mea culpa, mea máxima culpa. Lex
2009/6/24 augustolula <[email protected]> > > > > > Veja no final do texto meu querido Lex > > > > Em 24/06/2009 16:12, *Alex de Souza < [email protected] >* escreveu: > > > matéria publicada no diário de natal. > > Lex > > 2009/6/24 augustolula > <[email protected]<http://mce_host/[email protected]> > > > >> >> >> >> >> >> >> >> deo no blog caicó subterrâneo >> Quarta-feira, 24 de Junho de 2009 >> "Travesti também tem sonho de >> cinderela"<http://caicosubterraneo.blogspot.com/2009/06/travesti-tambem-tem-sonho-de-cinderela.html> >> <http://4.bp.blogspot.com/_D7AxEbjh5Ac/SkI5KPkrI5I/AAAAAAAAAGw/KQx2v5kKcBA/s1600-h/leilane.jpg>A >> natalense Leilane Assunção cursa doutorado em ciências sociais, pela >> Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Aos 28 anos, dos quais 18 foram >> vividos num corpo de homem, é a segunda transexual doutoranda no Brasil, >> também foi a primeira do RN a ingressar numa instituição de ensino superior. >> >> >> Você é a segunda transexual brasileira a cursar doutorado. Quando você >> descobriu isso? >> Eu não tinha nem acesso a essas informações sabe? Confesso que sempre fui >> muito desengajada dos movimentos sociais de cunho gay. Eu tenho uma crítica >> muito forte em cima desses movimentos, em termos de Natal pelo menos que é a >> minha experiência. Então, conseqüência inclusive desse desengajamento, eu >> acabei ficando alheia em relação a como isso estava acontecendo. Pra mim >> isso também foi uma surpresa, eu não sabia de nada. Resta saber quem vai ser >> a primeira a defender a tese né? Eu acho que uma corrida saudável acaba de >> se iniciar entre eu e ela. (risos) >> >> Agora que você conhece as estatísticas, e a partir do momento em que isso >> se torna público, você se torna um exemplo. Como você lida com a >> responsabilidade de ser referência? >> Hà ƒ ¡ algum tempo eu comecei a ter clareza de que eu poderia em algum >> momento vir a desempenhar esse papel, principalmente quando eu me encaminhei >> pra terminar a graduação. A partir do momento em que eu terminei a graduação >> e entrei no mestrado eu comecei a perceber o assédio moral de outros gays já >> me buscando como essa referência. E, confesso, é muito complicado por que as >> pessoas às vezes perdem um pouco a distinção entre a admiração e a imitação. >> Hoje, já no doutorado, com os amadurecimentos intelectuais que vem se >> processando em mim, eu já começo a ter outra clareza dessa idéia de >> referencia. Então hoje eu compreendo um pouco melhor e acho que estou mais >> preparada para responder a essas solicitações, no entanto, essa coisa de >> “Leilane referencia” eu quero que se manifeste como uma coisa intelectual, >> não como um modelo de transexual perfeita. >> >> Você já tinha amigos gays e transexuais antes? Como foi a ace itação >> desses amigos quando você resolveu virar transexual? >> Já... Mudou radicalmente. Quando eu era gay eu tinha uma relação melhor >> com os outros gays, quando eu passei a ser transex eu passei a ter uma >> relação melhor com os outros transex. Por que dentro do meio existe muita >> rivalidade, muita intriga disputa entre gays e travestis. Muitos amigos meus >> gays passaram a me discriminar, pararam de freqüentar a minha casa, não mais >> me convidar à casa deles... >> >> Então existe preconceito dentro do próprio meio... >> Às vezes ele é até mais violento do que fora do meio. Não que isso vá >> servir para justificar o preconceito hétero em relação a homossexualidade, >> já que existe preconceito contra a homossexualidade dentro da própria. É >> outra dimensão do preconceito que precisa ser igualmente