[image: Página
inicial]<http://www.canalcontemporaneo.art.br/index.php?idioma=br>

 <http://www.canalcontemporaneo.art.br/>           comunidade
<http://www.canalcontemporaneo.art.br/_v3/site/objetivosdacomunidade.php?idioma=br>
agenda <http://www.canalcontemporaneo.art.br/_v3/site/agenda.php?idioma=br>
e-nformes
<http://www.canalcontemporaneo.art.br/_v3/site/e-nformes.php?idioma=br>
arte&ação
<http://www.canalcontemporaneo.art.br/_v3/site/canalemacao.php?idioma=br>
portfolios
<http://www.canalcontemporaneo.art.br/_v3/site/portfolios.php?idioma=br>
livraria
<http://www.canalcontemporaneo.art.br/_v3/site/livrariadocanal.php?idioma=br>
sobre o canal
<http://www.canalcontemporaneo.art.br/_v3/site/sobreocanal.php?idioma=br>

*Bourriaud analisa artes plásticas sem temor nem preconceito*

*Matéria de Fabio Cypriano originalmente
publicada<http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1605200910.htm>na
Ilustrada no Jornal Folha de S. Paulo, em 16 de maio de 2009.

Crítica/"Estética Relacional" e "Pós-Produção"

Obras fundamentais sobre a produção contemporânea, no entanto, chegam
atrasadas ao país*

Finalmente, dois livros fundamentais sobre a produção contemporânea em artes
plásticas são publicados no Brasil: "Estética Relacional", de 1998, e
"Pós-Produção", de 2004, ambos do crítico e curador francês Nicolas
Bourriaud.

O primeiro, já um clássico, é dos poucos livros que olha a produção dos anos
90 sem preconceito, por alguém que acompanhou de perto toda uma geração,
especialmente como curador, e conseguiu traçar linhas comuns. No geral,
livros com tal ambição estão mais ocupados em detratar a arte contemporânea
em vez de compreendê-la.

Em 1998, Bourriaud partiu de um grupo de artistas, hoje quase todos estrelas
de grandes mostras ou bienais, como Dominique Gonzalez-Foerster, Pierre
Huyghe, Rirkrit Tiravanija e Maurizio Cattelan, e percebeu que, em todos, a
ideia de arte como um campo de trocas é comum. Com isso, o crítico francês
chegou à definição da estética relacional como "uma arte que toma como
horizonte teórico a esfera das relações humanas e seu contexto social mais
do que a afirmação de um espaço simbólico autônomo e privado".

Tal conceituação amparou-se ainda na produção de artistas que se tornaram
referência nos anos 90, como o cubano Felix Gonzalez-Torres, e os americanos
Gordon Matta-Clark e Dan Graham, entre outros.

Não à toa Bourriaud foi um dos conferencistas da 27ª Bienal de São Paulo,
"Como Viver Junto", de 2006, que exibiu vários dos artistas abordados em
"Estética Relacional". Centrada nas ideias de Hélio Oiticica, contudo, a
própria Bienal tornou clara uma das deficiências centrais da produção de
Bourriaud -seu total desconhecimento da obra de Oiticica, um precursor da
arte como estado de encontro, um dos pilares da estética relacional.

Já o livro "Pós-Produção", mais recente, continua o raciocínio de "Estética
Relacional" sob nova ótica. Enquanto no primeiro volume o foco está no
aspecto de convivência e interação da arte contemporânea, o segundo trata
das formas de saber que constituem essa produção, especialmente aquelas
vinculadas à estrutura em rede da internet, que geram um infinito campo de
pesquisa para os artistas.

Reorganizar elementos

Assim, as práticas contemporâneas não estariam mais preocupadas com a ideia
de original, singular, e sim em como reorganizar elementos já existentes,
dando a eles novos sentidos, o que, obviamente, tem uma relação forte com os
"ready-mades" de Marcel Duchamp, cuja "virtude primordial", segundo o autor,
é o estabelecimento de "uma equivalência entre escolher e fabricar, entre
consumir e produzir".

Esse procedimento pós-produtivo, então, seria a marca fundamental do
processo de produção contemporâneo. Essas ideias de Bourriaud, contudo, já
fazem parte da recente historiografia da arte contemporânea e influenciaram
a organização de várias mostras pelo mundo. Aqui elas chegam um tanto
atrasadas.

Tanto que, há duas semanas, o próprio Bourriaud encerrou sua curadoria na
Trienal da Tate, denominada
"Altermodern"<http://www.canalcontemporaneo.art.br/brasa/archives/002163.html>,
criando aí uma nova forma de pensar a produção contemporânea.

Não há dúvida de que Bourriaud é dos poucos que não têm medo de pensar a
arte hoje. A questão é que ele transforma sua reflexão na mesma velocidade
das estações de moda o que, afinal, é mesmo um sintoma desses tempos.

*ESTÉTICA RELACIONAL e PÓS-PRODUÇÃO*
Autor: Nicolas Bourriaud
Tradução: Denise Bottmann
Editora: Martins
Quanto: R$ 25,50 ("Estética Relacional", 152 págs.) e R$ 19,80
("Pós-Produção", 112 págs.)
Avaliação: ótimo (ambos)

Responder a