades europeias financiadas pelo Estado. Havia
>> bolsas de doutorado dr fundações como Rockefeller e Guggenheim . Mas
>> não eram **encomendas**. Eram bolsas de estudo.
>>
>> – A internet foi desenvolvida com recursos do DARPA (Defense Advanced
>> Research Projects Agency) do Departamento de Defesa dos EUA e da NSF,
>> (Nat. Sc. Foundation) com base em pesquisa do MIT, UCLA, etc. É um
>> produto essencialmente público (e militar). Mas não empresarial.
>>
>> Eu acho isso uma grande diferença, que formata todo o resto da
>> discussão: o conhecimento escapando das.
>> mãos  dos cientistas, acadêmicos, pensadores, para as mãos do capital.
>>
>> Abraços,
>> Walter
>>
>>
>>
>>
>> Em sáb., 23 de mai. de 2026 às 11:22, Cassiano Terra Rodrigues
>> <[email protected]> escreveu:
>> >
>> > Bons dias, colegas.
>> > Posso estar um pouco atrasado na conversa, não tenho frequentado tanto
>> a lista, infelizmente.
>> > Permitam-me divulgar uma mesa sobre IA e Ética de que participei,
>> online, no final do ano passado.
>> > Creio que há ressonâncias com o que aqui se discutiu, principalmente as
>> últimas mensagens.
>> > A minha apresentação é a primeira, mas não necessariamente a mais
>> interessante, devo dizer.
>> > Pretendo reelaborar a fala para a conferência da SBL na 78ª reunião da
>> SBPC a acontecer em julho, em Niteroi. Assim, toda sugestão é bem vinda.
>> > Eis o enlace:
>> https://www.youtube.com/live/dM_c_M33bCs?si=EpwpWihC5eFYJdx7
>> > Saudações,
>> >
>> >
>> > On Friday, May 22, 2026 at 9:43:54 AM UTC-3 marciopalmares wrote:
>> >>
>> >> Lembrei de uma coisa...
>> >>
>> >> O Adolfo disse que não gosta de ficção científica, tudo bem. Gosto é
>> gosto, não se discute.
>> >>
>> >> 'Solaris' foi um dos melhores livros que li na vida... Não vou dar
>> spoiler, pois pode haver alguém jovem aqui, acompanhando as discussões.
>> >>
>> >> Outro que gostei muito quando li, acho que com uns 15 anos, foi o
>> 'Esfera', do Michael Crichton. Este livro lembra o 'Solaris' em alguns
>> aspectos...
>> >>
>> >> No 'Esfera' um matemático ocupa um papel central em uma equipe
>> destinada a analisar uma nave alienígena encontrada no fundo do oceano.
>> >>
>> >> Um dos momentos mais aterrorizantes e perturbadores ocorre quando um
>> computador usado pela equipe adquire 'consciência', parece ter sido
>> invadido pela máquina alienígena.
>> >>
>> >> Nos dois casos é explorado o problema da exteriorização de nossas
>> faculdades subjetivas: inteligência, razão, consciência, sentimentos.
>> >>
>> >> Este tema é recorrente na literatura porque é realmente o que sempre
>> fizemos, desde o princípio: reunimos todas as nossas principais qualidades
>> (solidariedade, generosidade, amor, compaixão, bondade...), exteriorizamos,
>> objetivamos em um "outro" (deuses) e passamos a nos relacionar mentalmente
>> com este "outro".
>> >>
>> >> Reunimos nossos piores atributos coletivos (violência, egoísmo...), os
>> exteriorizamos, objetificamos em um "outro" (o mal, demônios, o que seja) e
>> passamos a acreditar que estamos de algum modo subjugados por este "outro",
>> que brotou de nossas próprias cabeças.
>> >>
>> >> Agora, conseguimos fabricar máquinas que fazem matemática sofisticada
>> de alto nível, inédita. É uma exteriorização de nossa criatividade. Somos
>> nós, porém exteriorizados, objetificados num "outro". Nos relacionamos com
>> esse "outro".
>> >>
>> >> É um tema velho, por isso tão recorrente.
