Convido para a leitura de mais um artigo da coluna "Educação e Tecnologia"
do site Dicas-L: "Monte Santo e outras cidades conectadas"

Link direto:
http://www.dicas-l.com.br/educacao_tecnologia/educacao_tecnologia_20070615.php

Resumo:
A oferta de banda-larga sem-fio e outros serviços por municípios de pequeno
porte pode causar uma revolução sem precedentes no processo de inclusão
social no Brasil. O baixo custo e a facilidade de implementação unem
prefeitos e jovens técnicos em ações novas, descoladas das iniciativas
oficiais. Neste artigo falamos destas iniciativas e alertamos que este
modelo de conectividade social ainda está sendo escrito e por isso necessita
de maior integração entre seus atores.

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Jaime Balbino Gonçalves da Silva
Learning Designer e Consultor em sistemas de ensino
Gestão, automação e adaptação em EAD
Pedagogo e Técnico em Eletrônica
Campinas, SP - Brasil
[EMAIL PROTECTED]
Monte Santo e outras cidades conectadas
Por Jaime Balbino

Já há algum anos costumo passar as férias numa cidadezinha ao sul de Minas 
Gerais, onde mora parte da família de minha esposa. Nunca tive motivos para me 
surpreender, pois, como toda cidade interiorana de pequeno porte, tradicional e 
conservadora, Monte Santo de Minas parecia distante de qualquer revolução 
social ou tecnológica. Quer dizer, havia internet discada, Orkut e sites com 
fotos das baladas locais, mas nada além dos produtos mais inescapáveis e 
//pop// do momento. 

Qual não foi minha surpresa, então, ao saber no último natal que aquela 
cidadezinha com pouco mais de 22 mil habitantes, cuja economia está baseada na 
agricultura e na pecuária, especialmente nas suas vastas plantações de café, 
havia conectado todos os órgãos públicos através de uma rede intranet sem-fio e 
que esta iniciativa fora gestada localmente, isto é, a prefeitura não 
contratara um serviço externo "da capital" para levar a cabo algum sonho 
extravagante do prefeito, mas implementara a idéia de alguns jovens por lá 
nascidos.

Lembrei-me de Piraí. A pequena cidade fluminense fora a pioneira em oferecer 
acesso à internet em banda-larga através de rede sem-fio gratuita aos seus 
munícipes e que, por conta disso, quase foi perseguida pela ANATEL. É claro que 
Monte Santo não se encontra na mesma situação, pois a rede construída só atende 
a burocracia local, no entanto parece correto pensar que é uma questão de tempo 
até que este serviço se expanda para todos os cidadãos.

==Um modelo de inclusão social==
As cidades com menos de 20 mil habitantes constituem 75% dos 5.561 municípios 
brasileiros e são as que mais se beneficiariam do atual "estado da arte" da 
conectividade. Enquanto nos grandes centros pululam opções de acesso (mesmo que 
a preços abusivos) e o custo de se montar redes wirelles são altos por conta da 
área a ser abrangida, da topografia e do tamanho da população, nestes pequenos 
municípios a situação é exatamente oposta: faltam opções de acesso porque há 
poucas empresas interessadas e o custo/manutenção de redes sem-fio é barato, 
por conta da baixa densidade populacional e da pequena área a ser coberta. Na 
verdade, as vantagens são tantas e o custo tão irrisório que muitos destes 
municípios tomaram a iniciativa, sem esperar verbas estatais ou acordos 
privados, e mesmo tendo sua economia dependente de repasses federais.

A Lei Geral das Telecomunicações, criada na época da privatização da telefonia, 
impediu o poder público de oferecer tais serviço na tentativa de evitar 
//re-estatizações// no setor. A princípio, esta oferta de banda-larga sem-fio 
por prefeituras seria ilegal. A ANATEL, agência responsável pela regulação do 
setor, sem poder impedir os municípios isolados pelo desinteresse do 
"livre-mercado" de buscar suas próprias soluções, regulamentou novas regras 
para a oferta de serviços de acesso à internet pelo poder público, desde que 
**gratuita** para o cidadão. Ao contrário da interpretação anterior, as 
prefeituras não precisarão pagar os R$ 9 mil cobrados pela licença. Desta forma 
os municípios não se tornam concorrentes da iniciativa privada e, espera a 
ANATEL, teriam os serviços oferecidos e sua qualidade limitados.

