Por Rodrigo Levino

Pelo que se lê em blogs e colunas políticas de Natal, a prefeita Micarla de
Sousa (PV) está de melé solto. Pode indicar vice de qualquer chapa
majoritária, lançar o marido Miguel Weber à câmara dos deputados e até o
acólito Paulo Wagner ao senado. Responde aos gracejos de Dilma Roussef ao
mesmo tempo em que assegura a posição partidária de apoio à provável
candidatura de Marina Silva à presidência da república.

Não pisa no palanque onde estiver Carlos Eduardo, mas sinaliza o verde da
esperança de Wilma, Garibaldi e Agripino terem-na no palanque.

Quer dizer, deve ter um alforje de voto que não passa embaixo da ponte
Forte-Redinha numa baixa da maré. Mas eu, cá em conversas com os botões,
pergunto: Será?

Nadando de braçada no primeiro ano de uma administração (?) outorgada pela
vitória consagradora em 2008, Micarla, se não desceu do palanque, pode ainda
ouvir o grito da carreata da vitória. Ou pelo menos dos xeleléus. Coisa de
muito agrado ao ego, é verdade.

Prefeitar – salve, Serejo! – que é bom mesmo, parece que ainda não chegou a
hora. Daí a questão que julgo pertinente: estará, no caso de uma
administração que não dá sinais de vencer os desafios que elencou em
campanha (vide saúde e educação), com essa bola tão cheia dentro de um ano?

E quando bater na canela o acúmulo de horas na fila dos postos, a falta de
remédios, os engarrafamentos cada vez maiores nas principais vias e o
covarde – numa sexta-feira véspera de feriado foi dose, hein – aumento das
passagens de transporte público?

Imagem de político que promete mais do que faz é negócio muito assemelhado a
frango congelado. Depois que vem ao sol, o quilo quebra que é uma beleza.
Pode ser que o voto de Micarla, hoje disputado para o senado e para o
governo, chegue em 2010 valendo uns dois reais, o preço que o trabalhador
desembolsa por uma viagem de coletivo, para perder uma hora preso no
trânsito ali pelo Midway Mall, tentando chegar a um posto de saúde sem
médico ou remédio. Atentai.

Censura
Parece piada – deve ser – ouvir o senador Agripino Maia dizer que é a favor
da Lei Eduardo Azeredo de censura à internet em período de campanha
eleitoral, alegando existirem blogs e sites patrocinados por governadores e
demais interessados na campanha de 2010. Só se for o caso de sua excelência
ter doado as ações da Rede Tropical a uma instituição de caridade, vá lá,
com fins lucrativos e nunca políticos. Ou seria o caso de "blog pouco, minha
TV primeiro"?

Censura II
Ainda pergunto: já se sabe a opinião dos senadores Rosalba Ciarlini e
Garibaldi Alves, a respeito da lei acima citada?

Procon
Ocorreu-me sobre o texto que abre a coluna: a fatura pela deficiência em
tudo que foi prometido durante a campanha, o povo deve enviar para a
prefeita com cópia para jornais, TVs, blogueiros e colunistas da terrinha?
Afinal de contas, se participou do bônus, é bom estar apto ao ônus.

The End
Tem pouca coisa no mundo mais melancólica e distribuidora de vergonha alheia
do que a política quando deixa um político e ele não se toca. Derrotados,
sem votos, mandatos ou poder, se agarrando ao pouco de dignidade que restou
ou querendo voltar ao que pensou um dia ter, certos personagens rastejam
imaginando dar passadas.

Do mundo
Vi um dia desses o programa do deputado estadual Wober Junior (negócio bom é
ter amigo desocupado que grava essas coisas), talentoso progressista e
socialista. Um pouco mais de rouquidão na voz e pode-se jurar estar ouvindo
o "findicalifta" de língua presa que governa a nação. Um primor.

Rebu
Tucano eu não sei, mas observando a movimentação por cima de pau e pedra do
deputado Rogério Marinho no PSDB, a imagem que me chega à mente é de um
cancão de fogo se mexendo num alçapão. Não resta nada inteiro por perto.

Boquinha
Chegou a hora dessa gente paga mostrar seu valor. E bom ir se acostumando
com a falta de elogio na blogosfera, de quem até pouco tempo era casa e
botão. Quando chega a hora dos profissionais porem as cartas na mesa, fica
difícil cobrir o teto pecuniário, o pedágio do apoio disfarçado de notinhas.

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