>> >>
>> >> Não vou fingir aqui que li Hegel. Comprei essa edição em português da
>> Vozes, do "Ciência da Lógica" em dois volumes... Já comecei a ler e
>> abandonei diversas vezes. Acho tremendamente difícil, praticamente
>> ilegível. Mas alguns comentadores dizem que Hegel acreditava que o
>> "espírito humano" se exterioriza na História, em instituições... e então se
>> reconhece nelas. É uma boa ideia, eu acho (se for mesmo o que ele diz, não
>> posso confirmar porque não li).
>> >>
>> >> É isso o que estamos fazendo com essas máquinas: estamos assombrados
>> porque nos exteriorizamos num "outro".
>> >>
>> >>
>> >>
>> >> Em sexta-feira, 22 de maio de 2026, Eduardo Ochs <[email protected]>
>> escreveu:
>> >>>
>> >>> Oi todos,
>> >>>
>> >>> > Que bom que ainda temos esses debates polêmicos aqui na lista.
>> >>> > Muitos estudantes estão migrando dos fóruns de discussão entre
>> >>> > pessoas e debatendo apenas com o ChatGPT, Claude, etc. Estão
>> >>> > preferindo conversar com as máquinas do que a interlocução com
>> >>> > humanos. (Acho que li no blog do Peter Smith, não tenho certeza, que
>> >>> > houve uma diminuição no fluxo de perguntas e respostas no Math Stack
>> >>> > Exchange...)
>> >>>
>> >>> Em 2025.2 eu tive uma turma em que uns 80% dos alunos eram estudantes
>> >>> de Computação de 2o e 3o período que eram assombrações... eu passava
>> >>> umas atividades de grupo em que eles tinham que calcular o resultado
>> >>> de coisas como isso aqui na mão,
>> >>>
>> >>>   { (x,y) | x∈{-2,...,2}, y∈{-2,...,2}, y=sqrt(1-x^2) }
>> >>>
>> >>> e nos grupos de assombrações os alunos nem discutiam entre si e nem
>> >>> tentavam "pensar no papel" - eles dividiam os 50 exercícios da
>> >>> atividade entre as 5 pessoas de cada grupo, perguntavam algumas coisas
>> >>> pro ChatGPT, e pronto: eles tinham feito o exercício "do melhor jeito
>> >>> possível", e tinham chegado nos resultados bem rápido.
>> >>>
>> >>> Pra gente é bem claro que o "melhor jeito possível" de fazer o
>> >>> exercício depende da métrica, e que tem várias métricas diferentes, e
>> >>> que a métrica que esses alunos estavam usando era péssima, porque eles
>> >>> não aprenderam quase nada e não treinaram quase nada. Só que pra
>> >>> explicar pra eles quais são as métricas "melhores" a gente teria que
>> >>> ter boas explicações do como funcionam coisas como "pensar no papel",
>> >>> "aprender", "treinar até ficar fácil", "fazer boas perguntas", "fazer
>> >>> perguntas que sejam úteis pros outros", etc, que fazem pouco sentido
>> >>> pros xóvens...
>> >>>
>> >>> Alguém tem material sobre isso pra me recomendar? Eu acabei de
>> >>> baixar e ler uns 10 artigos curtos da "AI & Society", que o João
>> >>> Marcos recomendou e que eu não conhecia -
>> >>> <https://link.springer.com/journal/146/volumes-and-issues/41-2>...
>> >>> eu até tenho um monte de livros e artigos sobre isso que eu posso
>> >>> mandar pra quem quiser, mas são todos bem mais antigos, e talvez
>> >>> vocês tenham recomendações recentes...
>> >>>
>> >>>   [[]],
>> >>>     Eduardo Ochs
>> >>>     Psicopata do CEFET
>> >>>     https://anggtwu.net/2026-alguns-motivos-bel.html
>> >>>
>> >>>
>> >>> On Fri, 22 May 2026 at 08:29, Márcio Palmares <[email protected]>
>> wrote:
>> >>>>
>> >>>> Que bom que ainda temos esses debates polêmicos aqui na lista.
>> Muitos estudantes estão migrando dos fóruns de discussão entre pessoas e
>> debatendo apenas com o ChatGPT, Claude, etc. Estão preferindo conversar com
>> as máquinas do que a interlocução com humanos. (Acho que li no blog do
>> Peter Smith, não tenho certeza, que houve uma diminuição no fluxo de
>> perguntas e respostas no Math Stack Exchange...)
