Para desencavar tesouros nas estantes

André Machado

Fala-se muito em digitalização de livros, em levá-los para o mundo online.
Antes disso, porém, há uma grande tarefa pela frente: catal ogar
digitalmente os livros físicos existentes mundo afora. Para isso, existem
padrões internacionais para classificação de obras e softwares caríssimos
que trabalham nesse nível profissional — e custam centenas de milhares de
dólares, conta Jorge Leão, professor da Coppe/UFRJ e mestre em eletrônica
pela Universidade de Toulouse, na França.

Pensando nisso, Leão, juntamente com Ubaldo Miranda, da Sociedade de
Amigos da Biblioteca Nacional (Sabin), bolou um software totalmente free e
open-source para catalogar livros — o Biblioteca Livre. Ele está
praticamente pronto, mas seu lançamento oficial se dará no primeiro
trimestre do ano que vem, porque Miranda e Leão, além de disponibilizá-lo
na internet, pretendem prensar 500 CD-ROMs com o software para
distribuí-lo a instituições que ainda não tenham conexão à web ou só
possuam um link discado, que dificultaria o download.

— O projeto começou há uns quatro anos, na verdade, mas só há pouco tempo
conseguimos aprová-lo no Ministério da Cultura e obtivemos o patrocínio da
IBM para desenvolvê-lo — conta Miranda. — Começamos catalogando
digitalmente o acervo da Ordecc (Organização para o Desenvolvimento da
Ciência e da Cultura), que nos abriu as portas para testar o software
aqui.
O Biblioteca Livre, explica Leão, é baseado no padrão MARC 21 (a sigla
significa Machine Readable Catalogging, ou catalogação legível por
máquina), usado no Congresso americano. O MARC tem 900 campos (!) para
identificar a obra de todas as maneiras possíveis, mas normalmente só são
usados 20. Outros padrões são utilizados no processo, como o Z3950, para
comunicação entre bibliotecas. Leão e Miranda adicionaram uma etiqueta com
código de barras contendo o número de patrimônio do livro numa dada
biblioteca, além de etiquetas na lombada que identi ficam a obra por
assunto e marcam seu lugar na estante.

A interface do software é simples e foi bolada para ser usada com um
navegador internet.

— Usamos Java e com isso o software roda bem tanto em Windows quando em
Linux — diz Leão. — O banco de dados é o Postgre, por ser livre e por ter
versões muito bem adaptadas para os dois sistemas operacionais. Também se
pode usar o Apache com o software — servidor que tem versões Linux e
Windows, igualmente.

Software vem com função de busca para o leitor
Pode-se criar diferentes bases bibliográficas no software (para livros,
mapas, documentos, gravuras etc) e ele vem com uma função de busca por
autor ou assunto. Serve tanto para o biblioteconomista profissional quanto
para o leitor que quer achar determinado livro.

Miranda e Leão já catalogaram no software 3.105 volumes dos 5.000 da
Ordecc. Como os padrões usados no programa são internacionais, os
registros foram buscados nos sites de bibliotecas nacionais de vários
países e colocados no software. Quando não havia registro, eles o criaram
na mão mesmo.

O programa é totalmente gratuito e a dupla já fechou acordo para
instalá-lo nas Faculdades Anglo-Americano e na Biblioteca de Petrópolis,
entre outras, diz Miranda. Há um site sobre o projeto:
www.biblivre.ufrj.br .

— Pense nos tesouros escondidos nas bibliotecas do interior que poderíamos
documentar com isso... — sonha Miranda.

_______________________________
Roosewelt Lins: http://www.profinfo.ufma.br/roo
Laboratório de Sistemas Inteligentes
Departamento de Engenharia de Eletricidade
Universidade Federal do Maranhão

_______________________________________________
Bib_virtual mailing list
[email protected]
https://listas.ibict.br/mailman/listinfo/bib_virtual

Responder a