---------- Forwarded message ----------
From: Laélio Ferreira
Date: 2009/6/20
Subject: Percuciência e Bloomsday Aloprado...
To: [email protected]


   DEU NO "PAPO FURADO", DE JAIRO LIMA:

*BAR **PAPO FURADO
**Mercado de Petrópolis, box 19, Av. Hermes da Fonseca, 407, Natal, RN. Tel:
8842-7855
By appointment of Ecto, o Phantasma da Kriterion.

Resposta para um Doutor em Astrofísica**

Jairo, meu rei.

Ogunhê pra vosmecê!

Vovó Celsa, sertaneja legítima, contava que, quando menina, em Jardim do
Seridó, no pátio da feira, um mamulengueiro incompetente, depois de
seguidamente vaiado pela molecada- assobio como os seiscentos! -,
afuleimado, arriou os bonecos da empanada, subiu nas tamancas, alçou-se a um
tamborete, e quase caindo na afobação do gesto inflamado, sentenciou, aos
berros:
- Quem quisé mió, que venha fazê!
É, esta, a única resposta que posso dar a João da Mata, Doutor em
Astrofísica, pela crítica às "rimas pobres" que cometi numa glosa, publicada
no "Papo Furado" (horrores/doutores).
A título de ilustração - e para demonstrar a percuciência (epa!)
poético-lírica do ilustre acadêmico, expert em Cervantes -, remeto aos
muitos leitores do seu festejado blogue o linque abaixo:
http://www.blocosonline.com.br/literatura/poesia/p01/p010347.htm*<http://www.blocosonline.com.br/literatura/poesia/p01/p010347.htm>
Nessa página inesquecível, João da Mata, ver-se-á, dá um banho de erudição e
bom gosto, além de demonstrar profundos conhecimentos da difícil arte da
metrificação.
Eu, por cá, continuarei a rimar "doutores" com "horrores"...
Seu sempre macaco de auditório.
 **

   *CANTARES FESCENINOS*

   *                                    A Celso da Silveira e Zé Limeira*

   Oh! Doce Cu que me encanta
   Na vida tu vens atrás
   Mais fede a boca que zanga
   Que os peidos que dás

   Quevedo já te cantou
   As graças e as desgraças
   Teu olho pode ser cego
   Mas cego quem não usou

   Poucos são os sábios
   Das glórias não vale o cu
   Apesar dos alfarrábios
   A vida sabe a chuchu

   Duas coisas me fascinam
   E são da minha paixão
   Um bom cu o ano inteiro
   E os livros por diversão

   Da boca sai palavrão
   A bunda é nacional
   E o que a boca goza
   O cu sofre com razão

   O ânus foi quem pariu
   Da vida um pobre coitado
   "a dar por um ano inteiro
   o cu de graça ao diabo"

   E vou partindo em segredo
   Pedindo desculpas às musas
   Se te cantei cu-amado
   Porque quem tem cu tem medo

   Me despeço dando um peido
   Paras os que em cu
   Não tem peito
   E segue o cu-balançando

                                          *  João da Mata Costa*
    ########################################

« Voltar <javascript:history.go(-1);>

*
**Enviado por Laélio Ferreira

Bloomsday Aloprado

Poeta Jairo.

Eureca!

Descobri, agora, depois de velho, como se deve fazer para entender o
“Ulisses” de Joyce! A receita – entre aspas, abaixo! – é de uma médica
paraibana (Clotilde Tavares) que ensinava teatro na Universidade Federal do
Rio Grande do Norte. Agora, só me resta saber como chegar ao “estado
completamente alterado de consciência” do citado poeta “Sopa D’Osso”... Os
grifos, abaixo, não são do original.

ABRE ASPAS: “Em Natal, durante alguns anos, chefiei as comemorações do
Bloomsday junto com Arlene Venâncio, na época aluna da pós-graduação do
curso de Letras e que era entusiasmada com Joyce. Fizemos umas duas ou três
comemorações na antiga A.S. Livros e uma na Bienal do Livro de Natal em
2003, que coincidiu com o Bloomsday.
Este dia é comemorado em todo o mundo e as comemorações exigem que as
pessoas declamem poemas de Joyce, bebam bastante, cantem e façam aquilo que
se chama a “polifonia”: depois de ler o trecho final do monólogo de Molly
Bloom, que encerra o livro, em quantas línguas forem possíveis entre os
participantes, lê-se novamente o trecho em todas as línguas, em voz alta e
ao mesmo tempo. Cabia a mim ler o trecho em português, o que me deixava
sempre muito feliz.
Além da polifonia, que tinha um efeito final muito excitante, lembro-me do
belo Paulo Marcelo, aluno também da UFRN, cantando a canção irlandesa Molly
Malone e finalmente do acontecimento mais inusitado que penso já ter havido
em qualquer Bloomsday: na comemoração que houve na Bienal do Livro, no
auditório repleto, enquanto se sucediam os recitativos, o recinto foi
invadido pelo poeta Sopa D’Osso, emblemático na sua magreza, com seu
sobretudo verde-escuro, olhos loucos, estado completamente alterado de
consciência, a declamar um poema de Joyce traduzido por ele para o
tupi-guarani.
Fique então com o trecho final do monólogo de Molly Bloom, que é todo
escrito assim mesmo, sem pontuação, pois essa era a técnica de Joyce, o
famoso fluxo da consciência. Leia em voz alta e não procure entender.
Deixe-se levar pelas palavras, deixe-se tomar pelo som da sua voz e comemore
hoje comigo, com todos os leitores deste blog e com todos os joyceanos do
mundo este escritor sem par, esta obra sem fronteiras.” FECHA ASPAS.

Arre égua!

Laélio Ferreira

* Meu Mestre e Amigo, infelizmente o programa que faz este site não permite
reproduzir os grifos. E eu não posso fazer nada para remediar. Pra mim todo
mundo que diz que curte o "Ulisses" devia ser submetido ao detetor de
mentiras. KKK.
(Ecto, o phantasma da Kriterion)*

Responder a