em Folha Online <http://www1.folha.uol.com.br/>
7 setembro 2006

Uma operação do Ministério Público Estadual
<http://www.mp.sp.gov.br/>apreendeu ontem documentos, notas fiscais,
contratos, cheques e registros
contábeis, entre outros papéis, na sede do MIS (Museu da Imagem e do
Som<http://www.mis.rj.gov.br/>)
e do Museu da Casa Brasileira <http://www.mcb.sp.gov.br/>, ambos do governo
do Estado <http://www.sp.gov.br/>.

A Promotoria acusa as duas associações que os administram de desvio de
recursos, superfaturamento, obtenção de vantagens indevidas e uso irregular
do espaço público.

A operação foi autorizada pela 5ª Vara da Fazenda Pública na noite de
anteontem. O Ministério Público havia entrado na Justiça, na segunda-feira,
com uma ação cautelar de busca e apreensão. A intenção foi colher provas
para subsidiar uma ação cível contra as associações, que ainda não tem data
para ser apresentada à Justiça.

A investigação foi baseada em um depoimento de uma monitora do Museu da Casa
Brasileira, também ex-funcionária do MIS, dado à Promotoria em maio. Segundo
ela, a Associação dos Amigos do Museu da Imagem e do Som e a Associação dos
Amigos do Museu da Casa Brasileira alugavam os museus para eventos e não
repassavam os recursos obtidos para a Secretaria Estadual da
Cultura<http://www.cultura.sp.gov.br/>.
Ela disse ter denunciado o caso à pasta em outubro de 2005 e começado a
sofrer represálias. A Folha não conseguiu falar com ela ontem.

O dinheiro, ainda conforme o depoimento, ia para as associações. O promotor
Silvio Marques estima que deixaram de ser repassados aos cofres públicos
cerca de R$ 500 mil por ano, "no mínimo". As entidades são conveniadas desde
março de 2006 pelo Estado para gerir os museus, embora os administre desde
1993. Ambas têm sede nos respectivos museus, localizados no Jardim Europa
(zona sul).

Para a Promotoria, as provas indicam que "algumas autoridades da Secretaria
Estadual da Cultura e administradores do MIS e do MCB praticaram
irregularidades administrativas" e podem ser responsabilizados cível ou
criminalmente.


*OUTRO LADO*

Os museus e o Estado negam as irregularidades. Roberto Loeb, da Associação
de Amigos do Museu da Casa Brasileira, disse que ainda não está acompanhando
o caso. "Mas quanto à locação dos espaços, isso sempre é feito com critérios
e com o consentimento do Estado."

O MIS informou que não se pronunciaria enquanto o processo estiver na
Justiça.

Em nota, o secretário de Cultura, João Batista de Andrade, disse que
"apurações preliminares" não indicam irregularidades, mas que analisará as
alegações da Promotoria.


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Jonathan Pereira
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