Entra e sai governo, a cultura é igual
''A cultura do Rio Grande do Norte ainda continua aquela coisinha, A pão
e água''. A declaração do sebista e editor Abimael Silva demonstra sua visão
sobre a atuação da administração passada com relação à cultura. Mesmo assim,
Abimael disse que a cidade teve alguns ganhos, como a profissionalização do
Auto do Natal, a concretização do Encontro Natalense de Escritores; algumas
produções da Fundação Capitania das Artes, como por exemplo os projetos
realizados no Teatro Sandoval Wanderley.
Por outro lado, Abimael afirmou que Natal perdeu em outros pontos, pois
segundo o sebista, ''lamentavelmente'', entra governo, sai governo e tudo
continua igual. ''Sempre dão muito cabimento ao que vem de fora e isso é uma
tradição de Natal desde o século retrasado. Quando acaba uma gestão, os que vêm
em seguida continuam empurrando com a barriga'', declarou.
Para Abimael, as leis de cultura são coisas ''absurdas'', que dificultam
as produções culturais da cidade. ''Tudo que se produz na cidade hoje, tem que
estar numa lei de cultura. Com mais um agravante, geralmente esse povo que se
aproveita da lei, faz projetos que poderiam ser feitos com R$ 10 mil, e quando
eles apresentam, custa R$ 60 mil. Isso é um saque ao dinheiro público'',
declarou.
Com relação às expectativas para a nova administração, o sebista declarou
não acreditar em nenhum político. ''Perdi todas as esperanças. Acho que todo
político quando assume um cargo desses já vem clonado, já vem com o vírus'',
disse Abimael. No entanto, mesmo com essa visão, o sebista declarou que não
pode ser tão desesperançoso e falou o que espera da próxima administração: ''Eu
acho que a prefeita deveria colocar pessoas competentes à frente dos cargos,
pessoas capacitadas. Desejo também que ela valorize a cultura do Rio Grande do
Norte com uma certa qualidade'', afirmou.
Para Abimael, os altos índices de violência urbana estão associados à
ausência de interesse pela cultura e pela ética. ''Hoje em dia a desonestidade
está em todas as esquinas, em quase todas as repartições, o que é uma coisa
lamentável. Eu acho que se a prefeita conseguir pessoas interessantes, com essa
noção, melhora um pouco. No entanto, Micarla sempre esteve à frente de uma TV e
não abriu espaço para a cultura. Durante sua campanha, também não lembro de ter
ouvido nenhuma proposta para esse setor. Vamos ver agora como será sua
administração'', concluiu.
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