Os absurdos conceituais na campanha para presidente 
20 de Maio de 2010, da Vila Setembrina de Lanceiros Negros traídos por 
latifundiários vende-pátria e anti-povo em Porongos, Bruno Lima Rocha 

Tenho a impressão que com este texto, serei contestado pelas equipes de 
campanha de todos os candidatos a presidente, incluindo os próprios. Se este 
for o preço da honestidade intelectual, sai até barato. O problema está na 
definição conceitual de esquerda e de terrorismo. Vejo com profundo pesar (os 
termos são outros, mas aqui não cabem) a taxação de terrorista que circula 
abundantemente pela internet, visando os 44 milhões de usuários-eleitores da 
rede. O termo, associado à economista Dilma Vana Roussef, é no mínimo uma 
injustiça histórica. E os absurdos não param por aí.
Comecemos pelo pensamento de esquerda para depois chegarmos ao terrorismo. Ser 
ou não adepto dessas matrizes de pensamento implica em, no mínimo, fazer a 
crítica do capitalismo tanto no modo de produção como no marco civilizatório. 
Não é e nem nunca foi possível afirmar essa posição no singular. Existem 
esquerdas. Estas podem ser de base estatista ou federalista, parlamentares ou 
rupturistas, centralizadoras ou democráticas. Dentre estas posições demarcadas 
há matizes, e para cada nova causa legitimada através de luta e embates, 
briga-se para constituir as bandeiras em direitos coletivos. 

No meu ponto de vista, Dilma Roussef (PT) não é nada disso. Mesmo que não o 
diga, é uma keynesiana nacionalista, optando pelo desenvolvimento brasileiro ao 
custo do pacto de classes e do fortalecimento dos grandes grupos econômicos do 
Brasil. Daí vem tanto os números positivos do governo (irrefutáveis), como o 
enorme volume de fusões corporativas, o aumento do peso do Estado na 
organização social brasileira e as contestadas obras infra-estruturais, a 
exemplo da Usina Belo Monte. Outro economista, José Serra (PSDB), já foi adepto 
desta via embora já a abandonara, estando hoje mais à direita. Marina Silva 
(PV), mesmo sendo defensora da inclusão, sustentabilidade ecológica e 
diversidade cultural, neste sentido, tampouco é de esquerda. Da matriz de 
pensamento socialista concorrendo para o cargo de presidente, temos apenas 
outro pós-graduado em economia, o promotor público aposentado Plínio de Arruda 
Sampaio (PSOL). Plínio, longe de ser
 um revolucionário, é partidário do acionar reformista e reivindicativo. 

Passemos para o “terrorismo” e as acusações apócrifas contra a ministra de 
Lula. O terror implica em atentados contra alvos não determinados. A Bomba no 
Riocentro seria um ato terrorista, assim como o inconcluso ataque contra o 
Gasômetro no Rio de Janeiro. Nenhuma organização guerrilheira operou dessa 
forma. O único terror praticado no Brasil foi o de Estado. Dilma não é nem foi 
terrorista, e sim guerrilheira. Lutou contra a ditadura de forma conseqüente. 
Ela se portou muito bem quando caiu presa, sobrevivendo nas masmorras da 
Operação Bandeirantes sem entregar ninguém. José Serra era dirigente estudantil 
e terminou exilando-se. O mesmo exílio atravessou a trajetória de Plínio de 
Arruda Sampaio. Já Marina Silva se forjou na política pela militância social 
acreana, durante o canto de cisne do período ditatorial. Pena que os 
respectivos campos de alianças dos três primeiros colocados nas pesquisas não 
respeitam suas
 trajetórias. 

Podemos chegar a duas conclusões. Estes quatro candidatos à presidência, com 
distintos níveis de risco e compromisso, tiveram uma conduta correta diante do 
regime de exceção. E, para alegria dos herdeiros da ARENA e das viúvas da 
ditadura, do jeito que vai a campanha, ninguém mais se lembrará disso no fim de 
outubro. 
 
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