Do Jornal de Hoje, de ontem!

24 AGO
Os donos da verdade - \"In memoriam\"

    *

19:48 - Artigo,
Moacyr Gomes da Costa, arquiteto ([email protected])

Quem dá resposta ao contra-senso, estará dando notoriedade à mediocridade,
entretanto, e, apesar dessa verdade, no presente relato, pretendo reparar a
tentativa de ultraje à memória de homens de bem que se destacaram na vida
desta cidade e deste estado pelo muito que produziram em favor de sua
população, sem qualquer interesse subalterno, sobretudo, em justiça àqueles
já falecidos e suas famílias ofendidas, nomes consagrados pela história,
como Dinarte Mariz, Djalma Maranhão, João Machado, Humberto Nesi, Antonio
Lira, Luciano Barros, Aristides Benigno de Morais, Helio Varela de
Albuquerque, Cortez Pereira e tantos outros, autoridades, engenheiros,
mestres de obras, esportistas, ou apenas abnegados colaboradores, os quais,
juntamente com aqueles, felizmente ainda vivos, tais como Ernani Silveira,
Mario Sergio Garcia de Viveiros, Ubiratan Galvão, Jorge Ivan Cascudo
Rodrigues, José Pereira da Silva e, sobretudo Agnelo Alves, principal
responsável por ter tornado a obra irreversível, e até este signatário,
todos lutaram bravamente para doar à nossa Cidade um estádio condigno, hoje
denominado carinhosamente pelo povo humilde de "Machadão" em homenagem a um
dos seus principais benfeitores e que, finalmente tornou-se um grande
sucesso, orgulho e alegria dos natalenses durante quase quarenta anos.

Afinal, esta justa indignação que ora demonstro com desassombro, decorre de
uma infeliz entrevista do engenheiro agrônomo Leonardo Tinoco a O Jornal de
Hoje, folha 5, desta ultima Terça-feira,18 de agosto de 2009, na qual comete
o desplante de afirmar, com toda a empáfia de "dono da verdade", que as
construções na área (referindo-se ao Machadão) foram um crime ambiental, e
mais adiante insinua que, (...) "Sorte dos gestores da época, pois se
existisse uma legislação ambiental rigorosa, eles estariam em situação
complicada. Aquele espaço era para ser uma área de preservação"; ora, ora,
senhor doutor ambientalista, para satisfazer sua sanha demolidora de
patrimônios e dignidades humanas, dentro dessa democracia autoritária em que
vivemos neste pais ultrajado, ainda está em tempo de punir, pelo menos aos
que ainda estão vivos, por esse "crime ambiental" que v.s nos atribui. Só
que quando foi construído o que está lá, o local era subúrbio, cercado de
granjas por todos os lados, não havia urbanização nem transito, a cidade
terminava ali.

*Hoje o Sr Leonardo está escondendo um verdadeiro e grandioso crime
ambiental em nome da modernidade, apresentando um enganoso estudo ambiental
acadêmico, reticente e subjetivo *sobre uma pequena área, correspondente a
apenas 15% da gleba total de 46 hectares quando na realidade a área
necessária para a verdadeira licença ambiental obrigatória por lei, é 85% a
maior. O que fica difícil sr. Tinoco é alguém dar credito à sua falta de
coerência, pois, se v.s *defende a tese preservacionista da área, como
justifica esse relatório de impacto ambiental para uma agressão muitas vezes
maior, do que um simples Machadão ou "Carnatal", ou será que o sr. qualifica
o efluente de esgoto sanitário resultante da dejeção de cerca de 130.000
seres humanos, (que é a provável população que ocupará o mega negócio do
loteamento que está sendo costurado) injetado diretamente "in natura" no
lençol, como um simples e inofensivo impacto positivo, nas tabelas e
gráficos acadêmicos de um doutorado qualquer ?*

