O GOZO DE ULYSSES AS MÚLTIPLAS LÍNGUAS DE JAMES JOYCE Autor(es): NOGA LUBICZ SKLAR
*ISBN 9788578230340* LITERATURA Páginas: 200 Acabamento: Brochura Formato: 16 x 23 Edição: 1ª Idioma: Português Ano: 2009 Preço: *R$ 35,00* Para comprar: (Lojas parceiras) <http://www.libre.org.br/redir1.asp?act=2,8367> <http://www.libre.org.br/redir1.asp?act=5,8367> <http://www.libre.org.br/redir1.asp?act=1,8367> <http://www.libre.org.br/redir1.asp?act=3,8367> Mais lojas >> <http://www.libre.org.br/titulo_view.asp?ID=8367#Lojas> *Sinopse:* James Joyce, um "coletor de injustiças", incompreendido e subestimado num sentido bem ao contrário do senso comum desta última palavra recebe uma homenagem incomum: um livro sobre a leitura de Ulysses. Nas páginas iniciais de sua obra, Noga Lubicz Sklar confessa ter hesitado, como tantos, em mergulhar naquele que é considerado o melhor romance do século 20 ou, de acordo com a autora, de todos os séculos passados e vindouros. Hesitou para, enfim, se render, se entregar, "mastigar e deglutir", as muitas delícias do texto original de Joyce, para devolvê-lo ao leitor como ele realmente é: divertido, instigante e indispensável. "Eu tencionava encerrar a saga do livro com uma bela e impressionante participação de inigualável brilhantismo intelectual no Bloomsday e, pelo menos disso, acabo de desistir: faltam 77 dias para o próximo 16 de junho, e gente, é tempo demais pra esperar sentada", escreve uma impaciente Noga Sklar, na crônica "77 dias" de seu novo livro, O Gozo de Ulysses: As múltiplas línguas de James Joyce. Mas, como afirma a editora da Ibis Libris, Thereza Christina Rocque da Motta, cada livro es-creve sua própria história, independente do desejo de seu autor, e é justamente num Bloomsday - na terça- feira, 16/06 -, um ano depois, que O Gozo de Ulysses, irônico diálogo literário entre a apai-xonada cronista brasileira e o genial - e frequentemente incompreendido - autor irlandês, faz seu pouso no mercado. Segundo Arthur Dapieve, que assina a orelha do livro, Noga evidencia, em seu texto inco-mum - espécie de "diário de bordo de Ulysses", entre metido e erudito -, uma saudável mistura de insolência e coragem, "como se, daqui do século XXI, mandasse e-mails para o maior mito literário do século XX, fiel ao espírito daquele velho safado". Sem se preocupar com o gordo catálogo de regras acadêmicas que costuma assustar os que se aproximam de Joyce, Noga ousou não apenas lê-lo, ou escrever sobre ele, como arrogar-se uma intimidade intensa ao compreendê-lo como igual, parceira dedicada de vício e ofício, percebendo- lhe as intenções subjacentes com uma energia capaz de transcender até mesmo a barreira da morte. E de não se intimidar frente à celebridade do companheiro. Noga vai além: pressente a presença de Joyce em tudo, no cotidiano familiar, no prazeroso e penoso dia-a-dia de um Rio de Janeiro apreciado e, ao mesmo tempo, hostil, onde é hóspede temporária e do qual sonha, como Leopold Bloom, escapar em breve para uma "casa no campo". Lançamento: 16 de junho (Bloomsday), 19h, Livraria DaConde, Rua Conde de Bernadotte, 26 lj. 125, Leblon, Rio de Janeiro, durante a Ponte de Versos em homenagem a James Joyce. *Sumário:* *Orelha:* Existe uma palavra judaica, presente com conotações diversas tanto no hebraico quanto no iídiche, que explica/complica o que o leitor ora tem em mãos: chutzpah. É um misto de audácia, insolência, abuso e coragem. Noga Lubicz Sklar tem chutzpah de sobra. Quantos aí não só encararam - encararam para valer, não para citar nas rodinhas - o célebre Ulysses de James Joyce como fizeram uma espécie de diário de bordo da leitura? Noga fez. Leitora voraz, escritora compulsiva, comentarista atenta de blogs e colunas dignos de sua consideração, ela afinal decidiu abrir o seu livro (fechado) de cabeceira há quinze anos e transformá-lo em ponto de referência e de irreverência de dezenas de posts no seu próprio blog, entre dezembro de 2007 e junho de 2008. Ajeitados daqui, espichados de lá, eles compõem o incomum O gozo de Ulysses - As múltiplas línguas de James Joyce. Não sendo médium ou sequer crente, é impossível dizer o que Joyce teria achado dessa, como diria Renato Aragão, audácia da pilombeta. Mas eu seria capaz de apostar duas pints de Guinness no pub de Davy Byrne que o irlandês teria apreciado tamanho chutzpah. Porque Noga tira Joyce do pedestal para examiná-lo, o que não implica nenhum rigor ou tédio acadêmico, e ao fazer isso o devolve às ruas. O que mais pode querer um escritor? Não são tanto as ruas de Dublin, pelas quais Leopold Bloom deambulou naquele lendário 16 de junho de 1904, e sim as ruas do Rio de Janeiro, onde Noga vivia quando escreveu O gozo de Ulysses (depois retirou-se sensatamente para a Região Serrana). Como ela diz, há um "Joyce no cotidiano", o da cidade então governada (sic) por Cesar Maia e o seu próprio, no qual algumas das páginas mais tocantes tentam lidar com o Alzheimer de sua mãe. Claro que, em se tratando de Joyce, O gozo de Ulysses tem dúvidas eruditas, trocadilhos infames, sacanagens latejantes, humor. É como se, daqui do século XXI, Noga mandasse e-mails para o maior mito literário do século XX, fiel ao espírito daquele velho safado. Arthur Dapieve Vem quase do berço esse meu gosto intragável por frases feitas. Para ser mais exata: de vovó, ou melhor, da memória afetiva do iídiche hilário de vovó, descendente arretada do Rabbi Akiva. Pois esse amor a ditados, que compromete e corrompe a boa literatura, brota inesperado, aos trancos e barrancos, como as letras cafonas de canções populares ou outros clichês abomináveis que eu misturo a torto e a direito, provocado de memória por tensões no dia-a-dia. Não à toa me casei com Alan, useiro e vezeiro e criador de aforismos. Joyce, ao que parece, também gostava, ou por que abusaria tanto? Logo no início de "Eumeu", em descrição desabonadora da polícia irlandesa, dou de cara com o quase intransponível "prepared to swear a hole through a ten gallon pot". Houaiss traduziu assim: "prontos a jurarem que o palheiro era agulheiro", e Bernardina assim: "prontos para jurar que branco é preto". Mas eu, com a minha já longa prática no assunto, não me conformei com nenhum desses. Procurei o significado no Google até quase o desespero... e nada. O mais próximo que cheguei foi ao dito irlandês "Swear a hole in an iron pot", que em bom português quer dizer "xingar muuuito": em se tratando da polícia, faz o maior sentido, é ou não é? (Uau, finalmente entendi: Joyce, como eu, curtia acima de tudo truncar e corromper os ditados, hahaha!) Noga Lubicz Sklar nasceu em Tibérias, Israel, em 1952. Graduou-se em arquitetura no Rio de Janeiro. Desde 2004, dedica-se exclusivamente à literatura e escreve diariamente no Noga Bloga, seu bem-sucedido blog de crônicas. O gozo de Ulysses - As múltiplas línguas de James Joyce é seu terceiro livro publicado.