>> >>>>
>> >>>> Eu separo a dimensão sociológica, política, econômica, da dimensão
>> puramente teórica, matemática e filosófica. Acho que misturar as coisas
>> prejudica nossa compreensão. Sou comunista de carteirinha, desde os 17
>> anos. Poderia discutir o aspecto sociológico também, mas não é tão
>> significativo, pois não tem nada de novo. Todas as tecnologias são
>> mercadorias. Na verdade, todo trabalho humano assume a forma mercadoria no
>> capitalismo. Toda tecnologia é explorada por corporações grandes ou
>> pequenas com o objetivo exclusivo de conseguir lucro, mais concentração de
>> poder, mais concentração de capital.
>> >>>>
>> >>>> "Parece que o resultado em questão se deve mais ao desejo da OpenAI
>> de concorrer com a Antrophic --publicidade, portanto-- do que de uma
>> verdadeira preocupação com a pesquisa matemática".
>> >>>>
>> >>>> Este contraponto é como dizer: "Parece que o fato de a Coca-Cola
>> estar vendendo água mineral se deve mais ao desejo de a empresa de obter
>> lucros do que uma verdadeira preocupação com a hidratação das pessoas."
>> >>>>
>> >>>> É um ataque contra um espantalho. Toda empresa busca lucro, faz
>> publicidade, vende sua mercadoria, concorre no mercado com outras empresas,
>> assedia o governo dos países onde está instalada para ter vantagens,
>> explora sua força de trabalho...
>> >>>>
>> >>>> Não há novidade alguma aqui. Talvez um aspecto meio novo:
>> normalmente, áreas de ponta em tecnologia estão ligadas a complexos
>> estatais-militares, como no caso da energia atômica. Aqui um setor privado
>> é o propulsor da ferramenta, e vem adquirindo cada vez mais poder e
>> influência sobre os governos (veja-se o 'artigo' recente da Anthropic sobre
>> 'geopolítica', onde a empresa prevê um apocalipse caso o 'ocidente' perca a
>> liderança em IA para a China. Realmente a Anthropic está preocupada com a
>> opressão dos chineses? Ou está de olho no fluxo de investimentos que pode
>> vir do governo dos EUA?).
>> >>>>
>> >>>> A IA na forma atual é um problema humano, ambiental? Claro que sim.
>> Tanto quanto os agrotóxicos, os microplásticos, os desastres climáticos...
>> Mas essa dimensão não é relevante filosoficamente. É relevante para a
>> política diária. Mas a escala de tempo dos problemas filosóficos é outra.
>> Sistemas econômicos mudam, a filosofia fica.
>> >>>>
>> >>>> A Profa. Tatiana Roque da UFRJ escreveu um artigo na Folha de São
>> Paulo fazendo esse contraponto sugerido pela Gisele na postagem anterior,
>> uma visão mais histórica, mais filosófica, menos 'entusiamo ingênuo' e mais
>> 'senso crítico'. Foi publicado no momento em que o Marcelo Viana estava
>> terminando a série de colunas dele sobre a IA na matemática. Claramente,
>> são pontos de vista opostos. Reproduzo abaixo, na íntegra, o artigo da
>> Tatiana Roque. É ilustrativo em vários aspectos. No entanto, em minha
>> opinião, expressa uma reação conservadora diante da novidade filosófica,
>> epistêmica.
>> >>>>
>> >>>> Peguei o termo "revolução científica" do ensaio do Bessis, divulgado
>> pela Valéria, com o qual começamos a discussão. Acho que ele está correto.
>> >>>>
>> >>>> Acho que estamos atravessando essa revolução e ainda tentando
>> entender o que será este mundo novo que emergirá dela, quando ela se
>> completar. Minha aposta: surgirá uma era de 'transcognitivismo' (para
>> confrontar com 'trans-humanismo'). Sem descartar a hipótese de ciborgues ou
>> coisas do tipo, o que parece estar surgindo é uma cognição híbrida: uma
>> colaboração cada vez maior do homem com a máquina. E o interessante é que,
>> agora, a máquina pode nos surpreender, criar matemática nova. Não é apenas
>> força bruta. É exteriorização de nossa criatividade. Essa colaboração
>> provavelmente mudará o modo como pensamos em matemática, fazemos matemática.
