No fluxo (lento) das mensagens virais Modelo matemático revela que 
informações na internet se espalham mais devagar que o esperado.
Fonte: Ciência Hoje Online. Data: 10/09/2009.
Autora:  Sofia Moutinho.
Pesquisadores espanhóis desenvolveram um método capaz de prever o alcance e 
a velocidade com que as mensagens vão se espalhar na internet.
Quem nunca recebeu por e-mail uma corrente de "passe para frente", uma 
promoção um tanto suspeita ou aquele vídeo-sensação da semana? A 
disseminação de informações na internet é um fenômeno atual que merece 
atenção e, por isso mesmo, pesquisadores espanhóis da Universidade de São 
Carlos, em Madrid (Espanha), voltaram os olhos para a verdadeira epidemia 
que alguns desses conteúdos provocam na rede. Por meio de cálculos 
matemáticos, eles desenvolveram um método capaz de prever o alcance e a 
velocidade com que as mensagens vão se espalhar na web. O resultado foi 
inesperado: a informação transmitida por e-mail caminha a passos lentos. 
Segundo os pesquisadores, as informações na internet são como vírus - 
infectam usuários e possuem até mesmo tempo de encubação. No entanto, as 
tradicionais equações usadas para prever epidemias não funcionam na análise 
da rede: elas não levam em conta a heterogeneidade da ação humana. "Enquanto 
algumas pessoas repassam um e-mail logo depois de recebê-lo, outras podem 
levar dias ou até mesmo apagá-lo de cara", explica Esteban Moro, um dos 
matemáticos responsáveis pela pesquisa.
O estudo revelou que a maioria de nós demora em média um dia para repassar 
ou responder a um e-mail, mas 20% dos usuários da rede levam mais de uma 
semana para isso. Infectados por links que vão de vídeos de sucesso a 
campanhas de marketing viral, internautas de todo o planeta dão sequência à 
corrente de mensagens com velocidades diferentes. Essa variação no tempo de 
reposta de um e-mail é o que vai determinar o alcance que a mensagem vai 
ter. Enquanto alguns e-mails se espalham pela rede em minutos, outros podem 
circular durante anos. Os pesquisadores deram o exemplo de um anúncio que 
por 11 anos se alastrou pela rede. Na verdade, trata-se de uma promoção que 
nunca existiu. O e-mail incentivava o usuário a encaminhar a mensagem para 
10 pessoas, com cópia para a empresa de bebidas Veuve Clicquot. O falso 
prêmio para quem cumprisse a missão: garrafas de champanhe. Os pesquisadores 
explicam que, em casos como esse, a mensagem não atingiu o chamado tipping 
point (ponto de ebulição, em inglês), a partir do qual a informação passa a 
ser disseminada rapidamente. Uma mensagem não atinge esse ponto quando a sua 
disseminação é controlada por pessoas "menos ativas", que demoram a repassar 
e-mails. Já se o grupo que dissemina uma determinada mensagem é "ativo", ela 
vai se espalhar em instantes. "Acima do tipping point, a mensagem não só 
chega a uma grande parcela da população, como também chega em questão de 
minutos", diz Moro. "Não porque a mensagem seja importante, mas porque 
pessoas ativas estão controlando a difusão de informação." Rastreamento de 
e-mails Para desenvolver seus modelos matemáticos, os pesquisadores 
iniciaram uma campanha com a empresa IBM. O objetivo era agregar contatos de 
e-mail para o boletim de notícias da empresa. Uma das ações virais foi criar 
uma página onde o internauta poderia se inscrever no boletim e concorrer a 
um laptop caso indicasse e-mails de amigos.
Gráfico que ilustra como uma informação se propaga na rede em oito dias. Os 
círculos representam os internautas e as setas, a disseminação da mensagem 
(imagem: Esteban Moro e José Luis Iribarren).Os pesquisadores rastrearam as 
mensagens da campanha e constataram que em dois meses a notícia chegou a 11 
países da Europa e atingiu mais de 30 mil pessoas. "Com essa experiência 
somos capazes de predizer, com uma margem mínima de erro, a quantas pessoas 
a informação chegará e em quanto tempo", conta Moro. Apesar de ter atingido 
um grande número de pessoas, a campanha da IBM não alcançou o tipping point, 
o que quer dizer que foi controlada por pessoas menos ativas e se disseminou 
lentamente. Segundo Moro, isso acontece com 90% dos conteúdos da rede que 
são repassados por e-mail, como campanhas de marketing viral, rumores e 
trotes de internet. "Coletivamente, a maior parte da informação se move mais 
lentamente do que o esperado." No entanto, o resultado da campanha foi 
positivo: 75% das pessoas aderiram ao boletim por meio das indicações de 
amigos. "Isso significa que a campanha foi muito exitosa, já que a maioria 
das pessoas recebeu a mensagem da campanha sem nenhum custo para a IBM", diz 
Moro. O pesquisador acredita que sua pesquisa terá profundas consequências 
para as campanhas de marketing viral. "Do ponto de vista de uma empresa de 
marketing, o modelo é muito interessante, pois permite a ela avaliar o custo 
da campanha e o retorno do investimento", explica Moro. Apesar de o modelo 
ter sido inicialmente aplicado às informações difundidas por e-mail, os 
pesquisadores afirmam que ele pode ser usado para medir a disseminação de 
informações nas páginas virtuais de relacionamento, redes sociais, blogues e 
outros meios de comunicação on-line. "As previsões do nosso modelo são 
gerais e valem para qualquer tipo de informação transmitida por humanos", 
explica Moro, que agora planeja estudar a propagação de links no serviço de 
microblogue Twitter.
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Prof. Murilo Bastos da Cunha, Ph. D.
Universidade de Brasília/Dept. Ciência da Informação e Documentação
Campus Universitário
Brasília, DF  70900-910 Brasil
blog: http://a-informacao.blogspot.com/ 


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