O negócio é se unir. Vocês só desunem, desuneram...
Chamem Yuno Silva pra fazer Um Movimento. 
Ele tá aí, firme-forte, grávido de idealismo...
 
Os artistas potiguares, salvo exceções raríssimas, são 1/2 abestalhados.
Cheios de guéri-guéri, de rococós, de quaish-quaish-quaish, de ranguiluse, de 
barroquisse, de béri-béri, de coisa-e-loisa...
 
Vazios de nou-ráu, de fidebeque, de mea-culpa, de escolarchipe, de 
lêvin-tíater, de rocambole, de vira-e-mexe, de nouledge...
 
Ái, edifício, se ficar o bicho pega, se correr o bicho... cráu!
 
Ainda ecoa, reflete e reverbera no panteão das artes e nos interstícios da 
sociologia potiguarânea a setença-estigma de Mestre Cascudo: "Natal não 
consagra nem desconsagra ninguém..."
 
O entanto, eu, por mim:
 
 
Não sei quantas almas tenho
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho,
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser só tenho alma,
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é.
 
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem,
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
 
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo
O que passou a esquecer.
Anoto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: “Fui eu?”
 
Deus sabe, porque o escreveu.
 




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Rezando o terço de Pedro Costa

Por Marcílio Amorim

Não sei como essa notícia não foi parar nas machetes dos jornais e blogs da 
taba poti: “Homem dá à luz a terço católico”. A performance do artista Pedro 
Costa (amigo conhecido de minha adolescência como Pedro Pan) na abertura do 13º 
Salão de Artes Visuais da Cidade do Natal, no dia 12 de março, que fez brotar 
de seu orifício anal um terço religioso, foi a azeitona do empadão que partilho 
em santa ceia com vocês. 
A não publicada manchete do dia, acima entre aspas, também poderia ser apontado 
como um milagre pelos mais fervorosos (Como aquelas imagens que choram lágrimas 
de mel no interior da vida). Afinal, não é todo dia que um homem tira do rabo 
um colar sagrado! Mas no fim das contas: o que esperam os artistas potiguares a 
não ser por um milagre?  
O “milagre do terço cagado no salão de artes visuais” se espalhou pela net em 
matéria repercutida pelos meninos ótimos da Revista 14 (www.revistacatorze. 
com.br), e chamou a atenção dos tuiteiros, com piadinha dos engraçadinhos e 
tímidas críticas dos mais puristas. 
Que não seja do tipo que se retira de dentro do rabo, mas só mrdmo um milagre 
pode salvar a cultura potiguar! Milagre, diga-se de passagem, é quando pedimos 
a um santo, a uma Deus, a um força maior que nos ajude em um momento de muita 
dificuldade, desordem e de caos total, em estado irreversível. 
O meu estranhamento não parte de cima, lá na outra ponta (onde tudo parece 
muito bem e ninguém reclama de insatisfação), mas sim de baixo, de quem recebe 
cada paulada e castigo em nosso teatro, dança, artes plásticas, literatura, 
música... Os artistas são os maiores prejudicados com a inercia das políticas 
culturais; da má gestão dos (poucos) fundos destinados ao fazer artístico dos 
artistas deste estado; da degradação, depredação e quase extinção da nossa 
memória artístico-cultural; dos espaços de apresentação cada vez mais escaços; 
da falta de público formado; da inexistente política de fomento à cultura; do 
avanço cruel dos esquemas dos exorbitantes Autos (que gastam milhões em 
espetáculo de pouca contribuição artística para quem faz e para quem assiste); 
do atraso artístico-intelectua l de nossas crianças e da falta de estímulo ao 
consumo do que é da terra. 
Mas mesmo assim ninguém faz nada! Dormentes, dormindo, doentes, calejados, 
dementes, parecem ter desistido. Parecem estar muito cansados! Como quem 
entregou os pontos e só espera! Um milagre talvez?!
Embora sua última e única esperança seja um milagre, o artista potiguar ainda 
não pariu um santo homem a ser seguido, como Maria fez com Jesus. Os fazedores 
da cultura potiguar esperam por um milagre mas não creem em santo algum! E já 
viu o que acontece nos casos de milagre sem santo, santo sem reza, reza sem 
santo...? Não dá certo!
Parece que quem encontrou mesmo o caminho dos céus foram os políticos 
potiguares, que enquanto não tem o palanque liberado e o horário eleitoral 
gratuito loteado pelos conchavos, aproveitam missa de sétimo dia, festa de 
padroeira, cultos, sessão espírita, afoxé, casamento, batizado, velório e 
enterro para fechar alianças e conquistar votos. Acendendo uma vela para Deus e 
outra para o Diabo! Sacrilégio!
Mas voltando a falar de cultura... Posso garantir que estamos encolhendo, dando 
ré, atrofiando, murchando, mediocrizando o maior motivo de orgulho de um povo: 
a sua arte! Está tudo errado!
Espero por uma saída, uma revolta, uma mobilização... Ou você (artista) quer 
passar a vida pobre, com pires na mão, fazendo arte para fazer pose, aparecer 
na capa do caderno de cultura, receber tapinha nas costas e continuar sendo o 
motivo de orgulho apenas da sua família e dos amigos mais chegados?! Tenhamos 
fé!
Santos do pau oco, charlatanismo explícito, dízimo loteado, bíblia de 
ponta-cabeça, demônios disfarçados, fedor de bosta no terço sagrado e 
continuamos acreditando em tudo, sendo enganados calados, aplaudindo absurdos, 
de joelhos e esperando algo que pode nos levar ao limbo ou pode nos fazer 
queimar nas piores fogueiras do inferno. A escolha é nossa! Vamos desfazer esse 
ebó! Alguém ai... ROGAI POR NÓS! Amém. 

Marcílio Amorim
Blog: http://www.blogsala deespera. blogspot. com 
Email e msn:  marcilioamrim@ yahoo.com. br
Twitter: www.twitter. com/MarcilioAmor imA




      

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