>> >>>>
>> >>>> Vou ler agora o artigo que o João Marcos sugeriu, sobre
>> comportamentalismo versus cognitivismo, para ver se entendo o ponto.
>> >>>>
>> >>>> Segue o artigo da Tatiana Roque:
>> >>>>
>> >>>> -x-x-x-
>> >>>>
>> >>>> 'Hype da IA' não pode rebaixar o pensamento humano e bloquear debate
>> sobre a tecnologia
>> >>>>
>> >>>> Com avanço da IA, a capacidade de máquinas passa a definir o
>> significado da inteligência humana
>> >>>>
>> >>>> Fase de superexcitação com a tecnologia está de volta, mas a
>> história mostra que destino não é inexorável
>> >>>>
>> >>>> Tatiana Roque
>> >>>>
>> >>>> [RESUMO] Em reflexão sobre as raízes históricas da inteligência
>> artificial, autora retoma a previsão do matemático Alan Turing, que propôs
>> que o debate sobre o significado do pensamento humano seria esquecido no
>> final do século 20 com o fim dos questionamentos sobre a inteligência das
>> máquinas. Hoje, a falta de humildade epistêmica em um período de
>> desenvolvimento acelerado da tecnologia pode causar grandes catástrofes.
>> >>>>
>> >>>> ×
>> >>>>
>> >>>> Paris inteira correu para ver o flautista. Pessoas de todas as
>> idades tentavam achar um bom ângulo para assistir àquele espetáculo
>> inusitado.
>> >>>>
>> >>>> Na grande estreia daquela noite, o músico era um autômato. A máquina
>> havia sido construída pelo mecânico francês Jacques de Vaucanson e fazia
>> movimentos contidos em cima de um pedestal. Mais do que um suporte,
>> escondia-se ali o mecanismo engenhoso que dava vida ao flautista. O público
>> saiu encantado com a precisão da performance, que foi destaque nos jornais
>> daquele janeiro de 1738.
>> >>>>
>> >>>> Sempre fui fascinada por brinquedos de corda, feitos de metal, com
>> pintura delicada e colorida. Na minha estante de livros, tenho um
>> carrossel, um pintinho, um elefante, um pião e um humanoide, todos com
>> aquela aura retrô.
>> >>>>
>> >>>> Quando chego cansada do trabalho, costumo dar corda no pintinho para
>> vê-lo ciscar compulsivamente em cima da mesa, até o mecanismo se exaurir.
>> Já o carrossel toca Edith Piaf enquanto gira cavalos e demoiselles. Em
>> nenhum momento, esqueço que são engenhos mecânicos. Ao contrário, é isso
>> que têm de encantador.
>> >>>>
>> >>>> Até que ponto as máquinas podem imitar seres humanos? Essa pergunta
>> vem de longe. Ninguém achava, no século 18, que o flautista iria superar um
>> músico de carne e osso. Para isso, seria preciso reproduzir a
>> característica humana mais singular: a inteligência.
>> >>>>
>> >>>> Ao longo do século 19, foram muitas as tentativas de imitar essa
>> faculdade, especialmente com a invenção das primeiras máquinas de calcular,
>> propostas por Charles Babbage para substituir o trabalho mental. O avanço
>> da computação, durante a Segunda Guerra Mundial, tornou a questão mais
>> urgente ao fim do conflito.
>> >>>>
>> >>>> Em 1950, surgiu um teste para verificar se a inteligência dos
>> computadores pode se equiparar à humana. A proposta foi feita pelo
>> matemático Alan Turing, conhecido como um dos pais da computação, no artigo
>> "Máquinas de computação e inteligência". Apesar de celebrado como inventor
>> da "inteligência artificial", ele não usava esses termos.
>> >>>>
>> >>>> Sou historiadora da ciência e, nessa profissão, partimos da premissa
>> de que investigar a obra de um cientista exige recuperar as noções como por
>> ele empregadas, sem encaixá-las retrospectivamente nas denominações atuais.
