*A ameaça do vilipêndio* 21 de Outubro de 2009
*Ticiano Duarte* - Jornalista Os cochichos das ruas e de alguns salões requintados, onde se reúnem e freqüentam personagens ilustres da nossa badalada crônica social, *estão alertando, que por trás do projeto de construção do estádio das Dunas*,* há uma fétida corrida de negócios escusos. E envolve políticos e empreiteiros, figuras da política nacional e alguns inocentes úteis que estão abrindo caminho para concretização de uma fantasmagórica obra, que no final redundará em crime contra o nosso patrimônio público. Há um silêncio negociado, da parte de alguns setores que poderiam denunciar a rica e pomposa trapaça, dizem. Há omissão, também, da parte de outros segmentos que poderiam impedir que conhecidos "finórios" dos grandes "negócios" deste país, agissem livre e impunemente como estão agindo, argumentam. Mas, o fato é que a coisa anda por aí, com o beneplácito dos governos estadual e municipal e de conhecidos figurões e figuronas, que armaram o embuste de assalto aos cofres públicos e ao bolso do povo, asseveram os mais entendidos no assunto.* Enquanto isto, este mês de outubro, assinala que no dia 17 do ano de 1952, há 57, morria um homem de bem, um mossoroense que honrou a nossa cultura e inteligência, o jornalista e escritor, Adauto Miranda Raposo da Câmara. Deputado em 1924, constituinte em 1927. Chefe de polícia no governo Juvenal Lamartine, até o seu afastamento por força a revolução de 1930. Diretor do jornal "A República". Redator-secretário de "A Província" de propriedade do coronel Francisco Cascudo, pai do mestre Luiz da Câmara Cascudo. Adauto pertencia aos quadros da maçonaria. Foi venerável da Loja 21 de Março e Evolução II, de Natal. Era desportista e homem da sociedade. Presidiu o Centro-náutico Potengí; Natal-clube; Aero Clube do Rio Grande do Norte e o ABC Futebol Clube. Membro da nossa Academia de Letras, ocupante da Cadeira nº. 1, cujo titular hoje, é o professor e escritor, Cláudio Emerenciano. Depois da revolução de 1930, foi morar no Rio de Janeiro, adquirindo por compra, o Ginásio Metropolitano sendo diretor até sua morte. Mossoró, sua terra natal, prestou-lhe uma grande homenagem, dando seu nome a uma de suas artérias no populoso bairro Doze Anos. Consta em "Uma viagem pelo arquivo epistolar de Adauto Câmara" de Raimundo Soares Brito, uma correspondência de 29 de setembro de 1932, do escritor, jornalista e ex-senador Eloy de Souza que é bem o retrato fiel, do nosso Rio Grande do Norte, não menos diferente dos dias atuais. Eloy lamenta para Adauto, as tristezas da terra - "o que vai por aqui preocupa sobretudo pelo futuro que se está preparando...". E diz mais adiante, apreensivo - "sem uma revogação do destino teremos de regredir, numa humilhação maior, as dos dias do Império, quando a Província do Rio Grande do Norte, era considerada uma coisa assim como aquele burgo apodrecido tão citado pelos oradores ingleses por ocasião dos debates sobre o "The refarum bill". Eloy decepcionado com os homens públicos e os governos do estado, não esconde, porem, a vontade de voltar a lutar pela sua terra - "a guerra santa de amanhã contra a tirania, o opróbrio". E ele diz uma coisa que ainda permanece viva no Rio Grande do Norte, apesar da distância dos anos, "o vilipêndio de que estamos ameaçados".
