Como as coisas mudam, êin?! 

Eu sabia que um dia isto aconteceria. Finalmente.

Em um futuro próximo - daqui a umas dez gerações - as pessoas se admirarão pelo 
fato da maconha, um dia, haver sido proibida e tão discriminada.

Maurílio Pinta.




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Marcha da Maconha será hoje na praça do campus
30 de Julho de 2010
 
Uma carta publicada há três semanas por quatro neurocientistas, entre eles 
Sidarta Ribeiro, diretor do Instituto Internacional de Neurociências de Natal e 
um dos principais nomes da área no Brasil e no mundo, colocou a polêmica 
discussão sobre a descriminalização da maconha sob um novo prisma. Não se trata 
“somente” da opinião de usuários, vistos de forma negativa por boa parte da 
sociedade. Trata-se de um renomado cientista, respeitado pela sociedade, 
evocando argumentos científicos para defender politicamente a viabilidade de 
retirar a maconha da lista de drogas proibidas.

Coincidência ou não, um grupo de alunos da UFRN, depois de discutir o assunto, 
resolveu criar o Coletivo Cannabis Ativa, que hoje, às 16h, realiza a Marcha da 
Maconha, com o intuito de protestar pela descriminalização da droga. A marcha 
sairá da Praça Cívica do Campus e interromperá, por pouco tempo, o trânsito da 
BR-101. Vista com desconfiança pela Polícia Militar e Civil, após a atuação do 
Ministério Público ficou decidido que a Marcha acontecerá sob o monitoramento 
da 
polícia. 


Usar, portar, vender ou fazer apologia à droga será motivo de prisão durante a 
Marcha, por se tratar de atividades proibidas por lei. Contudo, os 
organizadores, Leilane Assunção, Álvaro Andrade e Isabele Bentes, todos 
estudantes da UFRN, afirmam não ser esse o objetivo do protesto. “Queremos que 
a 
sociedade discuta o assunto, de maneira equilibrada, racional e sem 
preconceitos”, afirma Álvaro. “Essa é uma discussão um pouco mais evoluída no 
Sudeste, que ainda é vista sob certo preconceito no Nordeste”, complementa o 
neurocientista Sidarta Ribeiro.

Entre os principais argumentos utilizados pelo neurocientista, e pelos 
organizadores da Marcha, para defender a descriminalização é o potencial de 
dano 
ou vício da maconha. Sidarta Ribeiro afirma que cientificamente não há 
evidências de males causados pelo consumo de maconha. “O nosso próprio cérebro 
tem substâncias chamadas endocanabinóides, muito parecidos com o que é 
encontrado na maconha”, afirma. E complementa: “Os males relacionados ao 
consumo 
de maconha provavelmente são devidos ao ato de fumar. Não há evidência 
científica de que, se fosse consumida através de inalação, por exemplo, 
existiria dano à saúde”. A carta aberta à sociedade, enviada por Sidarta e mais 
três neurocientistas, argumenta da mesma forma. Para eles, a política de 
repressão causa mais males que o consumo da substância.

Esse é o segundo ponto de articulação dos argumentos dos defensores. 
Descriminalizar, permitindo inclusive o cultivo, seria, nessa ótica, uma forma 
de diminuir o poder do tráfico. Aliás, a ilegalidade da maconha é o motivo 
alegado pelos defensores, inclusive Sidarta Ribeiro, para a famosa ligação 
entre 
o uso de maconha e a porta de entrada para outras drogas. “Torna-se uma porta 
de 
entrada porque quem vende a maconha é o mesmo cara que vende o crack. Além 
disso, cientificamente, comparar essas duas substâncias é a mesma coisa de 
comparar cerveja a veneno de rato”, garante Sidarta. E encerra: “Infelizmente, 
as pessoas em geral ainda não tem informação suficiente para diferenciar uma 
substância da outra. O “povão” mesmo não faz distinção entre maconha, cocaína 
ou 
crack”

Leilane Assunção, uma das organizadoras da Marcha da Maconha, acredita que o 
debate sobre o tema é o melhor caminho para vencer preconceitos. Ela, e outros 
organizadores, querem rechaçar o esteriótipo do usuário de maconha. “As pessoas 
chamam de vagabundo, de maconheiro, criminoso. Queremos mostrar que somos 
pessoas bem sucedidas e levamos nossa vida normalmente. O nosso movimento é 
antes de tudo político. É um direito nosso nos manifestar sobre o que 
acreditamos”, diz Leilane, que faz doutorado no curso de Ciências Sociais.

