Sergio Vilar com ótima matéria sobre Marcelus Bob no Poti 'de ontem' e como
não está online ainda eis o mesmo Sergio com ótima correspondencia de um
parente sobre Natal do passado.
Carnaval de memórias
 http://www.dnonline.com.br/ver_blog/6/
01.03.2009 11:39

e parente residente no Rio de muitos janeiros, que pediu anonimato devido à
“timidez patológica” e que me descobriu pelo blog, recebo uma penca de
e-mails cujos relatos rememoram uma Natal ainda inocente, de carnavais
verdadeiros, sem interferência autoritária política. E muito além das
informações familiares, há uma pesca de fatos e reminiscências da Natal
antiga, como a eleição da miss Redinha, relato sobre a folclórica personagem
Maria Mula Manca, preferências de Maria Boa e carnavais de outrora.

Este Vilar, hoje no Rio de Janeiro, teve um avô, Joel Villar, que perdeu um
braço em Canudos. Não sei se pelo lado dos homens de Antônio Conselheiro ou
da polícia do presidente. É parente mais próximo de Dom Alair Vilar, nosso
eterno arcebismo emérito - em sua gestão foi erguida a Catedral
Metropolitana. E assim sigo em descoberta de parentes de uma mesma árvore
genealógica distribuída entre este Rio Grande, a Paraíba de Ariano Suassuna
Vilar, e Pernambuco.

Transcrevo:

*De família*

Tio Jadir vivia de porre, aprontou todas na Redinha, na Amazônia, até no
Atol das Rocas, qualquer pescador dos anos 50 deve se lembrar dele. O irmão
dele, tio Jair (tio Pila), falecido, é pai de Thales Vilar, primo
'ligítimo', que trabalha na TN e se mudou pro clã dos Alves. Primo Eimar
veraneia na costa, outro, Gileno Vilar, pelo que sei, mora por aí. A querida
priminha Tânia é perua do soçaite. O falecido arcebispo emérito de Natal,
Sua Eminência Reverendíssima Dom Alair Vilar de Melo, era primo em primeiro
grau de minha recém-falecida mãe Ivanise Vilar, a qual também foi miss
Redinha lá pelos anos 40. Teve outro primo de mamãe, Manoel Vilar, médico
oftalmologosta, que, para orgulho da família, era o preferido de Maria Boa”.

*Do carnaval*

Carnaval sem lança-perfume, sem hífen nem porre, não é carnaval. O resto é
baianada de carnatal. Papai era do 'Balança Porém Não Cai', cujo estandarte
ostentava enorme cenoura mais dois chuchus, eu menino só achava graça sem
entender. Falei hoje com minha irmã galega Vera (povo galego, esses Vilar,
mas sou tapuia), ex-glamour girl de Jota Pifa: ela acrescenta que Zerôncio
também era do Balança, assim como Assis, médico muito do baixinho, terno de
brim branco, aliança permanente no dedo direito, noivo de moça icógnita,
morava no Grande Hotel de Teodorico Bezerra lá na Ribeira. Estive lá, gozei
andar de elevador uma vez naquela vida. Vera me lembrou das sextas-feiras
santas lá em casa na Manoel Machado, quando só se bebia vinho,
ordinaríssimo, padrinho Joaquim oficiando missa em latim, paramentado com
panos acadêmicos da ufrn, papai servindo de coroinha. No jejum do banquete,
goiamum e bacalhau, carne? Pecado. A casa foi demolida, virou clínica de
alguma porra de doença lucrativa, número 366.

Nada sei sobre carnaval na Redinha, nosso povo ia pro Aero Clube. Haja
frevo, cuba libre e porre de lança! A turma de papai freqüentava a
Confeitaria Delícia, tenho um livro de José Alexandre Garcia sobre ela. Pelo
que me lembro, o Balança circulava por Petrópolis, tinha gente como papai
(Paulo Pires, delegado do IAPI), padrinho Joaquim (Dr. Joaquim Luz, um dos
fundadores da UFRN), Maciel (Dr. Maciel, médico radiologista), tio Pila
(Jair Vilar, procurador, pai de Thales da TN), Newton Navarro provavelmente,
Vivi (Veríssimo de Melo, unha e carne com tio Pila) talvez, e outros
esculhambados. Padrinho Joaquim era irmão de Padre Pedro (suspensíssimo de
ordens), adorava beber uísque e falar latim litúrgico de araque misturado
com palavras chulas latinizadas, Pax Domini sit semper Vobiscum, et cum
Spiritu Tuo.

Já eu, meio cdf, nunca me convidaram pra bloco algum, muitos vizinhos da
Manoel Machado e colegas do Marista eram da Plebe ou do Jardim de Infância.
As meninas ficavam esperando nas casas 'assaltadas' pelos blocos.

*Da Redinha*

Voltando à Redinha, tinha matinê aos domingos no Redinha Clube, todo mundo
de pé descalço dançando boleros ao som do mesmo conjunto que tocava em Maria
Boa. Eu era virgem e não sabia dançar.

Vou querer ler seu livro. Uma família que sempre veraneou na Redinha são os
Leite, vizinhos de vovó na André de Albuquerque. Regina (parecidíssima com
Nossa Senhora de Fátima) e Sânia (com â), filhas de Dr. Zé Carlos Leite,
dentista que morreu com 100 anos, moram em Natal, devem saber um bocado
sobre a Redinha. Outro filho de Dr. Zé Carlos, José Carlos Leite Filho
(Carlito), é general reformado do exército, foi secretário de segurança de
um governo daí. *Meu velho amigo Robério Seabra é outro que sempre foi pra
Redinha, gente finíssima, muito chegado a memórias e mapas do RN no século
XVI. Robério fechou a casinha que ainda tem perto da capela de Nossa Senhora
dos Navegantes, virou casaca, agora vai pra Jacumã.*

*Observações*

p.s: Conheci Maria Mula Manca pessoalmente, grande mendiga de cajado e
anfitriã do não menos grande Grande Ponto. Não admitia ser chamada pela
alcunha, ou então, tome uma enxurrada de palavrões, portanto sempre havia
algum moleque a bradar: Mula Manca!!! Os senhores a tratavam respeitosa e
gentilmente por Maria.

p.s: Ganhei há tempos livro-dicionário de expressões populares do RN
dantanho. Fixei-me em aparar peidos, sinônimo de bajular. Desde então, só
chamo seu colega pluviométrico %...@$% &*...@# (permitam-me a cencura do nome
para evitar mais um desentendimento neste sensível meio jornalístico) de
aparador oficial dos peidos de Garibaldi.

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