>> Olhar o passado com os olhos do presente é anacronismo, vício a ser evitado
>> na prática da história. De fato, Turing queria saber se as máquinas podem
>> pensar, mas formulou a pergunta em termos peculiares, que podem passar
>> despercebidos aos olhares açodados de hoje.
>> >>>>
>> >>>> Antes de investigar se as máquinas podem pensar, seria preciso
>> responder à pergunta: o que caracteriza o pensamento humano? Mas essa
>> questão é difícil demais, e Turing faz um desvio:
>> >>>>
>> >>>> "Acredito que a pergunta original, 'as máquinas podem pensar?', é
>> insignificante demais para merecer discussão. No entanto, acredito que, no
>> final do século, o uso das palavras e a opinião geral das pessoas
>> instruídas terão mudado tanto que será possível falar de máquinas pensando
>> sem esperar ser contrariado."
>> >>>>
>> >>>> A previsão é espantosa, além de profética: a busca pelo significado
>> do que é pensar será esquecida até o final do século 20 e, só assim, será
>> possível falar de máquinas pensando sem ser contrariado. É exatamente o que
>> está acontecendo hoje. Não parece mais importar o que há de especial na
>> inteligência ou no pensamento ou até onde o ser humano pode levar o
>> exercício dessas faculdades. Basta saber como são percebidas em seu uso
>> mais comum. Chamamos esse fenômeno de demônio de Turing.
>> >>>>
>> >>>> A percepção é uma faculdade traiçoeira, contaminada por interesses.
>> E se estivermos enganados a cada vez que nossos sentidos nos fizerem crer
>> que observamos algo real? Esse é um dilema da filosofia desde a caverna de
>> Platão.
>> >>>>
>> >>>> A dificuldade se agrava com a pergunta de Descartes: e se estivermos
>> equivocados a cada vez que tivermos uma certeza? Um gênio maligno poderia
>> estar nos enganando, diz o filósofo francês. Mesmo verdades básicas e
>> aparentemente inquestionáveis, como as verdades matemáticas (2 + 3 = 5),
>> poderiam ser falsas e a certeza que experimentamos sobre elas talvez seja
>> obra do demônio.
>> >>>>
>> >>>> A hipótese do gênio maligno, o demônio de Descartes, é uma forma de
>> nos convencer sobre a necessidade de um método rigoroso para obter certezas.
>> >>>>
>> >>>> Turing não era filósofo. Preocupado com critérios práticos para
>> avaliar a performance dos computadores, propôs substituir a pergunta "as
>> máquinas podem pensar?" por um teste, chamado de jogo da imitação. Uma
>> máquina e uma pessoa humana devem responder a perguntas, posicionados de
>> forma que um júri, encarregado de avaliar as respostas, não consiga ver de
>> onde elas vieram. Se o júri errar, ou seja, se avaliar como humanas as
>> respostas fornecidas pela máquina, ela pode ser dita inteligente.
>> >>>>
>> >>>> Vejam a ironia: Turing não estava tentando desvendar os mistérios do
>> pensamento humano, apenas provar que isso não é necessário para dizer se
>> uma máquina se equipara a um ser humano na tarefa de responder a perguntas.
>> Diferente do flautista, que escondia seu maquinário dentro do pedestal, o
>> jogo da imitação requer um ser humano escondido. Rebatizado mais tarde de
>> teste de Turing, o desafio sugere que a máquina pode ser equiparada à
>> inteligência humana se conseguir iludir pessoas de carne e osso.
>> >>>>
>> >>>> A ideia de inteligência artificial surgiu um pouco depois, em 1956,
>> quando um professor do Dartmouth College, John McCarthy, convocou
>> pesquisadores de peso das áreas de computação, neurociências e cibernética
>> para uma conferência. Como estratégia para tornar o convite sedutor,
>> incluiu um termo chamativo na proposta: inteligência artificial.
>> >>>>
>> >>>> Tratava-se de um nome novo para os estudos sobre autômatos, mas não
>> só. O objetivo era avançar na conjectura de que qualquer característica da
>> inteligência pode ser descrita com tanta precisão que é possível treinar
>> uma máquina para simulá-la. Nessa época, o tipo predominante de
>> inteligência artificial era bem diferente da atual, mais influenciada pela
>> lógica do que pela estatística.
