--- Em qui, 16/4/09, Franklin Serrão <[email protected]> escreveu:


"tem mais, são três os lugares em Natal que vale a pena conhecer: 
O por do sol no bairro nordeste, o livro de Maurílo Eugênio e a geleria anjo 
azul  na prudente de morais ( aquela com a escultura de Jordão)"
 
 
Caro Serrão.
 
Você ultimamente tem curtido pacas com a minha cara, me gozando de tudo quanto 
é jeito, enxovalhando (de enxolval, é?) e o que diabo é enxoval?! - o meu nome, 
me acanalhando, me ironizando, mas eu nem te ligo.
 
O que quero dizer é que o Que papo é Esse? tá mais vivo do que nunca, meu 
bróder. Tás ligado? 
E vai ser lançado, sim - pergunte ao Venâncio Pinheiro, o Príncipe dos Artistas 
Polástigos Potiguares.
 
Um mui chegado meu, q foi "riponga" nos 70s parece que esqueceu essa condição, 
pois me censurou por, no livro, tratar os hippies por "malucos".
 
Pois aí está a "explicação" porque os "malucos" eram chamados malucos.
Curta. Sei que vc curte o meu livro, apesar de viver me esculhambando, como 
muita agente por aí...
 
 
QUE PAPO É ESSE?
(Página 85)
 
O termo “maluco” e seus derivados, “maluquês”, “malucada”...,  não foi Raul 
(Seixas) quem inventou; ele, certamente, o adotou e usou apropriadamente em sua 
canção Maluco Beleza; ele próprio um maluco na aparência, em sua arte, nas 
declarações públicas, no raciocínio ideológico, no sentido de contestar os 
valores falidos, fodidos; de questionar o sagrado e o profano. Foi um dos 
artistas que mais autenticamente simbolizou o Movimento. 
            O termo, dizíamos, foi a palavra com que os Ripes brasileiros se 
codinominaram entre si, e se disseminou no meio deles, passando a auto 
intitular-se “malucos”.     
            Os outros é que os chamavam de Ripes. Não eles a si próprios, 
tampouco uns aos outros. Agora, como o Nordeste é por demais rico de cultura 
popular, pitoresco, em muitas cidades do interior, notadamente as do Ceará, 
Piauí e Maranhão, os Ripes tinham a denominação de “andarinos”, a qual, 
suponhamos, é uma derivação de “andarilho”, terminologia esta, fartamente 
mencionada no cancioneiro dos poetas e romanceiros, tanto na literatura escrita 
quanto na oral, em todas as épocas.   
            Andarilhos eram os próprios apóstolos de Jesus.
 
            Pois bem, falávamos sobre o termo “maluco”. Acontece que maluco foi 
o que eles, “malandramente”, encontraram como forma de amainar um pouco a fúria 
homicida dos militares sobre os Ripes, em certo período ‘brabo’ [bárbaro, 
bravo?] da ditadura militar. A barra era tão pesada, a pressão tão esmagadora - 
eu mesmo fui preso dezoito vezes. Todos os presos políticos (ou quase todos) 
tiveram suas prisões, perdas materiais, tortura psicológica e física - eu nunca 
fui torturado fisicamente, é meu dever salientar - reparadas. Todavia, sofri 
tortura psicológica. Teríamos algum direito?
 
            Como dizia, a rapaziada, se autodenominando ‘malucos’, passava 
(para os “home”) uma idéia quixotesca/chapliniana de si próprios.  
            Assim ficavam, digamos, inferiorizados. Nesta perspectiva, seriam 
“uns malucos” e fim. E os “milicos” (militares fascistas) se sentiam, pois 
‘superiores’, enfim. Então, partiu-se para a “maluquês”. Daí: maluco-beleza. 
Foi uma ‘antiarma’; uma ‘sacação’ genial, natural, visceral, lúdica.      
 
