A FLAUTA-VÉRTEBRA
A todas vocês, que eu amei e que eu amo, ícones guardados num coração-caverna, como quem num banquete ergue a taça e celebra, repleto de versos levanto meu crânio. Penso, mais de uma vez: seria melhor talvez pôr-me o ponto final de um balaço. Em todo caso eu hoje vou dar meu concerto de adeus. Memória! Convoca aos salões do cérebro um renque inumerável de amadas. Verte o riso de pupila em pupila, veste a noite de núpcias passadas. De corpo a corpo verta a alegria. esta noite ficará na História. Hoje executarei meus versos na flauta de minhas próprias vértebras. 1915 (Tradução: Haroldo de Campos e Boris Schnaiderman) ---------- Início da mensagem original ----------- De: [email protected] Para: [email protected] Cc: Data: Tue, 23 Sep 2008 11:39:27 -0300 Assunto: Re: [becodalama] poesia > Apenas para citar Glauco Matoso, de quem vi originais sabado passado em mãos > de um bom amigo dele e meu(não, não é esse o poema) > > A HORA DA POESIA SONETO 569 TRIPUDIADO - > Glauco Mattoso > > *Não há cena mais forte (ou humilhante) > que um pênis penetrando a boca esquiva > em barba emoldurada, antes altiva, > agora coagida ao coito. Diante* > > *dos lábios bigodudos é gigante > o membro do invasor! Não há saliva > capaz de umedecer uma lasciva > maçã que contra a língua se levante!* > > *A boca se deforma, se arredonda; > o rosto os traços crispa, os olhos cerra; > da barba escorre a baba, a náusea ronda* > > *o fundo da garganta, onde se enterra > a glande! E sem dar chance que responda, > gargalha orgasmo quem ganhou a guerra!* > > > 2008/9/23 Gilmar Leite > > > Preciosidade do poeta Cego Aderaldo em resposta a outro cantador. > > > > 'ANDEI PROCURANDO UM BESTA, > > QUE FOSSE UM BESTA CAPAZ > > E DE TANTO PROCURAR > > ENCONTREI ESSE RAPAZ, > > QUE NÃO SERVE PRA SER BESTA, > > PORQUE É BESTA DEMAIS' > > > > >
