20/12/2005 12:32
*Uma nova banca de jornais para a imprensa*

*A indústria editorial impressa tem salvação e esta passa pelo papel
eletrônico. Algumas soluções já apontam um caminho que pode servir de base,
como o Zinio, ao recriar uma banca de jornais.*

Gustavo Mansur <[EMAIL PROTECTED]>

Recentemente Bill Gates disse que em cinco anos 50% da imprensa será lida
pela internet. Gates não é exatamente meu santo de devoção e normalmente
quando diz algo deste tipo é porque na seqüência vai tentar nos vender algo
relacionado. Porém seu diagnóstico, ainda que com tons proféticos, põe o
dedo em uma ferida que na realidade vai mudar nossa forma de consumir
informação nos próximos dez anos.

Já temos nas costas uma experiência de dez anos em edições digitais de
jornais. Neste meio tempo muitos meios impressos não foram capazes de reagir
à realidade que representa a web. Menos ainda tiveram a capacidade de se
adaptar e inovar com as novas necessidades que exigem o consumo digital de
informação, o acesso gratuito ou a redefinição de como funciona a
publicidade.

Muitas experiências foram realizadas, porém poucas parecem realmente ter
gerados frutos fortes e seguros. A indústria editoral debate agora novas
formas de encarar uma crise que já está cobrando um preço alto do atual
mercado.

Neste contexto estão sendo realizadas algumas experiências que podem dar uma
sobrevida ao negócio editorial de jornais e revistas. Exemplos são variados
e um caso que chama a atenção é o Zinio <http://www.zinio.com/>, uma loja
online com centenas de publicações tradicionais que podem ser lidas através
de um aplicativo próprio.

O Zinio já permite assinatura digital de revistas como Newsweek ou a Playboy
(norte-americana). Infelizmente uma oferta muito limitada aos EUA e alguns
poucos países europeus. Mas o que interessa é o modelo. Olhando com cuidado
se percebe que ele é válido apenas para a realidade atual. No fundo, a
grande descoberta do Zinio é que ele deve ser encarado como uma transição
rumo a algo muito mais ambicioso: uma plataforma para conteúdos no papel
digital.

Já estamos fartos de saber que bastam mais alguns poucos anos e a internet
estará totalmente onipresente em nossas vidas. Iremos encontrar a Rede
frente a frente seja lá para onde vamos e em todos os tipos de dispositivos.
Da mesma forma não é difícil imaginar que nossa assinatura de publicações,
ou nosso acesso à banca de revistas online será feita em qualquer lugar. Não
precisa ser só na tela do computador, no palm ou no celular.
Os dispositivos estão evoluindo da tela para o papel
eletrônico<http://eink.com/>.
Telas grandes, mas completamente flexíveis, que podem oferecer a experiência
de ler um jornal como no papel, só que em um suporte digital. Claro que a
web já faz o seu estrago levando embora leitores do papel, mas ela é incapaz
de repetir a experiência de leitura. A internet começará a roubar leitores
de papel muito mais rapidamente quando o leitor puder ler seu jornal ou
revista no trem, no avião, no sofá, sem cansar a vista e com comodidade. Não
estou pensando em notebooks ultraleves ou palms; você ainda não vai ler um
livro de Guimarães Rosa assim. É preciso repetir a experiência do papel. No
dia em que isto realmente acontecer, o papel ainda assim sobreviverá, mas
não haverá mais desculpas para evitar a mudança rumo ao digital. As
vantagens serão sempre muito maiores e gastaremos menos papel.

Muitos fabricantes já trabalham sobre este conceito. A industria editoral na
Europa já discute o assunto e todos estão conscientes de que sim, a
indústria editorial tem salvação. Este é o caminho: uma nova banca de
jornais. Vamos ensaiar com os modelos como o do Zinio porque amanhã ele pode
dar o suporte para uma nova realidade. *[Webinsider]*




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Jonathan Pereira
Bibliotecário / CRB-8° 091/2005
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