>> >>>>
>> >>>> Essa IA clássica costuma ser chamada de Gofai, um acrônimo para
>> "good old-fashioned AI" (digamos, a boa e velha IA). Dito de modo resumido,
>> a IA simbólica aprendia a partir de regras explícitas, ao contrário das
>> técnicas atuais, que se apoiam na enorme quantidade de dados disponíveis na
>> internet.
>> >>>>
>> >>>> Naquela época, já se falava em redes neurais, ideia que está na base
>> da IA de hoje. Mas apenas nos anos 1990, com o avanço do poder
>> computacional, ela passou a exibir resultados satisfatórios. As diferenças
>> entre a Gofai e as redes neurais são difíceis de explicar, mas o
>> contraponto ajuda a lembrar que não existe apenas um caminho.
>> >>>>
>> >>>> A história da IA é marcada por surtos periódicos de superexcitação
>> intercalados com os chamados invernos da IA, nos quais os limites se tornam
>> aparentes, o entusiasmo se esvai e o financiamento é cortado.
>> >>>>
>> >>>> Durante a década de 1960, abordagens simbólicas obtiveram sucesso na
>> simulação de comportamentos inteligentes em jogos, matemática simbólica ou
>> demonstração de teoremas. Depois, o investimento declinou. O ano de 1973
>> foi um marco, com publicações jogando um balde de água fria nos métodos
>> usados até ali e mudando o foco da pesquisa. O entusiasmo retornou, até que
>> as promessas não cumpridas culminaram em outra reação negativa na década de
>> 1980.
>> >>>>
>> >>>> Estaríamos retornando à fase de superexcitação? Será que ela vai
>> demorar? Parece que sim, mas o senso histórico ajuda a lembrar que não se
>> trata de um destino inexorável.
>> >>>>
>> >>>> Nossa definição de inteligência está mudando com o avanço da IA. É
>> normal que os conceitos mudem de sentido, mas precisamos estar atentos para
>> que essa mudança não acabe diminuindo o potencial da inteligência humana e
>> bloqueando um debate franco sobre os rumos da tecnologia.
>> >>>>
>> >>>> Na matemática, existe uma grande diferença entre resolver problemas
>> e formulá-los. Em geral, não se percebe isso, pois o ensino básico é
>> excessivamente focado em resolver problemas, como usar a fórmula de
>> resolução de equações do segundo grau, encontrar a soma dos termos de uma
>> progressão aritmética ou multiplicar matrizes. Um matemático profissional
>> não faz nada disso. Ele propõe novos problemas. Se forem bons, esses
>> problemas podem virar teoremas, motivar boas teses de doutorado ou ser
>> aplicados a outras áreas. Costumo dizer que os problemas são o motor da
>> matemática.
>> >>>>
>> >>>> Neste momento, grandes cientistas e empresários comemoram o sucesso
>> de uma ferramenta de IA na Olimpíada Internacional de Matemática. Os
>> entusiastas correm para dizer que estamos diante de uma inteligência
>> artificial comparável à dos humanos, já que a matemática é símbolo de
>> inteligência.
>> >>>>
>> >>>> De fato, a IA é uma ótima resolvedora de problemas, mas estamos
>> longe de vê-la inventar problemas consistentes, ofício de todo bom
>> cientista. À frente da empresa ligada ao Google que criou a ferramenta
>> vitoriosa nas olimpíadas, Demis Hassabis reconhece essa diferença entre
>> resolver e inventar problemas. Os grandes avanços da ciência dependem da
>> formulação de boas perguntas, não só das respostas certas.
>> >>>>
>> >>>> Luciano Floridi é um filósofo que tem refletido sobre as implicações
>> éticas da IA. Para ele, a inteligência artificial de hoje é uma dissociação
>> entre a resolução bem-sucedida de problemas e o comportamento inteligente.
>> Dissociação é uma palavra forte. Ela sugere que o comportamento inteligente
>> não está sendo mobilizado, em toda a sua amplitude, quando a IA executa as
>> tarefas necessárias para resolver problemas, pois estão ausentes a
>> consciência, a perspicácia, a sensibilidade, os insights, a experiência e a
>> sabedoria.
