A escrita na comunicação em rede e a construção gramatical adequada
A Internet e todos os seus corolários
tecnológicos provocaram uma espécie de
renascimento da escrita, ressurgindo o
comportamento epistolar digital ou "recaída" na
palavra. Nunca se usou tanto a escrita como nestes tempos online.
O que há é uma linguagem elíptica, ponderam os
ensaístas literários, é a própria tecnologia da
imagem que criou uma espécie de narrativa
descontínua, o videoclipe, que influenciou a
manifestação poética de muitos autores de hoje
que inovam nessa forma relâmpago pela qual as
palavras surgem já no seu esplendor. As palavras
não estão acopladas numa forma sentencial mais
prolongada ou em uma sintaxe mais complexa.
Na opinião de alguns linguístas os sinais
gráficos ou radicais abreviaturas comuns nos
textos digitados, principalmente em
emails, fóruns ou listas de discussão se inserem
em um cenário perfeitamente compreensível. As
abreviações tentam ganhar tempo na comunicação
digital, uma aproximção do tempo da fala real.
A Internet é uma escrita virtual, uma fala
digitalizada, uma mescla das duas modalidades da
língua. O conteúdo só interessa a quem escreve e
a quem lê. Assim como é inútil tentar corrigir a
língua falada, também parece inútil tentar vigiar
e corrigir a língua escrita na web, porque ela é
fugaz, efêmera e se dissipa no ar, porque sequer chega a ser impressa.
Ao possibilitar o grande fluxo das mensagens e a
distribuição da informação, tornando-a mais
rápida e acessível, as redes eletrônicas exigem
novas formas de decisão e orientação. Na
tentativa de acompanhar a velocidade do
pensamento, a digitação instaura uma nova forma
de expressão escrita, onde se pode aceitar a
adaptação oral de um termo estrangeiro, ou de um
estrangeirismo, o engavetamento apressado de
letras em uma palavra e até novos códigos
digitais, resultando em abreviações vocabulares,
supressão dos acentos ou dos sinais de pontuação, como os exemplos a seguir:
vc = você
p/ = para
tb = também
blz = beleza
naum = não
bjos = beijos
tc = teclar
rsrs = risos
trank = tranqüilo
ateh = até
A exatidão e objetividade na verbalização que
tanto distanciaram a cultura escrita em relação
ao envolvimento sentimental e emocional
experimentado por um homem ou uma sociedade
não-letrada é, agora, resgatado na escrita
digital reconstruindo estreitos laços sociais
virtuais. Inovando a simbologia da comunicação,
internautas trocam mensagens, transformando
símbolos em novos significantes para antigos significados
Uma mensagem de email não é uma comunicação à
acadêmica, surge com rapidez e emoção e se
transcreve no apressamento de uma linguagem
projetada só pelo pensamento. Embora, seja sempre
aconselhável seguir uma construção gramatical
adequada, contudo, estar em uma comunidade
virtual para vigiar erros de linguagem de
internautas em emails é uma é uma incoêrencia de participação.
Fontes:
Leitura e Escrita na Web
<http://www3.unisul.br/paginas/ensino/pos/linguagem/0501/08.htm>
Internet atrapalha a escrita e a leitura?
<http://www.portrasdasletras.com.br/pdtl2/sub.php?op=polemica/docs/internet_leitura>
Hélio Consolaro é professor de Português.
Innovative Writing - http://www.conjunctions.com/
Writing for the Web http://www.useit.com/papers/webwriting/
Writing for the Web 2 - http://www.dartmouth.edu/~webteach/articles/text.html
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