BRAHMA
Ralph Waldo Emerson (1º de Maio e Outros Poemas)
(1803-1882)
Versão em Português por Francisco Evangelista
 
Se o matador enfurecido pensa que mata,
se o morto pensa que está morto,
Eles não conhecem os ocultos caminhos,
Eu permaneço, eu passo e torno a voltar...
 
Longe ou esquecido, para mim é próximo;
Sombra e luz são a mesma coisa;
Os deuses vencidos me aparecem;
E para mim são motivo de vergonha e glória.
Eles julgam mal quem me ignora;
Quando eles voam eu sou suas asas;
Eu sou o cético e a dúvida,
Eu sou o mantra que o Brahmin canta.
Os deuses potentes anelam por minha permanência,
E anelam em vão os Sete sagrados;
Mas tu, humilde amante do Bem!
Encontre-me e vire suas costas ao céu.
 
Boa Noite Anigos,
 
Carnaval é úma ótima ocasião para se ler poesia trnscendental.
 
Hoje, escolhi uma alma boa que me foi apresentada pela professora de Literatura 
Americana, Eliane Berutti, nos bancos da faculdade de Letras da UERJ, há alguns 
anos atrás.
 
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Brahma, é o primeiro deus da Trimurti, a trindadedivina do hinduísmo, que forma 
junto com Vishnu e Shiva.
Brahma é considerado pelos hindus a representação da força criadora ativa no 
universo.
A visão de universo pelos hindus é cíclica. Depois que um universo é destruído 
por Shiva, Vishnuse encontra dormindo e flutuando no oceano dé águas 
primordiais. Quando o próximo universo está para ser criado, Brahma aparece 
montado numa flor de lótus, que brotou do umbigode Vishnu e recria todo o 
universo.
Depois que Brahma cria o universo, ele permanece em existência por um dia de 
Brahma, ou ciclo manvantárico, que vem a ser aproximadamente 4.320.000.000 anos 
em termos de calendário hindu. Quando Brahma vai dormir, após o fim do dia, o 
mundo e tudo que nele existe é consumido pelo fogo, quando ele acorda de novo, 
ele recria toda a criação, e assim sucessivamente, até que se completem 100 
anos de Brahma. Quando esse dia chegar, Brahma vai deixar de existir, e todos 
os outros deuses e todo o universo vão ser dissolvidos de volta para seus 
elementos constituíntes.
Brahma é representado com quatro cabeças, mas originalmente, era representado 
com cinco. O ganho de cinco cabeças e a perda de uma é contado numa lenda muito 
interessante. De acordo com os mitos, ele possuía apenas uma cabeça. Depois de 
cortar uma parte do seu próprio corpo, Brahma criou dela uma mulher, chamada 
Satrupa, também chamada de Sarasvati. Quando Brahma viu sua criação, ele logo 
se apaixonou por ela, e já não conseguia tirar os olhos da beleza de Satrupa.
Naturalmente, Satrupa ficou envergonhada e tentava se esquivar dos olhares de 
Brahma movendo-se para todos os lados. Para poder vê-la onde quer que fosse, 
Brahma criou mais três cabeças, uma à esquerda, outra à direita e outra logo 
atrás da original. Então Satrupa voou até o alto do céu, fazendo com que Brahma 
criasse uma quinta cabeça olhando para cima, foi assim que Brahma veio a ter 
cinco cabeças. Da união de Brahma e Satrupa, nasceu Suayambhuva Manu, o pai de 
todos os humanos.
Nas escrituras, é mencionado que a quinta cabeça foi eliminada por Shiva.  
Brahma falara desrespeitosamente de Shivaque abriu seu "terceiro olho" ("olho 
de Shiva", "olho espiritual" ou o "olho único" de que fala Jesus na Bíblia)" e 
queimou a quinta cabeça de Brahma.Ralph Waldo Emerson nasceu em 25 de maio de 
1803 em  Boston e faleceu em  - 27 de abril de 1882 em  Concord,  
Massachusetts.  foi um famoso escritor, filósofo e poeta norte-americano.
Emerson fez seus estudos em Harvard para se tornar, como seu pai, ministro 
religioso. Foi pastor em Boston mas interrompeu essa atividade por divergências 
doutrinais sobre a eucaristia.
Em 1833 viaja pela Europa e encontra Mill, Coleridge, Wordsworth e Carlyle, 
cultivando uma profunda amizade com este último.
De volta aos Estados Unidos, começou a desenvolver sua filosofia 
"transcendentalista", exposta em obras como Natureza, Solidão, Ensaios e 
Sociedade .
O transcendentalismo é, para Emerson, um esforço de introspecção metódica para 
se chegar além do "eu" superficial ao "Eu" profundo, o espírito universal comum 
a toda a espécie humana.
O clube transcendentalista de Concord, ao qual pertenciam entre outros Thoreau 
e Margareth Füller, e cujo órgão oficial era a revista The Dial, exercia grande 
influência sobre a vida intelectual americana do século XIX.
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Para quem conhece o Bhagavad-Gita, não achará qualquer estranheza nesse poema 
de Emerson, pois, ele nos faz lembrar nesses  sintéticos versos os ensinamentos 
que Bhagavan Krishna  expõe a Arjuna.
A primeira estrofe fala da vã ilusão de nosso ego que pensa que age. O escritor 
da peça é Ele, a peça é Ele, o ator é Ele, quem dirige é Ele, o espectador é 
Ele, o teatro é d'Ele e também é Ele. Aqueles que  não pensam assim, "não 
conhecem os ocultos caminhos", isto é, não conhecem ainda os "mistérios" 
de Deus (Brahma).
"Eu permaneço, eu passo e torno a voltar..."
 Aquipodemos ter duas visões: a primeira, é a impermanência dos universos 
físicos, que passam pelos ciclos de manutenção (permaneço), são destruidos 
(passo) e de novo recriados (torno a voltar). Sem forçar muito, podemos pensar 
que  Emerson pode está se referindo também às Encarnações (da Divindade), como 
está na Gita, "Sempre que a religião (o Dharma, a Retidão)  declina e a 
irreligião (o adharma, a corrupção, a falta de valores humanos) cresce, eu 
renasço entre os homens para ajudar os bons e punir os maus".
 
