Ô puisia bunita da mulestia dus caxôrro nos forno micro-oindia!...


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A CASA DO PESCADÔ...- Poema Matuto 
  
A casa do pescadô, 
nuis tempo de antigamente, 
era quage uma tapera, 
juro a vocêis, minha gente. 
Piso de areia da praia, 
na frente, a sua catráia, 
a parte da sua lida; 
na praia, ais vara infincada, 
adonde era incolocada, 
ais suas rêde istindida. 
  
O balaio do pescado, 
linha de mão e bichêro, 
um banco munto bem feito, 
de um tronco de um coquêro. 
Sua amada se infeitava, 
dispôi qui seu bãe, tumava, 
mode isperá sua vorta; 
cum o nariz já acustumado, 
cum o chêro do seu amado, 
iscorado ao vão da porta. 
  
Tu recebia uis amigo, 
ofertando in tua tóca, 
pêxe frito no dendê, 
cum café e tapióca. 
Sendo tu, tão boa praça, 
nunca fartava a cachaça, 
cum um camarãozíin torrado; 
ais vêiz, um cardo de ostra, 
uma gostosa lagosta, 
ô um bom pôlvo insopado. 
  
Era verso, era poema, 
serenata, canturia, 
nais noite de lua cheia, 
tu amanhincia o dia. 
Cantando prá tua amada, 
na fuguêra improvisada, 
ao som do teu violão; 
acumpanhando o teu canto, 
teus zóio virtia o pranto, 
carregado de emoção. 
  
Sua vida amiorô, 
no prano materiá, 
tu viu tua casa de páia, 
num bagalô, se torná. 
Hoje, in busca do pescado, 
teu barco é motorizado, 
tem inté câmara fria; 
ninguém vai mais te isperá, 
pois tu fica in arto má, 
pescando, cinco, seis dia. 
  
Tua casa tem micro ôindia, 
geladêra, televisão, 
mode cunzinhá teu pêxe, 
forno de luxo e fugão. 
Teu balaio do pescado, 
hoje é um frize abarrotado, 
pois quando tu vai pescá; 
tua muié num se quêxa; 
e o bicho, quage num fêcha, 
cum pêxe e fruito do má. 
  
Hoje tu nem tem mais tempo, 
de mais ela, chamegá. 
Tua conta no banco é gorda, 
mais num apode apruveitá. 
Tu num tem mais um lazê, 
pescadô véio, a você, 
eu juro, sem atrapáio; 
meu irmãozíin pescadô, 
mêrmo no teu bangalô, 
tu é iscravo do trabáio. 
  
Aí, eu fico pensando, 
e matutando, na minha, 
na sodade qui tu sente, 
de tua antiga casinha. 
Nela, num tinha confôrto. 
mais tôda noite, abissôrto, 
agarrado ao teu amô; 
tu tinha, a bem da verdade, 
munto mais felicidade, 
do qui hoje, in teu bangalô... 
  
  
Bob Motta 
NATAL-RN 
16.FEV.2010 
  
  

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