Cavaleiro andante

Cefas Carvalho



Sou um cavaleiro andante. Por Deus que, com minha arma e meu escudo, honrarei o 
brasão de minha família e não perecerei nas mãos destes malditos que me 
perseguem! Se me escondo neste aposento escuro deste castelo amaldiçoado é 
porque os infiéis são em grande número e preciso permanecer vivo para defender 
meu rei e meu castelo. Os malditos querem me capturar e me submeter a 
incontáveis torturas. Ouço ruídos e percebo que os vilões estão atrás de mim. 
Preciso fugir deste calabouço e partir para minhas nobres epopéias, matando 
dragões e salvando donzelas. Sou um cavaleiro andante, repito, e com minha 
armadura e minhas armas, levo a justiça até os confins do Reino, com a benção 
do meu rei, imperador destas terras, e de Deus Nosso Senhor. Empunho minha 
espada sagrada e aguardo os ímpios adentrarem o aposento. Gritos de guerra e 
urros quase bestiais. Percebo que a legião de feiticeiros, todos de branco, 
começa a me cercar. Dois dos mandriões carregam consigo um pano mágico, com o 
qual querem me aprisionar. Outro feiticeiro tem entre os dedos a agulha do 
demônio... Não se aproximem de mim, seres infernais, afastem-se de um cavaleiro 
ungido pelo rei, larguem-me cães do inferno...

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- João, onde coloco essa vassoura?
- Lá no almoxarifado. Rapaz, hoje o homem estava brabo. Ele segurava a vassoura 
como se fosse uma espada...
- Esse aí está cada vez mais doido. Trabalhar em hospício é assim mesmo, meu 
caro...
- Mas com a injeção que tomou, vai dormir até amanhã. Ei, hoje tem jogo lá no 
caminho do bairro?
- Rapaz, acho que sim. Bater uma bola é bom depois de um dia desses. E o cara 
gritando que ia salvar princesas, hein?... 

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