ESTRATÉGIA & ANÁLISE
 ISSN 00331983
Patrimonialismo, duelo verbal e assunto proibido no Senado
10 de agosto de 2009, da Vila Setembrina, por Bruno Lima Rocha 

Na peleia verbal ocorrida 2ª feira, dia 03 de agosto, entre Pedro Simon 
(PMDB-RS) com os senadores alagoanos Renan Calheiros (PMDB) e Fernando Collor 
de Mello (PTB), veio à tona um assunto velado. Em tese, as trajetórias 
políticas deveriam se pautar na coerência e na lealdade pessoal e doutrinária. 
Como a atividade-fim destes operadores não costuma ser o bem público, mas sim a 
sobrevivência e o aumento do poder de barganha pessoal, então a coerência é um 
tema explosivo. Simon lembrou ao ex-ministro da Justiça de Fernando Henrique 
(Renan) que ele abandonara Collor às vésperas do impedimento. Com as vísceras 
expostas, houve a reação irada do presidente deposto que o Supremo absolveu.
Ao sul do país chamado Brasil houve quem vibrasse pela postura de Pedro Simon 
diante de seus colegas de partido e do ex-caçador de marajás. Confesso que 
também gostei. A atitude corajosa de simplesmente falar o que pensa na frente 
de quem não quer ouvir demonstra que a velha raposa da política do pago ainda 
sabe ser orador de bombachas! Pena que é uma exceção e não a regra. Tampouco o 
correligionário do deputado federal Eliseu Padilha o faz com a freqüência 
devida. Quando o assunto é o governo de Yeda Crusius (PSDB-RS) Simon costuma 
ser bem menos eloqüente, o que é uma pena. 

Agora, com o toque de alerta no pago, já se nota a remexida do PMDB de Simon 
para fora do governo da professora de economia da UFRGS. O curioso nesse 
vespeiro, é que, segundo o MPF e a Operação Rodin (I), todos se põem de acordo 
que o esquema começara por volta de junho de 2003, ou seja, no primeiro ano do 
governo do dentista caxiense Germano Rigotto (PMDB). Porque se acusa Yeda 
Rorato, Carlos Crusius e sua trupe de envolvimento e conivência e não há sombra 
de suspeita por sobre o governo anterior, sendo que o próprio PSDB era então 
vice na chapa, compondo Rigotto com o professor Antônio Holfeldt (então no 
PSDB). Será que não assoprará nada para os tempos do Piratini ocupado pelos 
correligionários de Simon? É quase certo que não, mas isso só a CPI estadual da 
Corrupção dirá. 

Voltando ao Planalto e a polêmica sessão plenária da primeira semana de agosto, 
vejo o conteúdo do pugilato discursivo como um reflexo pálido do senso comum do 
brasileiro. Ao contrário daqueles cidadãos vinculados a currais eleitorais ou 
economicamente dependentes de alguma relação fisiológica ou de nepotismo, a 
sensação geral no Brasil é que a política é um jogo para profissionais em 
defesa de interesses próprios. Infelizmente esta noção está correta e gera 
muito ceticismo. 

Explico. A idéia de carreira política entende a contínua profissionalização do 
representante, do detentor de mandato ou do encarregado de cargo de confiança 
ou função gratificada. Para deter a formação de longas carreiras profissionais, 
esta regra teria de implicar um revezamento obrigatório, como por exemplo, 
proibindo a reeleição para todo e qualquer cargo público. Digo mais, a regra 
deveria forçar que a cada mandato, cargo de confiança ou função gratificada, o 
eleito ou indicado retornasse ao seu local de trabalho e moradia. No Brasil, 
ocorre o oposto. 

Para complicar, neste universo de poucos, quando existe renovação esta 
simplesmente implica em perpetuação das estruturas vigentes e interesses 
constituídos. Assim a política se afasta do cidadão que o delega poder e cria 
um espaço próprio embora custeado com o recurso coletivo. Do jeito que o 
ambiente se estrutura, os duelos verbais são exceções, porque as posições nunca 
são explícitas. Já trajetórias como a de José Sarney são expoentes e não alvos 
de condenação entre seus pares. Eis o patrimonialismo tupiniquim que ajuda a 
garantir a “governabilidade” de Lula. Daí que nada nem ninguém com pareceres de 
“nada-consta” por parte de senadores sem voto como Paulo Duque, chaguista de 
longa data do PMDB fluminense.
 
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