Gilmar Leite.
 
Desculpe. Você tem razão. Eu estava brincando. Sou teu apreciador.
 
M






2009/5/4 Gilmar Leite <poetagilmar@ gmail.com>

Caro colega,
em primeiro lugar, poesia não é instrumento de comparação; objeto que precisa 
de pódio para se fazer e ser verdade ou não. Poesia é para tocar a 
sensibilidade; despertar a alma, transcender o espírito, e porque não, causar 
uma explosão metafísica do Ser. Portanto, ela não precisa de pódios, mas sim, 
de sensibilidade, coisa que pouca gente tem.
Em se tratando de soneto, quando o poeta se dispõe a escrever sobre tal estilo 
poético, TEM SIM, que ter competência em escrever obedecendo ao estilo em 
termos de métrica e rima. Se não tem, é melhor escrever de forma livre, que 
também é uma bela maneira de expor a alma através das palavras. O soneto tem 
que ter ritmo e sonoridade. Todas os estilos em todas as artes devem ser 
respeitados e usados com competência; ou então não se usa nenhum e faz da 
maneira que quiser, que não irá diminuir nem aumentar o valor ou a grandeza da 
poesia.
   Os sonetos abaixos em termos poéticos, não são maiores nem menores do que os 
dos poetas citados     por    você, inclusive eu, entretanto, estão todos 
desmetrificados, roubando a beleza dos ritmos e a sonoridade das palavras 
tônicas. Soneto quer dizer pequeno som(canção), feito em quatorze versos 
rimados e metrificados. Se alguém acha que isso castra a liberdade de criação, 
eu já fiz vários sonetos de improviso, sem uso de papel ou o micro, apenas 
glosando-o, e em todos eles estão presente a essência poética, a rima e a 
métrica. Portanto, sua relexão, crítica ou seja lá o que for, é vazia e evaziva.


2009/4/25 Maurílio Eugênio <mseugenio2007@ yahoo.com. br> 





Alex Grujé. 
Meu saudar (como dizia o poeta psicótico).
 
Posso até concordar que o poeta Gilmar Leite é sonetista razoável, no entanto 
está muitovery, very far away de se comparar ao poeta Rios Brás Cubas que 
também é sonetista. 
E dos bons!
 
Curta-os (são três, da série Sonetos Tronxos) e me diga aí se uma Auta de 
Souza, um Esmeraldo Siqueira ou um Antoniel Campos sequer amarra as chuteiras 
desse assombroso bardo.
 
  
  
  
  
À  H O R A 
  
(Dos Sonetos Tronxos Nº 1) 
  
  
A melhor hora é a hora de dormir 
Quando o espírito (já) mais aquietado 
À noite profunda e total quer dormir 
(o corpo descansa de um dia agitado) 
  
Faz frio lá fora. Mas aqui sob os lençóis de lã 
Sobe ao rosto um calor e, ao porvir, pássaros ao sol, motores a bulir 
Cantam com entusiasmo à manhã 
(farão outra vez dirimir a dor) 
  
Durmamos, pois. Será melhor afinal 
Sonhemos um despertar menos concreto 
Uma realidade menos fatal. 
  
  
Durmamos amor, o sono sem fim 
A não conclusão do nosso projeto, 
Sonhemos em fugir de todo o real, enfim. 
  
  
  
SONETO DE TI 
(Dos Sonetos Tronxos Nº2) 
  
  
  
Aconteceu alguma coisa ao teu olhar 
Como uma sombra que pesasse sobre si 
Ou tênue mancha que toldou o seu brilhar 
Alguma mágoa recolhida  em ti. 
  
Aconteceu alguma coisa a tua feição, 
Pois esse vinco que a enobrece 
Não existia quando sorrias com afeição. 
  
Aconteceu alguma coisa ao teu sorriso 
Com um esgar sutilmente se parece 
Ou ricto amargo em tua boca de rainha 
  
Quando existias, quando existíamos 
E eu nem ousava sonhar 
O quanto eras minha. 
  
  
  
  
  
  
SONETO PUTO 
(Dos Sonetos Tronxos nº 3) 
  
Sou o poeta da poesia ruim 
da poesia tronxa, infinitesimal 
meu poemas são monstrengos sim, 
são os queixumes que suspira o mal 
  
Sou o poeta da poesia puta, 
Da poesia que nem um bêbado recita, 
Meus poemas, que ninguém discuta 
São os que o conde Drácula dita 
  
Mas se por acaso estou dizendo asneira 
Escatologicamente o que afirmo agora 
É puro orgasmo que a verve labuta 
  
Assim falando e com voz maneira 
Peço que vocês todos vades s’imbora 
Se eu for o poeta da poesia puta!   
 
 
  
--- Em sáb, 18/4/09, Alex Gurgel <alex-gurgel@ oi.com.br> escreveu:

Gilmar,
 
Uma maravilha, essa soneto!
 
Foi direto para as páginas do Grande Ponto.
 
Alex

----- Original Message ----- 
From: Gilmar Leite 
Sent: Saturday, April 18, 2009 7:19 AM
Subject: [becodalama] Soneto

        Saudade Materna
 
 
Saudade de mamãe vertendo o riso,
Suave, como a brisa nas campinas;
Saudade das palavras cristalinas
Brotando do seu gesto tão preciso.
  
Saudade do seu doce paraíso 
Com flores de carícias bem divinas; 
Saudade do amor, como cortinas, 
Abrindo o coração sem um aviso. 
  
Saudade de assisti-la costurando, 
De vê-la num sorriso derramando, 
As lágrimas no rio da esperança. 
  
Saudade enfim, da minha mãe Rita, 
Da sua grandeza tão infinita, 
Tecendo com fulgor meu ser criança. 
  
                                           Gilmar Leite
 


 



 

 

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