A SAÍDA DE THAISA GALVÃO DO JH

TIGRE DE PAPEL
Enviado em 21/10/09 às 3h09min por Ailton Medeiros 

Thaisa Galvão foi despedida do “Jornal de Hoje”. Sua demissão foi celebrada 
pela própria como uma “promoção”. 
É que ela interpretou como elogio o anúncio irônico de sua demissão.
O que muita gente não sabe é que a decisão de demiti-la foi tomada há meses.
Marcos Aurélio Sá ficou irritado quando soube que Thaisa usava a estrutura do 
JH para abastecer seu blog particular.
Um colunista me contou que viu várias vezes suas notas estampadas no blogue 
dela antes do jornal circular.
Marcos também estava preocupado com a imagem do jornal, arranhada por conta das 
relações de sua editora com a prefeita Micarla de Sousa e o governo Wilma de 
Faria.
Não foi coincidência, certamente, o telefonema da prefeita para a jornalista 
logo após ser demitida, oferecendo-lhe a direção de jornalismo da TV Ponta 
Negra. Vocês sabem, é dando que se recebe.
Thaísa ama o poder, ama lidar com o poder, mais do que isso, sabe usar o poder. 
Mas tenho que reconhecer seu talento que entendeu que o segredo é não cuidar 
das borboletas e sim cuidar do jardim para que elas venham até você.
Há quem ache que ela deu uma grande contribuição para o “Jornal de Hoje” se 
consolidar. Não tenho porque acreditar que Thaisa ajudou a melhorar o “Jornal 
de Hoje”, mas tenho a certeza de que o “Jornal de Hoje” melhorou a vida de 
Thaisa.
Basta ver os números. Até assumir sua editoria, o jornal era um sucesso de 
crítica e de público. Sob sua batuta, a tiragem (que era de 6 mil exemplares 
por dia) caiu pela metade.
Resumo da ópera: enquanto o JH se afundava nos números, sua editora subia ao 
pódio. 
Gay Talese, que esteve recentemente no Brasil, observou que “o governo usa a 
imprensa mais do que a imprensa usa o governo. No caso de Thaisa é quase 
impossível saber quem ganhou mais.
É inegável que pela função estratégica que ocupava no jornal, os políticos 
passaram a freqüentar seus rega-bofes.
Mas há um porém.
Quem encara a presença de governadores e senadores em seus rega-bofes como um 
título de sócio do círculo de privilégios está, de fato, fazendo um contrato de 
risco profissional semelhante ao de Ivan Nikitich, patética figura de 
jornalista no conto de Tchecov, que é embebedado como conviva num baile em casa 
de um manda-chuva de província e depois surrado porque os anfitriões não 
gostaram de uma palavra publicada em seus artigos.
O jornalista sério não deve confundir as coisas  para não ouvir o que ouviu 
Nikitich: “Bebe, amigo, pois, se te ocorre depois escrever que na casa de 
fulano todos os convidados estavam de pileque, terás de incluir o teu nome”.


      
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