*...Abracei Jesus daí vender o abaixo resenhado livro por 20% do preço
abaixo da livraria ou  trocar em algo do meu interesse de valor
correspondente.

Beat'Orf

Satã, uma biografia*
*Guga 
Schultze<http://www.digestivocultural.com/email/enviaremailpara.asp?secao=9&item=2058>
*
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O livro *Satã, uma
biografia*<http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2586240>(Globo,
2008, 388 págs.), de Henry Ansgar Kelly, é meio surpreendente, mas
não de uma maneira muito elogiosa. A surpresa principal está no fato de que
o autor leva o assunto a sério.

Há uma diferença entre fazer uma pesquisa séria, que é o ponto positivo
desse livro, e levar a sério o assunto dessa mesma pesquisa. O pesquisador
deve, necessariamente, ter uma noção clara da natureza da matéria sobre a
qual se dedicou tanto (o livro tem 385 páginas de uma catalogação de dados
exaustiva. Eu, pelo menos, considero isso uma dedicação infernal).

Alguém pode fazer um estudo em profundidade da história e da práxis da
alquimia medieval, por exemplo. Mas quando o pesquisador começa a acreditar
na Pedra Filosofal e faz com que você possa imaginar que ele está em casa
tentando transformar moedinhas de cobre em moedinhas de ouro, aquela
pesquisa talvez fique comprometida.

Kelly pesquisou a *Bíblia*, toda ela, atrás das pegadas do Dito-Cujo para
chegar à conclusão de que o capeta que todos conhecem, o chifrudo sinistro
ou bagunceiro, não é bem aquele que está lá, no livro *original*. Ou
aqueles, já que aparece sob nomes diferentes a ponto de sugerir entidades
diversas.

Segundo Kelly, o capeta bíblico é mais como uma espécie de advogado
(bastante apropriado isso) de Jeová. Mas o próprio Senhor não tem certeza se
ele está na folha de pagamentos e, se indagado a respeito, com certeza
desconversaria: "Pergunte pro Jó, fale com São Paulo, eles é quem sabem, sei
lá. Tô ocupadíssimo aqui com Moisés, tá me dando muito trabalho, agora não
posso responder, volte outra hora". O nome "satã", na *Bíblia*, é
freqüentemente usado como o antigo substantivo que realmente é, significando
"o adversário", ou "o inimigo" (e qualquer semelhança com um advogado pode
ser mera coincidência. Ou não).

Mas o que fica mesmo da leitura é a constatação da fantástica (porque
incrível) falta de bom senso, unidade ou simples coesão do texto bíblico. Se
por um lado a presença factual do Canhoto é rara e esparsa no calhamaço que
é a *Bíblia*, por outro lado ele garante sua presença demoníaca no suplício
que é tentar levar a sério um texto completamente maluco.

*Nota do Editor*
Leia também "Dos
Lobisomens<http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=900>
".

*Guga 
Schultze<http://www.digestivocultural.com/email/enviaremailpara.asp?secao=9&item=2058>
*

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