1.8.09
38 anos sem Djalma Maranhão

38 anos sem Djalma Maranhão
(Alexandre de Albuquerque Maranhão*)

Ele foi o mais progressista dos prefeitos de Natal. Possuía um amor
indescritível por essa cidade. O Grande Ponto (centro da cidade), era a sede
do seu reino. Ali, ele brincava o carnaval, as festas juninas, dançava o
bumba-meu-boi, pastoril e fandango. Nessa época, a periferia recebia
orquestras e grupos folclóricos. A população revivia as lapinhas, cheganças,
ararunas e serestas.

Esse gosto e apreço pelas coisas do povo, Djalma Maranhão adquiriu logo
cedo. Seu batismo nas lutas sociais foi aos 15 anos de idade, quando
participou da Revolução Liberal de 1930. Estava filiado ao Partido Comunista
Brasileiro (PCB), do qual se desligou em 1946, após desentendimentos com
dirigentes da sigla.

Sua rebeldia política estende-se ao ano de 1932, quando segue para São Paulo
como voluntário para participar da Revolução Constitucionalista. Em 1935,
ainda em São Paulo, envolveu-se com a Insurreição Comunista, quando é preso,
juntamente com outros companheiros do partido. Em 1937 volta para Natal e
trabalha no comércio (**) e ao mesmo tempo é nomeado redator do jornal A
República, pelo senador Eloy de Souza. Em 1939 ajuda a fundar o Diário de
Natal, jornal que defendia a participação do Brasil na Segunda Guerra
Mundial para derrotar o nazi-fascismo.

Após dezesseis anos de militância política no PCB, Djalma Maranhão é
convidado pelo então deputado federal Café Filho, considerado de
centro-esquerda e nacionalista, para ingressar no Partido Social
Progressista (PSP). Ao assumir a Presidência da República, Café Filho
distancia-se de seu passado de lutas em favor do povo e alia-se à classe
dominante da época. Rebelde, coerente, questionador e firme em suas
decisões, Djalma Maranhão passa a lutar internamente dentro do PSP, para que
este volte a ser um partido comprometido com as causas sociais.

Com o Partido Social Progressista dividido, Djalma Maranhão retomou e
liderou o "cafeísmo dos pobres". Nas eleições de outubro de 1954, aos 38
anos de idade, elegeu-se deputado estadual, na coligação Aliança Social
Progressista, formada pelo PSP e o Partido Social Trabalhista (PST). Era o
começo da brilhante e curta carreira política de um dos maiores e honrados
homens públicos do Brasil. Em suas atividades parlamentares foi uma voz
firme e um grande defensor do tungstênio, da pesca artesanal, da cultura do
algodão e de idéias genuinamente nacionalistas, como a defesa do petróleo
brasileiro e de outras riquezas espalhadas pelo nosso país.

Nas eleições para governador, em 1955, as esquerdas não se unificaram.
Djalma Maranhão permaneceu em sua trincheira política em organizar e
fortalecer o PSP. Ocorre então, a aliança partidária entre a União
Democrática Nacional (UDN) de Dinarte Mariz com o PSP. Isso fez com que
Djalma Maranhão fosse nomeado prefeito de Natal (1956-1959), deixando marcas
significativas de sua administração: credibilidade, competência e
reconhecimento da população.

Honrar e ser fiel aos compromissos políticos assumidos, jamais trair a
confiança do povo que o elegeu foram características marcantes da vida de
Djalma Maranhão. No episódio que ocorreu contra Juscelino Kubitschek, para
este não assumir a presidência da República, quando fora eleito em outubro
de 1955, Djalma Maranhão defendeu a legalidade, a posse do candidato eleito
nas urnas, contrariando frontalmente a vontade de Café Filho, um dos mais
fervorosos opositores de Juscelino. A amizade de Djalma Maranhão com Café
Filho fragilizou-se completamente.

Concorreu às eleições de outubro de 1958, obtendo a primeira suplência de
deputado federal, pelo Partido Trabalhista Nacional (PTN). Exerceu o mandato
de 27 de maio de 1959 a novembro de 1960.

Mas a campanha política que o consagrou como verdadeiro líder político da
esquerda nacionalista potiguar, foi a de outubro de 1960, quando se elegeu
prefeito da cidade do Natal com 21.942 votos, contra 11.298 de Luiz de
Barros (UDN). A inversão de prioridades começou a ser posta em prática,
colocando em primeiro lugar o interesse social. O audacioso plano de obras
implantado em Natal por Djalma Maranhão foi interrompido em 2 de abril de
1964, quando ele foi preso por tropas do Exército.

Em novembro do mesmo ano é libertado através de Habeas Corpus, conseguindo
asilo político no Uruguai, onde veio a falecer na cidade de Montevidéu, em
30 de julho de 1971.
(* Historiador e dirigente sindical).
(** Nota do Blog: Nesta época trabalha por algum tempo no IFOCS juntamente
com José Vicente de Araújo, Mário Arcoverde e José Vinício na cidade de
Carnaúba dos Dantas)
Postado por Manoel de Oliveira Cavalcanti Neto 1 comentários

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