Por Jão Saraiva do Diário de Natal.
grana da pinga
A cultura da esmola15.05.2009 02:34
Dar esmola é uma tarefa difícil. Quantas vezes você não se deparou com o olhar
crítico de flanelinhas, raivosos diante de centavos? Na política cultural é a
mesma coisa. Mesmo quando ganham esmolas, os artistas reclamam. Cansados,
muitos acabam caixa de banco.
O Ministério da Cultura apresentou no último dia 23 de março suas propostas de
revisão da Lei Rouanet, a lei da esmola federal (eles gastam tudo em cachaça,
vai por mim)
O projeto foi alvo de enorme expectativa, mas não conseguiu mudar a lógica da
coisa: quem fizer o favor de apoiar a cultura, ganha desconto nos impostos.
Resultado: a empresa entra pra ter desconto e para promover sua marca. A marca
só é promovida quando a exposição é grande. A exposição só é grande em grandes
projetos.
De acordo com esta lógica, somente os grandes eventos culturais são
beneficiados, justamente aqueles que menos precisariam do recurso.
Com a lei Djalma Maranhão, a versão municipal, aconteceu uma coisa parecida.
Com a revisão do projeto divulgada ontem, a única mudança foi o fato de que
antes, a empresa caridosa teria de estar em dia com a prefeitura. Agora, pode
ser caloteira (esmola sai caro).
E assim, a única lei municipal de incentivo à cultura continua com uma
aberração em seu texto: o artista tem captar 40% dos recursos antes de começar
a produzir.
O que quero dizer com tudo isso é o seguinte: se a lógica do financiamento
cultural é trocar imposto por incentivo, se não tem outro jeito, que ao menos
seja feito direito.
É preciso repensar as tentativas de repensar a esmola. Antes que nossos
artistas virem bancários.
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