            Mas não os deixaram em paz.        
            Existiam incontáveis delegados de polícia em cidades do interior e 
também nas capitais, que queriam ‘mostrar serviço’ aos militares por motivo de 
promoções e/ou regalias; aí, os Ripes eram ‘prato cheio’, já que era um regime 
de exceção e os direitos humanos, e a liberdade individual tinham, 
simplesmente, ido para as “cucuias”. Detinham-nos pelo que é oficializado como 
‘vadiagem’. Aí, ficávamos um dia - às vezes alguns dias - em cana. Depois eles 
viam que não era nada daquilo que pensavam que a gente fosse. Então 
soltavam-nos, não antes sem alguns conselhos, alguma admoestação. Muitas vezes, 
ameaças de porrada mesmo.   
            Comigo não aconteceu, mas muitos camaradas chegaram a apanhar. 
Tinham as cabeças raspadas. . .
            Em algumas cidades do interior eram detidos pela polícia quando 
portavam drogas, na quase totalidade dos casos, maconha. Porque um verdadeiro 
Ripe não gostava de cocaína ou outra droga química no sentido de “fissura”; não 
a comprava, não a procurava. Experimentava-a quando, em alguma oportunidade, 
ela pintava espontaneamente. Quando alguém, circunstancialmente, em um 
ambiente, em uma festa, em um evento, a apresentava. Quando ‘pintava’, em suma. 
A maconha era considerada uma erva natural, uma planta que provocava êxtase e 
relaxamento; ficava-se mais próximo da natureza; ficava-se em resumo, ao 
natural.  
            Talvez o efeito da canábis (ou das drogas “naturais“ em geral), a 
sua “lombra”, o seu barato, nada mais seja do que uma referência no 
inconsciente do homem que remonta ao mito do paraíso perdido. De como o homem 
era, em sua essência, concêntrico, dono de uma alma pura, sem egocentrismo, 
pois algumas drogas – é cientificamente comprovado - extravasam incursões ao 
próprio interior, exacerbam a capacidade de amar, intensificam uma espécie de 
clarividência interior, chegando até mesmo a produzir mirações de espíritos...
            É o caso das drogas alucinógenas. Essas tinham uma conotação quase 
divina. Eram degraus, portas para a espiritualidade, para o transcendental. 
Usadas em momento especiais e ritualísticos. Muitos são os exemplos acontecidos 
na estrada com malucos que não estavam devidamente preparados, por exemplo, 
para o chá do Cogumelo do Boi Zebu, e faziam verdadeiras “bad trips”, ou seja, 
más viagens, que a gente chamava, em nosso “nordestinês” de “viajem tronxa”, o 
que era, simplesmente, horrível. O chá e o LSD foram as drogas alucinógenas 
mais usadas pelos malucos, ambas a possuir o princípio ativo cientificamente 
chamado psilocybin. A diferença é que o Ácido é químico, o cogumelo, natura.
            Veremos ao final destes escritos mais detalhes  sobre o assunto. 
            Eu, particularmente, tive uma experiência fascinante sob o efeito 
do cogumelo, consumido assim, ao natural, no campo, ocasião em que conversei 
com um pé de jenipapo (!?!). 
       Quem conhece um “jenipapeiro” sabe que o mesmo tem o tronco todo 
manchado e essas manchas têm muitas vezes formas definidas. Pois o pé de 
jenipapo em questão, o que estava diante de mim durante a “viagem”  adquiriu 
como que um rosto humano e falou comigo. 
(. . .) Não, não foi uma alucinação, vocês devem estar pensando (. . .) Está 
bem, foi uma alucinação, sim. Mas uma alucinação real. Só sei que a árvore me 
disse coisas que até hoje me servem de lição. E isso há mais de 30 anos.   Era 
a voz do meu inconsciente. 
            Esse acontecimento estará resenhado em uma seqüência no livro 
Memórias da Estrada (e Outras Memórias), relato já quase totalmente escrito e 
que contará minha experiência pessoal como um hippie.

--- Em qui, 16/4/09, Franklin Serrão <[email protected]> escreveu:














Os artista de Natal, equivocadamente, costumam pensar que estão em Nova Yorque. 
Na cabecinha aerea dos artistas natalenses (leia-se 100%, artistas plásticos) é 
Natal quem dita os novos rumos, tendências da cultura mundial. A UFRN criou o 
termo "artes visuais". No mundo todo o termo arte visual é um sub da arte tipo: 
escultura, pintura, artes plásticas, artesanto, arte visual, arte barroca, 
pintura clássica, etc.... . em Natal o termo explica tudo, é absoluto e 
onipresente. Pois bem, o salão de arte da FUNCARTE é o farol das novas 
tendências mundias. Londres copia Natal, Paris, o que seria de Paris sem Natal. 
Os artistas natalenses (só os melhores) andam na rua com a certeza de que seus 
conceitos viajam o mundo.  
Não se admite outro tipo de arte em Natal. tem que ser de vanguarda. Ainda que 
seja uma vanguarda patrocinada pela prefeitura, tem que ser de vanguarda.  O 
músico que tocar com o caderninho do lado, tá por fora. é peba. também, uma 
cidade com uma importância cultura como Natal, tem que ser abusada. 
 
A moda agora é lista, segue a minha: os 5 melhores de Natal:
 
músico: manu de olinda
violonista: toni semente
poeta: osmam felikman 
humorista: assis (motorista de fátima)
produtor cultura: zezo dos teclados
 
 
tem mais, são três os lugares em Natal que vale a pena conhecer: 
O por do sol no bairro nordeste, o livro de Maurílo Eugênio e a geleria anjo 
azul  na prudente de morais ( aquela com a escultura de Jordão)
 
serrão, muito doido.




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