>> >>>>
>> >>>> Mesmo sem nenhuma dessas capacidades humanas, a IA fornece soluções
>> convincentes, mas graças às técnicas avançadas para processar enormes
>> quantidades de dados produzidos pelos seres humanos.
>> >>>>
>> >>>> O sucesso da IA depende de uma construção pouco explícita: foi
>> criado um ambiente favorável, no qual as tecnologias inteligentes se sentem
>> em casa. Vivemos agarrados a nossos celulares, os objetos da casa se tornam
>> smart, a TV e o fogão vêm com um assistente de bordo inteligente, os
>> veículos possuem chips e um GPS nos acompanha. Tudo isso deixa rastros em
>> dados e mais dados.
>> >>>>
>> >>>> Talvez o mundo esteja se adaptando à IA, e não o contrário, do mesmo
>> modo como nossas mãos adquirem a forma de um celular, nossas relações reais
>> refletem traços de nosso comportamento nas redes sociais e nosso cérebro
>> apodrece com o tempo gasto na internet, como descrito no chamado "brain
>> rot".
>> >>>>
>> >>>> O demônio de Turing é o gênio maligno que nos leva a avaliar nossa
>> própria inteligência a partir do que a máquina é capaz de fazer. Esse é um
>> risco invisível nas discussões sobre o futuro e o poder da IA. Uma
>> redefinição vai se firmando, sem que os termos estejam explícitos. Só então
>> "será possível falar de máquinas pensando sem esperar ser contrariado",
>> exatamente como Turing previu.
>> >>>>
>> >>>> As ideias vão se adequando aos ares do tempo de tal maneira que nem
>> sequer estranhamos quando um caminhão autônomo é considerado uma façanha da
>> inteligência artificial, mesmo que até há pouco tempo não achássemos que
>> dirigir fosse uma atividade inteligente.
>> >>>>
>> >>>> Os avanços dos próximos anos serão velozes e precisaremos de
>> critérios para avaliar se estamos realmente perto de uma inteligência
>> artificial equiparável à dos humanos. Pode ser útil examinar se ela sabe
>> inventar problemas tão bem quanto um bom matemático —e o mesmo vale para a
>> arte e outras áreas criativas, que dependem mais de perguntas consistentes
>> do que de respostas eficazes.
>> >>>>
>> >>>> Os debates sobre inteligência artificial são envolvidos por muito
>> hype. Isso atrapalha uma conversa franca sobre suas consequências, desde os
>> impactos no mundo do trabalho até o uso dos recursos naturais. Encantamento
>> e ocultamento são dois lados do mesmo demônio, distrações que terminam por
>> esvaziar nossa agência e desmobilizar a ação política necessária para
>> incidir nos rumos da IA. Não é uma tarefa fácil, mas a história nos lembra
>> que há técnicas diversas e algumas podem ser mais úteis do que outras se
>> fixarmos o bem comum como objetivo.
>> >>>>
>> >>>> "Não acredite no hype da IA" é o título de um artigo de Daron
>> Acemoglu, prêmio Nobel de Economia. Ele mostra, com riqueza de dados, que
>> os ganhos de produtividade, por enquanto, são modestos e a "automação pelo
>> prazer de automatizar" amplia as desigualdades sociais. Acemoglu é um dos
>> defensores mais eloquentes da ideia de que devemos direcionar o curso da
>> mudança tecnológica e não aceitar o caminho atual como inevitável.
>> >>>>
>> >>>> Húbris é um conceito de origem grega, comumente associado à soberba.
>> Os mitos antigos advertiam para o perigo de se superestimar a contribuição
>> humana diante de grandes conquistas. Quando obtêm sucesso importante em
>> algum feito, como vencer guerras ou inventar ferramentas poderosas, os
>> humanos correm o risco de subestimar o papel da fortuna e achar que tudo é
>> fruto de sua própria genialidade.
>> >>>>
>> >>>> Mais uma vez, o demônio está à espreita, só que o excesso de
>> confiança irrita os deuses. A sensação de invulnerabilidade e a falta de
>> humildade epistêmica que a húbris enseja podem despertar a ira dos deuses e
>> ocasionar grandes catástrofes. Precisamos evitá-las, e redirecionar o uso e
>> as prioridades no desenvolvimento da IA é parte dessa missão.
