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Jornal de WMPor Woden Madruga | Esta coluna é atualizada diariamente 
04/04/2009 
Reforma do nada Com mais de uma hora de atraso e com aquela cara de profeta que 
acaba de atravessar o Mar Vermelho, o secretário de Administração Roberto Lima 
anunciou na tarde de quinta-feira (ufa!) o Projeto de Reforma Administrativa da 
Prefeitura de Natal, uma das jóias da coroa da prefeita Micarla de Souza. 
Subida a cortina do palco improvisado, o secretário não anunciou nada. A 
pantomima ensaiada há 90 dias revelou apenas mudanças de siglas. Por exemplo: a 
atual Secretaria de Administração, Semad, ocupada pelo secretário R.L. passará 
a se chamar pomposamente de Secretaria Municipal de Gestão de Pessoas, 
Logística e Modernização Organizacional (SEGELM).

Não passa, como se vê, de masturbação de burocrata-tecnocrata.

Outro exemplo: a STTU, Secretaria de Transporte e Trânsito Urbano, vai 
desaparecer. Em seu lugar - viva! - irá surgir a Secretaria de Mobilidade 
Urbana, SEMOB. Não é fantástico? Acaba-se “trânsito urbano”, coisa vulgar, 
chata, pobre, peba.  Agora, os natalenses vão borboletear na “mobilidade 
urbana”, elegante, chique, féixam. Vai ser muito legal, a partir de agora, a 
gente enfrentar a “imobilidade urbana” da Hermes da Fonseca até chegar ao 
Miduei pela Salgado Filho.

E a Secretaria de Habitação como ficará? Solução fácil. Passa a ser Secretaria 
Municipal de Habitação, Regularização Fundiária e Projetos Estruturantes. Não 
é  bacana? Muito bacana.

Para cada uma dessas alterações, uma explicação do secretário. Adiante, Roberto 
Lima se encantou com uma pergunta da repórter Anna Ruth Dantas. Ela quis saber: 
“A reforma administrativa traz principalmente mudança de nomes?” Roberto Lima 
considerou uma “excelente pergunta”. E a partir daí estribou-se em sólidos e 
estruturantes conceitos filosóficos dignos de um Paulo Coelho ou de outro 
gênio  do gênero para responder, sem se desfazer de   certo ar místico 
estampando em seu rosto,  muito natural em pessoas que professam a “filosofia 
de gestão”:

- Muda é o modo de pensar. O modo de pensar determina o modo de agir. A gente 
tem que pensar, sentir e agir. Isso mostra como as pessoas determinadas e 
sensíveis alcançam resultados nas suas organizações. As organizações devem 
pensar em uma nova concepção. Isso vai refletir também nos relacionamentos de 
trabalho, no modelo de gestão. O importante é como fica o modelo de gestão.”

Foi fundo,  muito fundo,  o “mago” municipal.



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