Posicionamentos contrários 

Não precisa ser especialista em estatística para perceber que a proposta de 
descriminalizar, ou legalizar, a maconha não encontra maioria na sociedade. E 
não é somente no público leigo. Assim como Sidarta Ribeiro, outros acadêmicos 
respeitados se manifestam totalmente contrários ao “afrouxamento” da legislação 
no que diz respeito à substância. Os argumentos utilizados pelos defensores são 
replicados um a um, tornando essa uma das questões mais polêmicas em discussão 
na sociedade atualmente.

O professor de Serviço Social, João Dantas, um dos principais pesquisadores do 
tema álcool e drogadição na UFRN, se diz contrário à proposta defendida pelo 
Coletivo Cannabis Ativa. Ele prefere não entrar em questão no que diz respeito 
aos argumentos “neurocientíficos” evocados por Sidarta Ribeiro. “Não é a minha 
área, mas eu me amparo em uma série de pesquisadores reconhecidos até 
internacionalmente, como o professor Ronaldo Laranjeiras, que é psiquiatra e 
uma 
das maiores autoridades sobre o assunto”, diz.

Por esse segundo ponto de vista, a Cannabis passa a ser causadora de diversos 
problemas de saúde. “Dependência, bronquite crônica, insuficiência 
respiratória, 
problemas de memória e diminuição do rendimento acadêmico”, esses são os 
principais problemas citados pelo pelo professor João Dantas, baseado em 
pesquisas de Ronaldo Laranjeiras, pesquisador da Universidade Estadual de São 
Paulo (Unifesp). João Dantas rechaça também a idéia de “droga mais leve”. “Não 
existe droga mais leve. É impossível prever a reação das pessoas quanto a 
drogas”, afirma.

Que a maconha é “porta de entrada” para drogas mais pesadas é outro argumento 
evocado pelo professor João Dantas, assim como pela major Margarida Brandão, 
coordenadora do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência 
(Proerd). “Cerca de 80% dos crimes estão relacionados às drogas e quase a 
totalidade das pessoas que usam drogas pesadas começaram pelo álcool, tabaco e 
maconha”, diz a major, frisando que, na opinião dela, uma vida sem droga 
alguma, 
lícita ou ilícita, é o melhor para a sociedade. “Já temos uma droga lícita 
bastante perigosa e muito usada, que é o álcool. Liberar mais uma não traria 
nenhum benefício para ninguém”, acrescenta.

Liberdade

Sempre que se fala em descriminalizar a maconha, uma palavra se faz presente 
nos 
discursos: liberdade. Os defensores pretendem a liberdade de escolher se fumam 
ou não. “O corpo é meu e eu tenho o direito de decidir ao que eu exponho ele. 
Se 
fizer mesmo mal, a vida é minha, a escolha é minha e quem vai pagar o preço sou 
eu”, argumenta Jota Mombaça, de 19 anos, artista plástico e usuário de maconha 
há dois anos. O próprio conceito de liberdade é bastante apelativo, mas isso 
não 
é suficiente para convencer quem discorda.

Para o professor João Dantas, não dá para tratar o tema sob essa perspectiva 
por 
um motivo: a sociedade brasileira e seu Estado não estariam preparados para 
lidar com uma possível descriminalização. “Falam que na Holanda é permitido, na 
Espanha ou em outros países. Mas a comparação não procede porque são realidades 
muito distintas”, avalia, lembrando que no Brasil o acompanhamento e controle 
do 
poder público é deficiente, em comparação com países europeus. Um exemplo: é 
proibido vender bebidas alcoólicas para menores de 18 anos, todavia quem duvida 
da facilidade de um adolescente comprar qualquer bebida?

“Independente de ser contra ou a favor, é preciso respeitar as pessoas que 
defendem o seu ponto de vista. Sou contra proibir uma Marcha como essa. Eu não 
concordo com a descriminalização, mas se fosse fazer algo a respeito, faria uma 
marcha pela vida, daria a minha opinião. Assim é a democracia”, encerra o 
professor João Dantas. A falta de informação, de fato, é uma das mais perigosas 
“drogas” que existem.

http://www.tribunad onorte.com. br/noticia/ marcha-da- maconha-sera- 
hoje-na-praca- do-campus/ 155519
 
LEIA TB: A história do uso cultural-espiritual da Cannabis 
 



      

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