>> >>>>
>> >>>> ***
>> >>>>
>> >>>> Este texto é uma versão adaptada da introdução de "A Máquina e Nós:
>> Promessas e Armadilhas da Inteligência Artificial", que será publicado pela
>> Todavia em junho.
>> >>>>
>> >>>>
>> >>>>
>> >>>>
>> >>>>
>> >>>>
>> >>>>
>> >>>> Em quinta-feira, 21 de maio de 2026, Joao Marcos <[email protected]>
>> escreveu:
>> >>>>>
>> >>>>> Márcio Palmares escreveu:
>> >>>>> >
>> >>>>> > Seres humanos exteriorizam sua imaginação criando ferramentas,
>> máquinas, tecnologia.
>> >>>>> >
>> >>>>> > Agora, exteriorizamos nosso pensamento matemático, ou certas
>> porções dele. De um machado de pedra para uma máquina capaz de fazer
>> matemática... Podemos delegar à máquina a resolução de alguns problemas. E
>> ela pode se sair melhor do que nós em certos casos (do mesmo modo que uma
>> escavadeira se sai melhor do que um indivíduo com uma pá). Mas não se trata
>> de força bruta. Este caso mostra criatividade, engenhosidade:
>> exteriorização de faculdades humanas.
>> >>>>> >
>> >>>>> > Para um materialista no sentido filosófico, isso tudo é
>> surpreendente em um único sentido: somos matéria estelar que adquiriu vida
>> e consciência (Carl Sagan). Somos máquinas biológicas. Se fosse impossível
>> construir máquinas capazes de imitar certas faculdades humanas
>> (inteligência matemática), então nós não existiríamos.
>> >>>>>
>> >>>>> No que diz respeito ao advento das LLMs e a nossa reflexão acerca
>> das
>> >>>>> suas capacidades, lembrei-me deste artigo:
>> >>>>>
>> >>>>> Cognitivism prevents us from understanding artificial intelligence
>> >>>>> https://link.springer.com/article/10.1007/s00146-025-02583-5
>> >>>>>
>> >>>>> Será que é mesmo o caso de reavivarmos a chama do
>> comportamentalismo,
>> >>>>> em detrimento do cognitivismo?
>> >>>>>
>> >>>>>
>> >>>>> Gisele Dalva escreveu:
>> >>>>> > Nem tudo o que reluz é ouro, já diz a cantiga de capoeira, e dar
>> uns passos atrás antes de preconizar grandes e radicais mudanças em alguma
>> prática científica pode ser uma boa atitude.
>> >>>>>
>> >>>>> Eu não hesitaria em afirmar que as mudanças trazidas pelas LLMs à
>> >>>>> prática matemática são, com efeito, grandes e radicais.
>> >>>>>
>> >>>>> Querendo ou não, nunca mais voltaremos a fazer buscas da forma como
>> >>>>> fazíamos outrora.  E isso me faz recordar o clássico artigo
>> >>>>> "Intelligent machinery", escrito pelo patrono da "Filosofia da
>> >>>>> Inteligência", Alan Turing, no qual ele discute, entre outras tantas
>> >>>>> questões, "the idea that intellectual activity consists mainly of
>> >>>>> various kinds of search".  Pois a coisa está funcionando, e está,
>> sim,
>> >>>>> desmistificando um bom bocado a ideia romantizada acerca das
>> >>>>> capacidades que nos tornariam singularmente humanos --- capacidades
>> >>>>> estas, aliás, que muitos humanos parecem usar com bastante
>> parcimônia.
>> >>>>>
>> >>>>> []s, João Marcos
>> >>>>>
>> >>>>> --
>> >>>>> LOGICA-L
>> >>>>> Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área
>> de Lógica <[email protected]>
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>>  ========================
>>  Walter Carnielli
>> CLE and Department of Philosophy
>> University of Campinas –UNICAMP, Brazil
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>>  AI2- Advanced Institute for Artificial Intelligence
>> Blog https://waltercarnielli.com/
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LOGICA-L
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