A esperança no verde
Quem vai salvar os gramados de nossa cidade?
Plantar e não cuidar deve ser imputado como crime hediondo!
As placas de gramas estão arquejando à míngua nos logradouros públicos.
Nos acessos da ponte Newton Navarro,
a passagem é de todos e grama deveria também ser.
Estão sufocadas pelo descaso,
das autoridades, alheias as suas responsabilidades, digo, obrigações.
Na praça de Mirassol (defronte ao colégio floca) recém inaugurada idem.
Na continuação da supra-citada,
na rua dos Gerânios o modus operandi foi mais escabroso.
Durante da tradicional feirinha de santo Afonso de Ligório, bastante concorrida
pelos políticos, principalmente em anos pares, digo: eleitorais,
eles orbitam ávidos entre fies, e claro, eleitores.
Pois bem, a prefeitura plantou tapetes de grama como tapia.
Depois da festa, pasmem, eles foram retirados e replantados
(imagino também temporariamente) sabe lá onde...
Contudo, tenho pia certeza que no orçamento
da edificação consta o valor da grama coringa.
O nosso dileto amigo, e agora vereador Raniere Barbosa,
ajardinou sua candidatura
colheu votos, mas, está esquecendo de regar
a confiança e sobrevivência da flora
que infelizmente não vota, padece desbotadas.
Aqui na nossa cidade, entre presépios e presepadas,
o prefeito no apagar (e acender) das luzes natalinas e governamentais
esquece e deixa ao leu o que também plantou.
Tragam-nos um pouco dágua temos sedes de água e justiça!
Depender de precipitações divinas ou o mito da natureza má?
Como na mitológica fundação dantasmanuelina
(o menino anunciador) da cidade:
E a cidade surgiu nesse mesmo dia.
Desencadearam-se, porém, as paixões indomáveis.
O ódio, a vingança, a cobiça, substituíram, a virtude, a paz e o amor;
o sangue derramado tingiu de rubro o solo virgem;
as árvores da floresta caíram feridas
de morte pelo fogo e o machado destruidores;
o homem deu caça ao homem.
E assim, a cidade sucumbiu.
Não são só os exemplos relatados,
por (quase) toda cidade poderíamos citar os vários descasos
com os vegetais, tão essenciais para o sobrevivência do planeta
nesse tempo (fim?) de efeito estufa antrópico.
Agora, lembra daquele dito popular
a grama do vizinho é sempre mais bonita?
Nos corredores da cidade do prazer,
inculcando o imaginário de balneário turístico
se inserindo no mundo globalizado via o vetor turismo
Eles têm carros, eles têm grana e a grama é bacana
Memorizem os canteiros da Roberto Freire, tudo verdíssimo,
de novo o mano Caetano: O verde é a cor mais verde que existe,
porém, nem em todos recantos persistem.
Abaixo o apartrade turístico!
A cidade para todos, em todas as matizes de cores.
De Micarla,
a simples esperança que salve o verde!
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