--- Em dom, 3/5/09, Eduardo Alexandre <[email protected]> escreveu:


De: Eduardo Alexandre <[email protected]>
Assunto: [ALDEIA POTI] Baldrame
Para: "Aldeia Poti" <[email protected]>
Data: Domingo, 3 de Maio de 2009, 8:57








Para não falarem que eu não falei no Pavarotti 
Edgar Allan Pôla


Na sinuca de pano verde desbotado, o velho Helmut põe a bola branca mais uma 
vez na cassapa. Esbraveja, bate o taco contra a mesa e solta um palavrão 
impublicável. A gargalhada é geral. Jottoh Desmoulin toma-lhe o taco e anuncia 
a sentença dos derrotados: perdeu, sai! Coisas de quem sabe. Doutor Aírton abre 
outra cerveja para o capitão Dennis Touran, enquanto Leninha reclama da quinta 
saideira chegada à mesa. Satisfeita, Sandra Shirley toma a oitava Brahma paga 
pelo apaixonado e inebriado Volontê, que sonha possibilidades.
O escultor Jordão barganha com Paulinho pagamento para a conclusão do pórtico 
central de entrada do bar. Toma outra e comenta a frescuragem das meninas em 
festa - Gardênia a comandá-las. Ramos anuncia show de Carlinhos Bem no seu bem 
cuidado espaço cultural, o Balalaika, também de Antônio Carlos, do Sinte, em 
conversa com o homem da CUT, Zizinho, que, rápido, toma rumo do Bar do 
Pedrinho, em frente, à cata de um fígado acebolado. O professor Bira, 
concentrado no tabuleiro de xadrez, ensaia um mate no já quase grogue Cornélio 
Neto. Pedro Pereira diz preferir as damas e sai para uma conversa com Liége, 
empolgada com a apresentação do General Junkie, de Paulo e trupe.
A calçada em frente ao Meia Meia Quatro está apinhada de punks tatuados, todos 
proclamando liberdades e vida de amor e paz. Ao som de Janis Joplin, Help 
comanda a pista de dança num Cry, Baby, Cry. João Gothardo, cheio de poeira do 
Instituto Histórico e Geográfico, de Enélio Petrovich, conta suas descobertas 
do dia, enquanto Harrison Gurgel declama sua modernidade para Giovanna Pê. 
Tadeu Litoral, tateando entre as mesas, procura os óculos deixados não se sabe 
onde. Luzia pede um guaraná. Luciano de Almeida, um Macieira. Mathias circula 
no pedaço.
O movimento é crescente. Dorian Lima traz notícias do Profinc e da Capitania: 
Marise Castro, Rose Aimée, Rejane Cardoso, Carlos Furtado, Cínthia Lopes. Assis 
Marinho conta a Marcellus Bob como foi a queda de moto sofrida em não 
programada ida ao Seridó. Marcelo Fernandes tenta vender a um circunstante 
cartões de natal. Com uma pasta quase maior do que ele, Aires Marques adentra o 
recinto a procura de Dunga. Senta, pede a Clésia uma Antarctica e diz que vai 
ligar para a capeta Gigliola, a sua espera, na sempre atuante Babilônia. Sylvia 
dá mais um amasso em Fábio do PT e não muda de conversa: só tem ela pra mudar. 
É Fátima, Mineiro, Hugo, Juliano, não quer nem saber se a campanha já terminou. 
Moisés de Lima passa ao largo; traz notícias dos italianos Cacá, Fon, Lola e 
Carlinhos Moreno. Cida Lobo pinta no pedaço. Traz consigo, em animado papo 
canino, Raul da Alcatéia Maldita e Edinho da Banda Matilha. Catarina está 
arredia. Civone
 radiante com perspectivas teatrais.
Nino chega e puxa conversa com o velho Mossa pendurado em Andréa. Berg abraça 
mais uma e dá notícias de Caicó: finalmente Laia esqueceu amores antigos e 
namora desajuizadamente, dando o que falar na cidade. Na mesa ao lado, como se 
o assunto não interessasse, o careca e rechonchudo André Pereira escuta atento 
a conversa. No balcão de tamboretes altos, os fotógrafos Marcus Ottoni, João 
Maria Alves e Ivanísio Ramos trocam figurinhas sobre personagens da cena 
política e gargalham atropelos. João da Rua chega com conversas de festivais 
paraibanos de artes, traz notícias de Jommard Muniz de Brito - Natal é a 
Londres nordestina - e atrai a atenção de Ojuara, João Barra e Guaraci Gabriel, 
numa mesa onde também estão Astral, Hermano Figueiredo, Venâncio Pinheiro e 
Antônio Ronaldo conversando sobre saudosos Festivais do Forte.
Notícias de Plínio Sanderson? "Nenhuma. Parece mesmo que ganhou o prêmio dos 
sumidos. Ele, Moura Neto, Rose Marie, Carlos Gurgel, Analba Brazão e Carlos de 
Souza", comenta o poeta Alberon, numa roda onde se encontram Henrique José, 
Roberto Monte e Mosquito, do PCdoB, em conversas de direitos humanos, Sérgio 
Dieb, Chico Miséria e impunidade em pauta. De Miami, vem o cartão: Maurílio 
Eugênio está chegando com novidades "e Cristina Jácome à tiracolo", dizem os 
maledicentes. Escorado à parede, vendo a apresentação d`Os Quatro em companhia 
do esquerdista de esquerda wilmista Osório Almeida, Racine Santos fala do seu 
Auto de Natal a ser encenado quando da inauguração do Largo da Rua Chile 
(registre-se: luta de Haroldo Maranhão).
Falves Silva - é de Leide - traz o panamá na cabeça e diz que Jota Medeiros já 
não é mais o mesmo: "deu até pra fazer poesia linear..." Olguinha sorri e sai, 
feliz da vida, acompanhada pelos poetas Bianor Paulino e Paulo Jorge Dumaresc. 
Vão tomar uma no Nazareno. Com o Jornalzinho do Sebo Vermelho homenageando 
Myrian Coely debaixo do braço, Abimael Silva chega com o também sebista Ricardo 
e já entra procurando a sinuca. Com certeza, vai dançar a cada tacada 
desferida. Trejeitos a acompanhar trajetórias que buscam cassapas desvairadas. 
Nas paredes, a mensagem: sorria, você também é poesia. Ou outra: ser - 
inevitável razão da existência. Ambas, remanescentes do Dia da Poesia próximo 
passado.
O mural ontem pintado a carvão por Helmut já desbotou com a neblina caída a 
noite. Todos os demais afrescos já sofreram a erosão de parede de reboco antigo 
e pobre. É noite e, à noite, todos os gajos são parcos. "Às 22:40 horas, 
Eduardo Alexandre deve chegar", anuncia esperançoso Jottoh, sonhando com noite 
acervejada. O Meia Meia Quatro é osso ou isso: a própria etilicidade espelhada 
no estacionamento da tarde calorenta e interminável dos abismos profundos das 
trevas da noite. Todos são pardos, falam coisa com coisa e tomam o caldo da 
casa, iguaria única do vasto cardápio. Da Escola Sebastião Fernandes, vêm, além 
das Rainhas, os professores Paulo Moraes, Soares, Francisco de Souza, o negão 
da Refesa Zé Fernandes e Toinho Couto. Falam as últimas do "Sebastian News" e 
avaliam o desempenho do sindicato.
Numa mesa isolada, um solitário menestrel canta "Praieira dos Meus Amores". 
Ninguém ali conhece o Pavarotti, mas, com certeza, Francinha o ama. É a Sharon 
Stone do Jacumã.

Natal, dezembro de 1996


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