A matriz estruturalista na ciência social aplicada para a América Latina atual 
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05 de novembro de 2009, por Bruno Lima Rocha
Com essa nova seqüência da difusão científica, apresento outra trilogia, onde 
se verifica o diálogo e a aproximação da Matriz Estruturalista onde se nutre a 
Teoria de Médio Alcance da Radicalização Democrática e sua base epistemológica. 
A linha de apoio destes três textos tem a capacidade auto-explicativa e de 
suporte do título: Os primeiros passos na definição do que é ciência e o 
enfoque realista . Considero essencial este enfoque porque o mesmo nos 
possibilita debater e combater a importação de tipos ideais de instituições ou 
mesmo padrões de qualidade de liderança política - como quando a variável 
“habilidade” é propositadamente confundido com esquivar-se dos problemas 
centrais – com a aplicação de conceitos macro-estruturados sobrepostos nos 
relevos sociais e territórios complexos de nosso Continente. Isto tem várias 
razões de ser e todas coincidem com o fato de que a ciência social deve 
complexificar suas
 questões não com o intuito diletante, mas com ênfase na incidência e não na 
predição estéril. Como já afirmei antes, a análise política “não é um faz de 
conta ou um domingo no parque”.
Ciência “humana”? 

Conforme viemos demonstrando, esta aproximação da análise estratégica com um 
posicionamento analítico a favor da Radicalização Democrática e fundamentado na 
identidade e na importância do componente ideológico tem uma similitude com o 
corpo conceitual do “estruturalismo” que chegara à América Latina a partir da 
segunda metade da década de 1960 do século XX. Veremos nesta trilogia a 
relevância desta matriz de pensamento científico para a construção desta Teoria 
de Médio Alcance. Para fins didáticos, apresento um livro que considero como de 
estudos básicos ou de Introdução à Matriz Estruturalista. 

Trata-se da coletânea portuguesa organizada por Eduardo Prado Coelho em Lisboa, 
em agosto de 1967. Na Introdução, de sua autoria, Coelho trás o interessante 
subtítulo: “Introdução a um pensamento cruel: estruturas, estruturalidade e 
estruturalismos.” Este livro trás o recorte necessário para a compreensão dos 
paradigmas que esta geração de pensadores franceses se propõe e todo o rigor 
necessário para romper com as regras de disciplinas pré-estabelecidas de forma 
administrativas. 

Retornando à chegada e incorporação dos ditos “estruturalistas” por 
organizações de esquerda latino-americanas e insurgentes na segunda metade dos 
anos 1960, desta aproximação com o “estruturalismo” decorrem posições e 
postulados filosóficos e epistemológicos. O primeiro deles diz respeito 
justamente à concepção do surgimento, de como aparece uma ciência humana. Vou 
ao encontro de Michel Foucault quando este afirma que: “Não oferece dúvidas que 
cada uma das ciências humanas se tenha feito por ocasião de um problema, de um 
obstáculo de ordem teórica ou prática” (Foucault in Coelho, 1968, p.46). 
Portanto, vemos o surgir de uma ciência, de uma disciplina, se uma 
subdisciplina, subcampo ou novo campo de saberes como um problema a ser 
resolvido e um desafio a ser transposto. 

No caso destes artigos de difusão científica aqui no portal do IHU, os mesmos 
são o espelho nada retorcido de um desafio. A solução teórica para uma 
possibilidade de realização do Poder Popular como uma nova forma de 
institucionalidade constituída em confronto e como forma de acumulação de 
forças para superar o pacto liberal-democrático-burguês de democracia indireta 
e elitista. Sabemos que o caráter de “novidade” deste tipo de abordagem, ou 
mesmo de redescoberta, sofrerá as mais variadas críticas. Nada que não passe 
pelo debate acadêmico de bom nível, e também pelas idiossincrasias do campo. 
Vemos o fenômeno novo, ou “ressuscitado”, como algo positivo em todas as 
circunstâncias. 

Nas raízes daquilo que estudamos, sendo a própria área de saberes e disciplinas 
cumulativas conhecidas como “ciências humanas”, surgem como algo distinto e um 
fenômeno inaugural. Ainda segundo Foucault (idem ao anterior, p.46): “o fato de 
pela primeira vez desde que existem seres humanos e que vivem em sociedade, o 
homem isolado ou em grupo, se ter tornado objeto de ciência – isso não pode ser 
considerado nem tratado como um fenômeno de opinião: é um acontecimento da 
ordem do saber”. 

Esta abordagem de “acontecimento da ordem do saber” implica em reconhecer os 
quesitos necessários para um estudo de rigor (vamos expor logo em seguida) e ao 
mesmo tempo refutar premissas de antemão. A forma escolhida de fazê-lo é a 
declaração inicial do marco de intenções, da vontade de incidência e da 
necessidade de buscar uma episteme própria para o tema. Não será com premissas 
ocultas de “maximização de ganhos e diminuição de perdas” e nem tampouco com 
“exemplificações oriundas da econometria” que iremos debater e propor um 
encadeamento conceitual para acumulação de poder e democracia substantiva. 
Nenhuma idéia pré-concebida de jogo de soma zero pode ser distributivista e 
participativa. Nenhuma ciência social ou humana honesta pode se realizar sem 
expor sua dimensão ontológica de antemão. 

Assim, com a modéstia e a tenacidade de sempre, explicito o que me move em 
coletivo e em que marco de idéias as palavras aqui expressas se encontram. O 
debate aqui traçado visa o empoderamento dos operadores reais da política, 
conceituados por nós como agentes sociais. O artigo e o conjunto da obra (da 
trilogia, da difusão e das análises) visa aproximar nossa visão a partir das 
realidades apreendidas (real experimentado e já pré-formado pelas identidades e 
alteridades coletivas) pelas classes mais pobres da sociedade - cuja definição 
geral, segundo nossa caracterização é de classes oprimidas – e cujos setores de 
classe com possibilidade de serem organizados conceituamos como sujeitos 
sociais. Eis a assertiva (de minha autoria): 

“Sujeitos sociais são Agentes (operando no nível de incidência político, 
político-social ou social) organizam e incidem sobre Sujeitos. Na ausência 
destes agentes concretos e sem um sujeito realmente existente, não há nada que 
se organize.” 

Ou seja, é necessário ter uma formação social concreta, historicamente 
constituída, dotada de identidade e sentido coletivo (mesmo que latente) para 
que possa ser organizada no sentido da acumulação de parcelas de poder próprio. 
Eis o porquê desta Teoria necessariamente atravessar o debate da cultura 
política e da composição do tecido social organizado, e para tal, passa pelo 
conceito de capital social. 

Procura-se dar um combate franco e em campo aberto. Vai-se de encontro do 
círculo “virtuoso” e auto referenciado pelos próprios pares dentro do campo 
universitário. Repetimos que, a busca é pela formulação de um entramado teórico 
que seja operacional a partir da posição estratégica das classes oprimidas. 
Assim, contribui-se para aproximar a academia para com as realidades 
subalternas, ajudando na diminuição do hiato no centro de saber para com a 
sociedade. Esta Teoria (a da Radicalização Democrática) e o esforço do qual ela 
é parte visa tornar acessíveis conceitos operacionais, municiadores de 
capacidades para o processo de decisão daqueles que operam a política de dentro 
das classes oprimidas. 
Leia também: 
§       Mais um exemplo de mau jornalismo e péssima cobertura da Zero Hora;
§       No Uruguai: a vitória da Frente Ampla e a derrota da esquerda
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