O Estado de São Paulo
Domingo, 25 de março de 2007

Mundo vive o Big Bang da informação digital
Por Ethevaldo Siqueira

Basta lembrar que, em 1996, apenas 48 milhões de pessoas utilizavam a internet rotineiramente no mundo O mundo produziu 161 bilhões de gigabytes ou 161 exabytes de informação, ao longo de 2006. Esse número representa 3 milhões de vezes o conteúdo de todos os livros já escritos - que formariam 12 pilhas de 149 milhões de quilômetros de altura, que é a distância que separa a Terra do Sol. E para cada habitante do planeta, caberiam 24 gigabytes em 2006. Essas são algumas das conclusões do estudo intitulado O universo digital em expansão: uma previsão do crescimento mundial da informação até 2010, elaborado pela consultoria IDC, por encomenda da EMC, empresa norte-americana de armazenamento digital. Para Hermann Pais, diretor-técnico da EMC no Brasil, esse “é provavelmente o primeiro levantamento mundial do volume de informação digital criada ao longo de um ano, feito com metodologia rigorosa, que nos mostra aspectos muito mais específicos do que os estudos anteriores”. Vivemos, na realidade, uma espécie de Big Bang da informação digital. Basta lembrar que, em 1996, apenas 48 milhões de pessoas utilizavam a internet rotineiramente no mundo. Em 2006, já eram 1,1 bilhão. Em 2010, haverá mais 500 milhões de usuários da web. E um dado surpreendente: mais de 60% usuários de internet no mundo já dispõem de banda larga. Dividindo-se o total de 161 exabytes de informação produzida no ano passado entre os 6,578 bilhões de seres humanos - cada habitante do planeta teria direito no ano passado a cerca de 24 gigabytes de informação digital. E mais impressionante: esse volume anual vai sextuplicar nos próximos três anos, saltando dos atuais 161 exabytes para o total de 988 exabytes de informação a ser produzida ao longo de 2010 - equivalentes a 75 pilhas de livros que cobririam a distância entre Terra e o Sol. E a média por habitante passará de 24 para 150 gigabytes.
Rumo ao zettabyte
O texto contido neste caderno de Economia do Estadão equivale a algo como 1 megabyte. A partir daqui, podemos entender melhor os grandes números, numa seqüência de múltiplos:

Mil megabytes equivalem a 1 gigabyte (ou mil cadernos de Economia como este).

Mil gigabytes correspondem a 1 terabyte, ou 1 milhão de gigabytes.

Mil terabytes perfazem 1 petabyte ou 1 milhão de gigabytes.

Mil petabytes valem o mesmo que 1 exabyte ou 1 bilhão de gigabytes.

Mil exabytes formam 1 zettabyte - que corresponde a 1 trilhão de gigabytes.

Conclusão: em 2010, a informação produzida no mundo - 988 exabytes ou 988 bilhões de gigagytes - equivalerá a 988 trilhões de cadernos de Economia do Estadão. Ou quase 1 zettabyte (mil exabytes) número que corresponde a um trilhão de gigabytes, ou 1 quatrilhão de cadernos deste jornal. Simples, não?

Ascensão do indivíduo
O mais surpreendente é que em 2010, caberá aos indivíduos ou pessoas físicas a criação de 70% da informação digital. Em contrapartida - e aí é que mora o perigo - caberá às organizações cuidar da segurança, da privacidade, da confiabilidade e da exatidão de pelo menos 85% do universo digital. Uma das mais surpreendentes previsões do estudo diz que, em 2007, pela primeira vez, o montante de informação criada deverá ultrapassar a capacidade de armazenamento disponível no mundo. Ainda que nem toda informação criada precise ser armazenada - como, por exemplo, todos os sinais difundidos de TV digital, todas as páginas da internet e todas as chamadas telefônicas de voz - é bom lembrar que uma porcentagem crescente de outras informações terá que ser armazenada. O estudo mostra, também, que as infra-estruturas atuais estão mal equipadas para atender ao crescimento do volume de informação e prover o grau de segurança e o nível de serviço exigidos, pois muitos serviços no mundo atual não admitem interrupção, ainda que por alguns segundos. Nesse aspecto, as organizações terão que empregar técnicas a cada dia mais sofisticadas de transporte, armazenamento e duplicação da informação adicionada a cada dia.
A explosão da imagem
O crescimento do tráfego de e-mails na internet tem sido incrível, pois o número médio de mensagens enviadas por usuário triplicou de 1998 a 2006, mesmo excluindo os spams, indesejados. Mas a grande massa de informações produzida nesse universo digital é constituída hoje pelas imagens capturadas por mais de 1 bilhão de dispositivos. São celulares, câmeras fotográficas, de vídeo, de segurança e equipamentos de imagens médicas em todo o mundo. Imaginem que o número de imagens capturadas apenas com as câmeras fotográficas (de imagens fixas ou still pictures) passou de 150 bilhões em todo o mundo, no ano passado. E as fotos e imagens de vídeo capturadas por telefones celulares chegaram a quase 100 bilhões. A IDC estima que o mundo quebre a barreira dos 500 bilhões de imagens capturadas em 2010.

Eis aí uma pequena amostra do Big Bang digital que vivemos.

FONTE: JC e-mail 3230, de 26 de Março de 2007.
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=45646
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