combatida. >> >> Como foi esse processo de inserção na universidade ? Vo cê já era >> transexual antes de entrar na UFRN ou foi um processo que aconteceu durante >> a vida acadêmica? >> Aconteceu durante. Antes de entrar na universidade eu via em filmes, em >> novelas. Onde muitas vezes se mostrava a experiência universitária como um >> divisor de águas, e eu almejava isso. Para mim foi nesse sentido mesmo, eu >> entrei uma pessoa e hoje sou outra. Quanto ao processo de inserção eu posso >> lhe dizer que não foi nada fácil e continua a não ser. Eu vou usar uma frase >> do velho lobo Zagalo que diz: “Vocês vão ter que me engolir”. E eu acho que >> é mais ou menos isso que eu estou fazendo com a UFRN, a universidade tem que >> me engolir. Tem que me engolir porque simplesmente eu tenho os méritos para >> isto. Eu venho, desde a graduação, construindo uma trajetória intelectual, >> sócio-cidadã de respeito, digna, abrindo esse espaço cada vez mais. E eu sei >> que quando eu abro esses espaços eles não são só para mim, em longo prazo, >> eles sà £o pa ra o gênero. >> >> Você sofreu preconceito dos funcionários da universidade também? >> De toda sorte de criaturas. Passando por funcionários, seguranças, >> estudantes, professores, visitantes... Em todos os meios sociais nós >> encontramos pessoas preconceituosas. Eu não sei quando é pior se é quando >> elas são instruídas ou quando elas são ignorantes. Por que quando elas são >> ignorantes o preconceito é vulgar e quando elas são instruídas o preconceito >> é cínico. Eu não sei qual é o pior, mas prefiro o cínico porque me permite >> responder á altura. >> >> Geralmente existe um preconceito familiar enorme quando se é gay, e muito >> maior quando se é transexual. Como a sua família encara a sua situação? >> Hoje em dia está mais tranqüilo, exatamente por causa dessas conquistas >> que me deram legitimidade dentro de casa. Então, por exemplo, eu sou de uma >> família de profe ssores tenho três irmãs professoras, uma inclusive mestre >> em ciências sócias pela UFRN, ela foi ate o mestrado e parou, ou seja, eu >> vou ser a primeira doutora da família e eu sou a filha mais nova. >> >> E na época? Como sua família encarou? >> Foi o seguinte: eu venho de uma família protestante, puritana, passei a >> minha adolescência incólume sexualmente eu perdi minha virgindade aos 19 >> anos. Mas, por quê? Porque eu estava envolvida dentro de um conflito moral >> muito pesado dentro da formação que eu tive, o conflito da descoberta da >> homossexualidade aos 12, dos 12 aos 15 eu passei por um processo de >> depressão profunda, de negação. Dos 16 aos 18 eu passei por um processo de >> aceitação, uma fatalidade da vida: eu sou assim, não vou poder mudar. Não >> adianta nada pedir a deus pra e dormir e amanhecer menina que isso não vai >> acontecer, porque eu, na minha ingenuidade, aos 12 anos, criada em igreja >> evangélic a, tive coragem de pedir isso a deus. E aí aos 18 chegou aquele >> período da aceitação que eu não me contentava mais em representar um papel >> social pra agradar a minha família. Cadê as namoradas que nunca apareciam? >> Eu era delicado, franzino... Sai de casa e me assumi. Mas dos 18 aos 21 eu >> passei por outra depressão profunda. Eu me assumi e não conseguia ser feliz >> ainda. Pensei “não adianta, um homem nunca vai me ver como mulher e me >> satisfazer sexualmente como eu desejo na condição física masculinha em que >> estou”. Nessa fase eu já cogitava virar travesti, mas eu pensava “E a >> carreira acadêmica? E os amigos? E a família? E os empregos?”