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*2ª**, 25 de Maio de 2009 - ISSN 00331983*

O fogo amigo na crise política
gaúcha<http://www.estrategiaeanalise.com.br/ler02.php?idsecao=e8f5052b88f4fae04d7907bf58ac7778&&idtitulo=65644bf1b56ff3df3801583f004f7587>

Bruno Lima Rocha, do Rio Grande de São Sepé

O Rio Grande arde sob a crise política do atual governo. Um dos fatores da
crise remonta ao que Graham Greene, um dos autores clássicos da literatura
de espionagem, classifica como “fator humano”. É quando as motivações
individuais transcendem os processos onde estes atores políticos estão
inseridos. Na luta entre Yeda Crusius e Paulo Feijó ocorre algo
semelhante.<http://www.estrategiaeanalise.com.br/ler02.php?idsecao=e8f5052b88f4fae04d7907bf58ac7778&&idtitulo=65644bf1b56ff3df3801583f004f7587>

É por isso que em poucas situações a noção de “fogo amigo” se viu tão
escancarada como na peleia interna da direita gaúcha. A edição dessa semana
da revista Veja (20 de maio 2009, págs. 62-63) atira mais gasolina na
fogueira da política do pago. A matéria de Igor Paulin estampa um email do
então candidato a vice-governador Paulo Feijó, onde este afirma haver
recebido a quantia de R$ 25.000,00 em espécie da GM. Quem supostamente lhe
passou o volume é Marco Kraemer, gerente de relações institucionais da
montadora instalada em Gravataí. Este dinheiro, ainda segundo a
correspondência de Feijó, teria sido repassado para o tesoureiro oficial do
PSDB na campanha e atual vice-presidente do Banrisul, Rubens Bordini. Tanto
Bordini como Kraemer confirmam os emails como sendo deles, mas negam seu
conteúdo. Se houve este repasse em dinheiro e o mesmo não foi contabilizado,
já existe fato para investigar a fundo as contas da campanha de Yeda para o
Piratini em 2006.

Assim, constata-se que os emails confidenciais trocados por Feijó ao longo
da campanha foram devidamente arquivados e estão saindo aos poucos. Pelo que
deu a entender o vice,
em<http://www.estrategiaeanalise.com.br/ler02.php?idsecao=e8f5052b88f4fae04d7907bf58ac7778&&idtitulo=65644bf1b56ff3df3801583f004f7587>
entrevista
ao jornal Zero 
Hora<http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&section=Pol%EDtica&newsID=a2514059.xml>,
o volume de correspondência sensível é enorme. Pelo visto, haverá “fogo
amigo” em abundância. Um leitor atento perguntaria, porque tamanha
rivalidade entre pessoas com afinidade política? Para compreender a crise
política e a berlinda onde se meteram os tucanos do Rio Grande é preciso
observar a luta direta entre duas pessoas que em tese teriam quase tudo em
comum. Os problemas entre eles remontam ao momento da campanha para o
governo estadual e jamais foram superados. Sendo rigoroso na análise, ambos
compartilham de uma mesma base ideológica neoliberal, e por conseqüência, da
mesma receita de Estado mínimo como fonte de financiamento para empresas
privadas gaúchas, brasileiras e transnacionais. Ou seja, a disputa é de
ordem pessoal.

Tudo é muito parecido com o fator motivacional da crise política do Planalto
em 2005. Naquele fatídico ano, as análises mais lúcidas classificavam a luta
fratricida, dentro do governo Lula, como disputa por parcelas de poder e não
de projeto de sociedade. Dentro da base “aliada” no Piratini acontece o
mesmo.<http://www.estrategiaeanalise.com.br/ler02.php?idsecao=e8f5052b88f4fae04d7907bf58ac7778&&idtitulo=65644bf1b56ff3df3801583f004f7587>

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