A última estrofe é lapidar e daria uma enciclopédia de comentários. Há um plano 
na Natureza, um Dharma, e não adianta nossas pretensões contrárias, nada mudará 
o curso dos eventos. "Passarão os céus e a terra, mas minhas palavras não 
passarão" (Jesus).
 
"E anelam em vão os Sete sagrados"
 
Já sabemos que o 7 é um número cabalístico e está presente em todo os 
Universos, pelo menos nos próximos ao nosso  sistema solar. São sete as notas 
musicais, 7 dias para a criação do Mundo, 7 são os dias da semana, 7 foram as 
quedas de Jesus a caminho do Gólgota, 7 são as Divindades que comandam a 
Natureza, 7 são as cabeças da Hidra de Lerna, o candelabro de 7 braços, os 7 
castiçais de ouro, as fases dos 7 anos, as 7 lâmpadas de fogo, O livro dos 7 
selos, os 7 palmos das sepulturas, as 7 vacas, 7 espigas do sonho do Faraó, 
desvendado por José do Egito, as 7 taças (cheias de pragas) -- no Apocalipse 
XVI, os 7 contra Tebas, as 7 Trombetas do Apocalipse, os 7 candeeiros da 
Seicho-no-ie (ensinamento pensamento positivo - originario do Japão), as 7 
linhas de Orixá da Umbanda, as 7 Virtudes Cardeais da Ordem Maçônica (Demolay), 
pular 7 ondas logo após o reveillon, "perdoar setenta vezes sete vezes", etc., 
etc.  Mas minha
 intuição me faz acreditar que Emerson está se referindo aos sete (7) astros 
sagrados: o Sol, Lua,Mercúrio,Vênus,Marte,Júpiter e Saturno.
 
"Mas tu, humilde amante do Bem!
Encontre-me e vire suas costas ao céu."
 
Aqui o simbolismo é muito forte. "Bem-aventurados os humildes, pois deles é o 
reino dos céus;"  Ora,  para que céu se  encontramos Brahma (Deus)? Se nos 
realizamos n'Ele? Se "eu e o Pai somos Um", o que mais nos falta? Nada. Há aqui 
uma referência velada aos Bodhisatwas ou Budas de Compaixão (destes, para o 
Ocidente Jesus é um exemplo), que tendo conquistado o direito ao  Nirvana 
(Reino dos Céus), a ele renunciam e retornam à Terra pelo Bem da Humanidade. E 
se, simbolicamente, Brahma (Deus) tem quatro faces (ainda lembram da Merkavah, 
da visão de Ezequiel, alguma "semelhança"?) tem 4 faces, mesmo dando às costas 
ao céu, nós sempre  vamos está diante d'Ele.

Abs transcendentais,

FE                                                                                                 
 
 

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