. Mas um dia eu >> chutei o pau da barraca e pensei que nada iria valer a pena se eu não fosse >> feliz. Sumi da vida familiar por seis meses e comecei o meu processo... Só >> que a vida me fez ter que voltar pra a casa da minha mãe sem nada, depois de >> 4 anos morando só, acima de tudo nessa condição nova que ela ainda não c >> onhecia . >> >> Como ela reagiu a isso? >> Quando eu cheguei em casa ela quase caiu pra trás. E começou a combater de >> todas as formas, ela tinha vergonha quando o pessoal da igreja chegava. Eu >> entendo o lado dela... Na época foi muito dolorido ver isso, mas serviu pra >> mostrar que a vida não é como a gente quer, a vida é como ela é! O tempo foi >> passando eu virei bolsista CNPQ na graduação, minha orientadora foi lá em >> casa e me elogiou, eu terminei o curso, entrei no mestrado, mamãe fez uma >> festa de aniversário pra mim e vários professores meus foram, me elogiaram >> também. E o tempo todo naquele dialogo dentro de casa “mamãe, o fato de eu >> ser travesti não significa que eu não tenha valores que eu não tenha moral, >> dignidade”. Então de tanto bater nessa tecla, de tanta conversa, de tanta >> conquista, eles cansaram de lutar contra. Eu sei que não é uma satisfação, >> acho que, com a idade que eu tenho, minha mãe queria que eu tivesse uns três >> filhos e fosse pastor de uma igreja evangélica. >> >> Você luta pela cirurgia de mudança de sexo pelo SUS. Como anda o processo? >> Acho que não vai sair tão cedo... O ministério da saúde baixou uma >> portaria que os hospitais universitários têm que adaptar, tem um prazo, mas >> me parece que aqui em natal esses encaminhamentos estão muito lentos. Muita >> desinformação, já fui La no Onofre Lopes e disseram que não tem ainda >> nenhuma previsão. Está sendo muito combatido na justiça pelas bancadas >> católica e evangélica que consideram que o dinheiro que esta sendo gasto nas >> cirurgias de transexuais é dinheiro publico, desviado de obras prioritárias. >> Eles entendem como um esforço absolutamente supérfluo de um indivíduo que >> nasceu num corpo como qual não se identifica, de transformá-lo. Se eu >> morasse num grande centro com São Paulo certamente eu estaria bem mais >> próxima de conseguir isso. E u estou indo no meu ritmo, o doutorado é uma >> prioridade acima dessa, hoje. Então é muito nesse sentido, mas se eu morrer >> antes de fazer minha cirurgia não terei ido em paz. >> >> Quais são seus planos para o futuro? >> De imediato é um doutorado brilhante, com intercâmbio na Alemanha, levar >> minhas formulação as ultimas conseqüências, se é que eu posso dizer assim... >> Eu quero ampliar meus horizontes intelectuais de trabalho, de epistemologia >> da ciência. Logo imediatamente depois, eu pretendo prestar concurso para >> alguma universidade federal brasileira. Não sei se da UFRN mas, eu me vejo >> sendo professora da universidade publica brasileira. Me vejo com a cirurgia >> feita, o nome mudado, as vezes me vejo bem carola, conservadora, numa >> clássica família burguesa, travesti também tem sonho de cinderela. E às >> vezes me vejo também como uma mulher pós-moderna, independente, morando >> sozinha... A vida é quem vai me mostra r. >> >> **Essa entrevista foi meu trabalho da 3º unidade da disciplina Oficina de >> Texto III, gostei muito do resultado e resolvi publicar aqui. Eu não fiz >> foto então essa foto foi retirada na cara-de-pau do DN online. Espero que >> gostem. >> Tahiane >> >> - *Sexo:* Feminino >> - *Signo astrológico:* Gêmeos >> - *Atividade:* Comunicações ou mídia >> - *Profissão:* Estudante de jornalismo >> - *Local:* Natal : Rio Grande do Norte : Brasil >> >> Interesses >> >> - Cinema >> - Música >> - Literatura >> - Filosofia >> - Design... >> >> > >
