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Democracia liberal X a Democracia
social<http://www.estrategiaeanalise.com.br/ler02.php?idsecao=e8f5052b88f4fae04d7907bf58ac7778&&idtitulo=820b937ed4c3e594553f365ef6801189>

10 de junho de 2009, do Rio Grande outrora altaneiro, Bruno Lima Rocha

Tal como a maioria dos cientistas políticos, entendo que não há uma teoria
unitária de democracia e que a mesma está em disputa. Também compreendo como
válida a afirmação de que a vida em sociedade através do exercício de
liberdade de expressão, de reunião, de organização e de manifestação é
pré-requisito básico para uma sociedade democrática.

Embora sejam essenciais, esses direitos não são fins em si mesmos. E a
garantia da estabilidade desses direitos não pode existir excluindo a
dimensão social, distributiva, jurídica e econômica da “democracia”
representativa em que vivemos. Assim, não compreendo como “democrática” uma
sociedade plena de direitos, mas onde as maiorias não influem de forma
direta sobre e a respeito das decisões
fundamentais.<http://www.estrategiaeanalise.com.br/ler02.php?idsecao=e8f5052b88f4fae04d7907bf58ac7778&&idtitulo=820b937ed4c3e594553f365ef6801189>

É necessário debater qual o conceito de democracia estamos adotando? Isso
transparece na disputa por definições de democracia e que tipo de partido
político seria adequado para um regime de alternância de poder, mas sendo
que este poder se constrói desde abaixo. Abordando este tema através dos
partidos políticos como unidade de análise, nos encontramos com um debate de
fundo.

O mesmo trata das regras e condutas dos agentes políticos e os limites dessa
competição. Isto é, os limites da própria democracia que coexiste com o
oligopólio, como classe de mercado fundamental para o capitalismo.

Embora haja dezenas de definições de democracia e de partido político, as
duas categorias existem dentro de um marco divisório: por um lado, a
democracia liberal e, por outro, a democracia social. Dentro dessas
definições ampliadas, os dois grandes conceitos de democracia trazem em si o
seguinte consenso: soberania popular; direitos humanos; igualdade de
oportunidades; livre expressão.

Voltando às grandes definições de democracia, faço acordo com esta definição
generalizável de democracia e vejo que no avanço da democracia liberal, pois
à medida que os pressupostos neoliberais avançam, a soberania popular perde
espaço para os agentes que operam na lógica de mercado, vem sendo retirado
conteúdo dos regimes democráticos.

Se, de um lado, se perde a capacidade de regulação social, de outro, o
regime fica politicamente estável, ao menos no que diz respeito aos ritos e
procedimentos. Para suprir o vazio, outras formas de expressão política vêm
ganhando terreno. Assim, há mais setores a serem organizados e representados
e uma perda substancial de direitos reais, embora tenham existência formal.
Infelizmente, até aí não há nenhuma novidade.

Tanto no âmbito mais acadêmico como nos setores mais militantes, há uma
extensa bibliografia abordando o tema dos movimentos populares, dos “novos
movimentos” e da relação destes com os partidos políticos. Ao mesmo tempo,
há um aumento de ideologias e atitudes “participativas” que levam as pessoas
a se servirem cada vez mais do repertório de direitos democráticos
existentes, mesmo dentro de sociedades excludentes, como as
latino-americanas.

Esta característica agrava o distanciamento entre os partidos legalmente
constituídos, operando dentro do jogo eleitoral e a partir dos procedimentos
formais e evitando o conflito para o aumento desses mesmos direitos. Ou
seja, cada vez mais os partidos liberais (eleitorais) representam menos a
alguém e atuam mais em defesa de interesses próprios. Isso cria um hiato de
representação formal, abrindo margem para uma crítica da democracia de
mercado a partir do próprio ponto de vista democrático, no caso, da
democracia social.

Assim, o uso crescente de novas formas de participação política (ainda não
formalizadas) e as exigências e os conflitos políticos de temas que
conseguem se politizar colocam contra a parede os discursos vazios de
conteúdo da democracia liberal. Isso se dá porque, fruto da correlação de
forças, há a capacidade de um setor da sociedade, sujeito social organizado
–– através de um(s) agente(s) dotado(s) deste propósito – ou fração de
classe, conseguir tornar politicamente aceitáveis temas que em uma etapa
anterior eram vistos como de ordem moral, privada ou confessional.

Tal é o caso, dentre vários, dos direitos reprodutivos (questão do aborto),
do assédio moral (humanização do trabalho) e das causas vinculadas direta ou
indiretamente à ecologia. Esta última grande bandeira já se torna
transversal, passando por demandas ambientalistas, preservacionistas,
indigenistas, camponesas, dentre outras.

É nesse cenário de quebra do monopólio da representação, fazendo a crítica
da intermediação profissional e sendo obrigado a operar num terreno de
identidades fragmentadas e multiplicadas, que reside a necessidade de
construir formas organizativas políticas para atuar no projeto da democracia
social (participativa, radical, substantiva e deliberativa).

Entendo como urgente a definição teórica de um modelo de organização
política que esteja subordinada aos interesses daqueles setores que se
pretende organizar. Isto é, uma estrutura política que aposte sua acumulação
de força na capacidade de mobilização popular, forçando o Estado a atender
às suas demandas justas, legítimas e históricas e, por conseqüência, atuando
sempre por fora dos acordos
oligárquicos.<http://www.estrategiaeanalise.com.br/ler02.php?idsecao=e8f5052b88f4fae04d7907bf58ac7778&&idtitulo=820b937ed4c3e594553f365ef6801189>

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