Atenção, Atenção, Srs leitores da lista de participantes do Grupo Yahoo do Beco
da Lama:
Todas as fotos publicadas aqui, até agora, com os Vãndalos, grupo de Rock 'n'
Roll natalense formando um trio dos irmãos Fon, Eustachio e Lola e
apresentando-se no Festival do Sol em agosto de 1976 estão registradas no
departamento de editoriação da Gráfica Manibu, da FJA,cujo setor administrativo
localiza-se na BPECC - Biblioteca Pública Estadual Câmara Cascudo.
O livro sairá até o final do ano pela mesma FJA, desta feita pelas mãos do
artista gráfico Venâncio Pinheiro que substituiu Baíto na direção da Gráica
Manibu.
Nem venâncio acreditava mais no livro, pois que já prometido mais de uma dezena
de vezes levar-lhe os originais.
Fiquem tranquilos os amigos que aguardam o documentário sobre o mais importante
acontecimento social e filosófito dos tempos modernos; mais importante até que
a Renascimento e a Revolulão Francesa
Esse acontecimento foi o meu livro, mas o Movimento Hippie em si.
Está prometido: sairá até o final do ano - a não ser que as forças ocultas...
oh, as forças ocuuuuultas!
Gostaria ainda de relatar que as fotos aqui postadas são todas do fotógrafo
Antonio Rodrigues.
Rodrigues, o seu fotógrafo, como era conhecido marcou presença nos anos 60 e
70. Mui digno representante da "nouvelle vague" potiniquim na atitude
comportamental era o fotógrafo "oficial" do grupo
Faleceu também, assim como Fon, nos dias atuais.
Vejam aí relato já no final do livro sobre o chamado Festival do SOL e que é,
acima de tudo, uma homenagem aos Vândalos e à figura linda que foi Afonso "Fon'
Luiz Medeiros dos Santos.
Axé, Anfiguri!
Por fim, abro um espaço aqui para o evento denominado Festival do Sol que
aconteceu em Natal em Agosto de 1976.
Eu não o assisti. Não estava em Natal, infelizmente. Um festival de
música pop e de rock (pop-rock?) nos moldes do famoso Woodstock – três dias de
Musica, Paz e Amor – acontecido também no mês de agosto só que no ano de 1969
lá no distrito de Woodstock, arredores de Nova Iorque.
A grande concentração de jovens durante os três dias do festival -
falamos agora do Festival de Woodstock - segundo palavras do jornalista Luís
Carlos Maciel em artigo no jornal Última Hora, só foi comparável, no clima e na
quantidade de pessoas presentes, ao Sermão na Montanha bíblico.
Nenhuma concentração humana em toda a história compara-se ao evento acontecido
em Woodstock. Foram três dias em que as maiores e melhores estrelas da pop
music e principalmente do Rock, em termos univesais apresentaram-se para uma
platéia monumental espalhada pelas colinas do lugar, sem acontecer, sequer,
qualquer incidente mais relevante.
Pois bem, Natal também teve o seu Woodstock. Aconteceu no Estádio
Juvenal Lamartine, sete anos depois do original. É que o mundo subdesenvolvido
está exatamente uma década, aproximadamente, atrasado em relação ao I Mundo em
termos culturais.
E isto não é culpa minha.
Não foram três dias. Natal não comportava, à época, evento de tal
magnitude; todavia, começou às quatro horas da tarde de um sábado e só foi
terminar no domingo com a manhã plena.
Segundo palavras de Darci Girassol o acontecimento foi “poeticamente
lindo”. Vieram malucos de todos os quadrantes do Brasil e, dizem, até de além
fronteiras. Vieram grupos da Bahia, Recife, João Pessoa, Mossoró, Fortaleza,
além dos de Natal.
O número de abertura foi protagonizado pelos Vândalos com Fon,
Eustachio e Lola interpretando Crosby, Still and Nash (inesquecíveis em
Woodstock) e encerrado com os Novos Baianos, completinho, com Baby Consuelo e
tudo o mais - a mais autêntica e contagiante música MPB, de então, com
inquestionável bagagem underground, pois os Novos Baianos como grupo musical
alternativo foram Ripes autênticos. Viveram bastante tempo em uma comunidade
hippie no RJ criada por eles mesmos.
A apresentação dos Novos Baianos, que estavam no auge do sucesso, foi
por puro acaso.
Foi assim - segundo relato do médico Sérvulo Godeiro: ele e demais
componentes da comissão organizadora tiveram uma reunião com Dona Aida Ramalho
Cortez, primeira dama do Estado, esposa do então Governador Cortez Pereira de
Araújo que foi o nosso Jimmie Carter, conhecedor dos direitos humanos – foi
pioneiro também nesse campo – e um dos maiores governadores que o RN já teve.
