ESTRATÉGIA E ANÁLISE
ISSN 0033 1983
 
O protesto contra Yeda e a repressão que não houve
19 de agosto de 2009, da Vila Setembrina dos farrapos traídos em Porongos e 
entregues em Ponche Verde, Bruno Lima Rocha 

Um dos dilemas clássicos na política é a equação entre a legitimidade de um 
governo com sua capacidade de reprimir. Não estou discutindo o poder de 
polícia, que é uma das atribuições do Estado, não importando o nível de 
governo, seja a União, estadual ou municipal. Mas sim, a relação de forças que 
vai além dos formalismos institucionais. Por vezes, um gesto repressivo causa 
uma comoção tamanha, que o respaldo de um mandato cambaleante pode se perder. 
Em junho de 2008, mesmo bombardeada pela CPI do DETRAN-RS, com a gravação de 
conversas privadas entre seu vice-governador rebelde Paulo Afonso Feijó (DEM) 
com o então chefe da Casa Civil, Cézar Busatto (PPS), a governadora do Rio 
Grande, Yeda Crusius (PSDB), não titubeou em mandar as forças da ordem se impor 
a qualquer custo. Na semana passada, a aposta de boa parte da esquerda gaúcha 
era essa. Que a repressão desenfreada fosse coibir uma marcha aparentemente 
pacífica e assim
 aumentar a comoção interna na Província. Não foi o que se sucedeu, não dessa 
vez.
Na última sexta-feira dia 14 de agosto a cidade de Porto Alegre viveu uma manhã 
de protestos. A data fazia parte da jornada nacional de lutas promovida por 
diversas entidades, centrais sindicais e movimentos populares. A chamada para 
todo o país se pautava na crítica a política econômica, a única pauta que ainda 
unifica a fragmentada esquerda brasileira após quase sete anos do governo de 
Luiz Inácio. 

A marcha originalmente fora convocada para atender essa agenda transformou-se 
no ato ecumênico das esquerdas gaúchas, convocadas a partir da consigna de 
“Fora Yeda!”. E, após alguns anos com certo vazio político na capital 
rio-grandense, neste dia realmente o ato se massificara com duas colunas. Outra 
novidade ocorrera naquele dia, aguçando o cérebro dos marchantes. Pela primeira 
vez, o núcleo duro de Yeda, resolvera reagir e convocou aos CCs, estagiários, 
FGs e militantes tucanos a se posicionar na Esplanada da Assembléia. Houve por 
tanto, dois atos, de dimensões distintas, embora antagônicos. 

Na ausência de repressão ao longo do trecho, outra conjectura atravessava a 
todas as agrupações e movimentos ali presentes. Haveria ou não conflito com a 
centena de manifestantes a favor da governadora ali presentes? Com a 
desproporção numérica de mais de 3.000 protestantes contra menos de duas 
centenas pró-Yeda, a Brigada teria obrigação de intervir. O “duelo” não houve, 
mas ficou o fato político e a possibilidade de repressão policial. Na mesma 
sexta-feira, o protesto estadual ganhou relevância nacional ao ser midiatizado 
pelo Jornal Nacional. Nesta semana, o dilema entre protesto e repressão foi 
alimentado pelos meios de comunicação do estado. Quem está na lida política 
sabe ler estes sinais. Nenhum tema dessa ordem é pautado por acaso e a variável 
repressão não foi descartada pelo ainda cambaleante governo da economista 
neoclássica. 
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