O Ministério Público já está sabendo da mudança de estratégia que os *
"demolidores"* passaram a adotar após as sérias advertências unânimes dos
conhecidos e respeitados especialistas João Abner Guimarães Junior, Walter
Gasi, Josema de Azevedo, Aldo da Fonseca Tinoco Filho, Vital Gorgônio da
Nóbrega e Nadja Maria Nobre de Farias, sobre os graves problemas de
Saneamento e Drenagem daquela área, como também os importantes depoimentos
do Engenheiro Enilson Medeiros dos Santos e os debatedores, arquitetos
Marcelo Bezerra de Melo Tinoco e Adriana Maria Soares Cunha Torquato, sobre
os seríssimos problemas de Urbanização e Trânsito que apresenta aquele que
hoje é o maior gargalo do sistema viário da cidade. Os citados especialistas
dizem exatamente o contrario do Sr. Tinoco. Tudo isso ocorreu no Fórum de
Discussão Técnica promovido pelo CREA/RN em 3 de julho passado, infelizmente
não concluído,ou não divulgado, por razões que desconheço, mas lá estava a
Promotora de Justiça de Defesa do Meio Ambiente Dra, Gilka da Mata, que
certamente *evitará que o Ministério Público caia nessa esparrela.*

Qual a mudança de estratégia constatada? O Governo Municipal
*"encomendou",*burlando declaradamente a lei das licitações,
contratando por R$ 620. mil, a
Fundep para *"fabricar"* em 30 dias um relatório ambiental abrangendo
apenas, e tão somente a área onde está situado o Machadão, artifício com
objetivo de iludir os distraídos, e aí o Sr Leonardo Tinoco está divulgando
que o impacto ambiental será o mesmo que o Machadão ou o Carnatal, já vem
produzindo, melhor dizendo, é o mesmo " crime ambiental" que já existia
desde os anos setenta, ou seja, não altera nada, apenas troca seis por meia
duzia. Fica assim constatado que o "milagre" da licença ambiental em tempo
Record, prometida para entrega até o proximo dia 27, *é falsa e cavilosa.*

Por alguns conselheiros que conheço do Conplam, acredito que ali também *não
será fácil empurrar essa pílula, outrossim o segmento mais sensato da
população vem demonstrando repúdio a essa provável negociata;* boa parte do
chamado povão deve estar ainda sonhando porque está sob os efeitos da famosa
lavagem cerebral que Goebbels usava no Terceiro Reich, embora já se saiba
que o torcedor pobre não terá como pagar ingresso nos jogos da Copa.

Hoje, o antigo cartão postal conhecido como "poema de concreto" está
condenado perversamente à demolição para dar lugar a um empreendimento
secreto e nebuloso, com fortes sintomas de maracutáia, sob nome fantasia de
"Arena das Dunas". *Alias, por estranha ironia, na ocasião das comemorações
dos cem dias da atual administração municipal a Semurb apresentou com grande
festejo uma publicação denominada "Natal vista do céu" e uma outra chamada
"Anuário Natal 2009, onde aparece o Machadão em foto colorida como "um lugar
de história e sociabilidade", classificando-o como um dos monumentos
representativos da memória e da arquitetura de Natal;* apenas dois meses
depois coloca toda a maquina da instituição para trabalhar em regime de
urgência no sentido de destruí-lo, e hoje o Secretário da Semurb prega uma
teoria que mereceria uma transcrição no livro dos recordes, disse ele, em
alguma de suas freqüentes aparições, algo mais ou menos assim:as edificações
vão ficando velhas, obsoletas, e corroídas pelo tempo, devendo ser
substituídas por coisas modernas periodicamente, ficando assim implícito que
a civilização está devendo há muitos séculos a demolição das pirâmides do
Egito, da Acrópole grega, do Fórum Romano, etc., e aqui na província já
deviam ter sido demolidos o Forte dos Reis Magos, a igreja do galo, as
igrejas do Rosário e de N.S. da Apresentação o Palácio Felipe Camarão, o
Palácio Potengi, e outros, assim ficando explicada a obstinada idéia fixa de
demolir o coitado do Machadão, mas o resto tem outra explicação.

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