Ah, como foi ingrato o povo com CP, assim como, em abrangência nacional, tem
sido com Leonel Brizola. Elegem, eleição após eleição, os próprios algozes,
deixando de fora homens da dimensão de Cortez. E não falo isto somente pelo
festival. Mas por todas as suas realizações, projetos revolucionários e que
estão aí, até hoje, atestando seu pioneirismo e capacidade empreendedora, e,
acima de tudo, o seu humanismo.
Continuando: dona Aida deu a força principal para a realização da
festa. Em lá chegando a equipe organizadora do festival à reunião a acertar
detalhes, encontrava-se no gabinete o artista natalense, único componente
remanescente do lendário Trio Irakitan, Gilvan Bezerril, o qual era empresário
dos Novos Baianos. Então, o mesmo perguntou se interessava a presença da banda
no festival.
Ora, só interessava, claro!
Então, tudo foi acertado ali e naquele momento.
Assim o festival aconteceu de forma perfeita. Outro detalhe curioso
com esse festival foi o seguinte: naquela época a Polícia Federal, estava “com
a moléstia dos cachorros”. Havia o regime militar e uma lei recentemente
aprovada pelo governo do (triste memória) general Garrastazu Médici.
Havia sido instituído no Código Penal Brasileiro, mais um item. Qual? Qual?!?
Qualquer mero viciado, apanhado com uma simples “baga” da canábis seria
automaticamente enquadrado no mesmo artigo de terroristas, assaltantes de
bancos (os quais consideravam o ato, confisco, não, assalto) e seqüestradores
de aviões. Imaginem!
Esse artigo vigorou, acho, por mais de dois anos. O cara que fosse
apanhado “de cima”, com qualquer quantidade, fosse um centésimo de um grama,
era imediatamente levado para a Polícia Federal mesmo que tivesse sido flagrado
pelas polícias militar ou civil.
Pois bem, o clima para o Festival do Sol estava nessa base. Segundo fontes da
época, a PF pretendia dar uma “incerta” durante o festival para um flagrante na
galera. Aí é que entra o dedo de dona Aida Ramalho Cortez, a qual telefona,
incontinenti, para o superintendente da Polícia Federal e “pede” que eles não
atrapalhassem a “brincadeira dos meninos” e que nem sequer passassem pela
avenida Hermes da Fonseca naquela noite. Na época a PF soria, ainda, forte
influência política.
Agora, (pasmem!) - sabem quem foi que influiu para a atitude de Dona Aída
Cortez?
Nada mais, nada menos do que o saudoso Francisco das Chagas “Chico Miséria”
Bezerra de Araújo, primo de Dr. Cortez e casado, à época, com uma sobrinha de
Dona Aída.
Assim como em Woodstock tudo parecia obedecer a algum plano misterioso
para que as coisas acontecessem sem possibilidade de erro; no nosso caso foi um
espelho luminoso da inegável vocação dos jovens dessa “Londres Nordestina”, a
arejar os espíritos das nossas autoridades e assim liberar a juventude ansiosa
por liberdade e por auto-afirmação naqueles anos sombrios.
As principais atrações do festival - na abertura os Vândalos,
encerrando no dia seguinte com os Novos Baianos:
Ivinho e o Tamarineira Village, banda que acompanhou Alceu Valença por
muito tempo, e o Dom Troncho, todos do Recife.
Licus e os Cães Mortos. Uma banda chamada Infla 6, com Djalma, João de Deus,
Wiglice e o pessoal de Mossoró.
Walter Von Berbe e os Berbes, com uma performance marcante a qual, após a
apresentação de seu número musical, Walter, que havia trazido uma cesta cheia
de pétalas de flores, joga-as ao público, em efeito belíssimo, sugestivo, pois
era a época do Flower Power - poder (ou força) da flor.
O Alcatéia Maldita, por incrível que pareça, não se apresentou no
Festival do Sol.
Gostaria de ter tido mais tempo para pesquisar nos jornais o que foi
esse evento, porém as fotos incluídas neste volume, decerto dirão mais do que
mil palavras.
Os famosos festivais de Arte do Forte do Reis Magos, organizados por
Carlos Gurgel, entre outros, e que aconteceram por quase dez anos, também foram
emblemáticos da época. Porém o Festival do Sol foi único, primeiro sem segundo.
Inesquecível. Apesar de tudo.
Y [
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