'nequiço' video

2009/5/18 Franklin Serrão <[email protected]>

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>  24 DE MARÇO DE 2008 - 17h58 -
> http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=34665
> Filme aborda relação entre Wilson Simonal e regime militar
> Em 2002, o humorista Cláudio Manoel, da trupe Casseta & Planeta, começou a
> buscar patrocínio para um documentário sobre Wilson Simonal (1939-2000).
> Encontrou dois tipos de pessoas: as que não se interessavam, por desconhecer
> quem tinha sido Simonal, e as que diziam coisas como "não quero me meter
> nisso", "para que mexer nessa história?".
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>  *Ninguém Sabe o Duro que Dei*, filme de Manoel, Micael Langer e Calvito
> Leal que será lançado no festival É Tudo Verdade (no próximo sábado, no Rio,
> e nos dias 4 e 5 de abril no CineSesc, em São Paulo), é o primeiro olhar do
> cinema sobre esse homem que, como diz Nelson Motta no documentário, "virou
> um tabu, um leproso, um pária" na música brasileira.
>
> O degredo começou em agosto de 1971, quando sua popularidade como cantor só
> era superada (e não por muitos pontos) por Roberto Carlos. Suspeitando de
> que seu contador o roubava, ele mandou dar-lhe uma surra. O problema é que a
> surra foi dada por dois agentes do Dops (Departamento de Ordem Política e
> Social), serviço público cuja especialidade era torturar adversários da
> ditadura militar - e falsos adversários também.
>
> Um inspetor, Mário Borges, disse à imprensa que Simonal era informante do
> Dops - e a pecha de dedo-duro nunca mais se descolou dele, jogando-o num
> longo ostracismo. "Ele pagou uma pena dura demais, desproporcional para uma
> surra, porque sua condenação foi até o fim da vida. Para ele, não teve
> anistia", afirma Cláudio Manoel.
>
> Mas o documentário não é uma defesa de Simonal. Por um lado, até piora sua
> situação, pois os três diretores, empenhados em saber o máximo sobre o que
> aconteceu, contrataram um detetive para localizar Raphael Viviani - o
> contador que foi o pivô da história.
>
> No filme, Viviani diz que foi torturado com choques elétricos no Dops e só
> aceitou assinar uma confissão do roubo - que ele nega ter cometido - quando
> ameaçaram pegar sua família. Talvez a história tivesse terminado aí, não
> fosse sua mulher ter dado queixa do seu desaparecimento. O delegado resolveu
> investigar o caso, viu Viviani todo machucado e chegou ao nome de Simonal.
>
> *Ingenuidade *
>
> O cantor alegou ter recorrido ao Dops porque vinha recebendo ameaças
> terroristas e disse, talvez para impressionar, que tinha conhecidos na
> polícia política. Quando, mesmo sem provas, foi classificado como
> informante, ele se enrascou.
>
> "Ele foi infeliz no caminho que seguiu", afirma Viviani no filme. Por esse
> lado, o contador até ajuda a imagem de Simonal, pois reforça a idéia
> predominante no documentário: o cantor era um boquirroto ingênuo, sem
> consciência da gravidade da situação política de então - e morreu pela boca.
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>
> Pela surra que mandou dar, Simonal foi condenado em 1972 a cinco anos e
> quatro meses, que pôde cumprir em liberdade. Pela fama de dedo-duro, pagou
> enquanto esteve vivo - e depois também.
>
> Em 2003, após a família pedir uma investigação sobre o caso e diante do
> documento de 1999 da Secretaria Nacional de Direitos Humanos informando que
> não havia nenhuma prova de que Simonal tivesse servido à ditadura, a OAB
> (Ordem dos Advogados do Brasil) o reabilitou simbolicamente.
>
> "Ele dizia para mim: 'Eu não existo na história da música brasileira'",
> conta, no filme, Sandra Cerqueira, a segunda mulher de Simonal, que
> acompanhou sua amargura, seu alcoolismo e sua grande raiva - o documentário
> tem imagens dele em programas de TV clamando inocência.
>
> "Ele tinha uma atitude provocativa que não o ajudava a fazer amizades. Era
> metido a besta, um crioulo de sucesso que andava de carrão e comia as filhas
> dos brancos. Era um negro liberto", diz Manoel, tocando na questão racial,
> muito presente no longa.
>
> Boa parte do filme cobre o "antes da queda". Com depoimentos de Pelé,
> Miele, Chico Anysio e Tony Tornado, o documentário pode contribuir para que
> não sejam ditas frases como a ouvida por Cláudio Manoel de um frentista:
> "Pô, seu Casseta, vai fazer um filme sobre o cara que torturou o Caetano *
> (Veloso)*?"
>
> Simonal, ao fim, aparece ao lado do próprio Pelé - possivelmente o único
> negro mais famoso do que ele no Brasil da época -, fazendo comercial da
> Shell, cantando *The Shadow of Your Smile *com Sarah Vaughan, regendo o
> Maracanãzinho lotado e esbanjando malícia (ou pilantragem, como se dizia).
> "Pilantragem é o não-enchimento, o descompromisso com a inteligência", diz
> ele no filme, sem saber que a frase seria premonitória.
>
> *Repercussão*
>
> Max de Castro e seu irmão, o também músico Wilson Simoninha, assistiram a
> *Ninguém Sabe o Duro que Dei *e não pediram modificações no filme sobre o
> pai. Mas só porque não acham certo interferir em obra alheia.
>
> Segundo Max, pôr o depoimento do contador Raphael Viviani na parte final do
> documentário deixou a história "incompleta". O filho de Simonal sustenta:
> "Não há contra-argumentos depois. E a coisa não é tão simples como aparece
> no filme".
>
> Na opinião de Max, "não fica claro que houve ações anteriores *(à surra)*.
> Ele *(Simonal) *procurou saber o que estava acontecendo *(em relação ao
> roubo)*. Sabendo da origem humilde dele, do fato de não ter tido um pai,
> você consegue imaginar ser possível a atitude que ele tomou, ainda que nada
> justifique".
>
> Nascido em 1972, ano em que o pai foi condenado, Max ressalta que Simonal
> não era politizado - daí ter pensado que era um trunfo dizer que conhecia
> gente do Dops. "Ele tentou usar a malandragem e o jogo de cintura. Não
> percebeu o tamanho da encrenca em que estava entrando."
>
> Apesar das ressalvas e de ver o filme como "apenas uma introdução" à vida
> do pai, Max considera importante que se fale de Simonal. Ele acredita que é
> a juventude quem está reabilitando o cantor. "Pessoas que se deparam
> acidentalmente com a obra dele e não têm nenhum ranço ideológico querem
> saber quem foi esse artista. Os mais velhos, mesmo os que gostavam dele, não
> se sentiam à vontade", diz ele, contando receber com freqüência monografias
> de universitários sobre o pai.
>
> Da Redação, com infomrações da *Folha de S.Paulo*
>
> Redação <http://www.vermelho.org.br/[email protected]>
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