==Caminho certo por linhas tortas==
Não dá para apagar uma história conservadora através de uma iniciativa 
tecnológica inovadora. Muitas vezes o que leva um prefeito a aceitar projetos 
de conectividade sem-fio não é o benefício direto da população (que pode em sua 
maioria nem ter acesso ao computador) mas a possibilidade de maior controle 
sobre os diversos órgãos e sobre os funcionários públicos. Não estamos falando 
aqui de eficiência administrativa, apenas de controle e punição.

Um prefeito tende a ver na ampla conectividade a chance de controlar melhor a 
entrada e saída de funcionários; os diversos almoxarifados e seus estoques; a 
segurança das ruas e órgãos públicos (agora equipados com câmeras) e, "pensando 
na educação", a possibilidade de ver o que acontece em cada classe e como o 
professor dá sua aula.

São as maravilhas tecnológicas mais uma vez se tornando aliadas de métodos 
anacrônicos de gestão e comportamento. Mas mesmo começando com "o-pé-esquerdo" 
é também uma tendência a busca por novos usos para esta tecnologia num segundo 
momento. Principalmente se a iniciativa de implantação tiver surgido 
localmente, sem interferência dos vendedores e técnicos com //produtos padrão//.

Por isso é estratégico envolver a mão-de-obra local nesta tarefa, mesmo que 
este processo seja perpassado por dificuldades e limitações, no final a 
tecnologia construída será suporte para //algo vivo// e real, passível de ser 
reconstruído e melhorado sempre. Não //uma coisa// padronizada e definitiva, 
sem identidade e que passa ao largo das expectativas e das necessidades.

==Outras iniciativas estatais==
Os diversos níveis estatais ainda são responsáveis pelos maiores investimentos 
em inclusão digital/social. Nos limitando apenas às iniciativas federais, além 
do [Gesac 
http://www.arede.inf.br/index.php?option=com_content&task=view&id=967&Itemid=82],
 dos telecentros e do projeto ["Um Computador por Aluno" 
http://pilotosdoprojetouca.blogspot.com], há novas e interessantes ações em 
andamento:

Belo horizonte se tornará a primeira metrópole a ter uma rede wirelles cobrindo 
todos seu território. Para isso serão investidos 10 milhões de reais numa 
parceria do governo federal com a prefeitura.

O Ministério das Comunicações em parceria com as telefônicas pretende investir 
13 bilhões de reais nos próximos anos para conectar todas as escolas do país. 
Não quero condenar a iniciativa, mas dá para ter uma idéia do quanto estes 
pequenos municípios poderiam movimentar sozinhos, com o estímulo certo, sem 
onerar diretamente os cofres públicos ou de forma sensível sua comunidade. Do 
mesmo ministério também saiu o acordo para as operadoras oferecem 600 minutos 
de internet discada por R$ 7,50 mensais.

A ANATEL calcula que uma prefeitura gaste até 20 mil reais para oferecer acesso 
aos seus munícipes. Não raro com um bom planejamento e aproveitando-se o 
conhecimento local é possível iniciar um projeto razoável com uma fração deste 
valor.

==Um modelo ainda em construção==
Neste artigo falamos muito de números, quantificamos os benefícios e medimos o 
interesse através de estatísticas e valores. Esta é só uma maneira de ver as 
coisas, na nossa cultura é a mais direta. Finalizemos, então, com uma proposta: 
ainda não existe um modelo de conectividade que atenda plenamente às 
necessidades locais, portanto já está na hora destes municípios pioneiros 
aparecerem, compartilharem suas iniciativas e abrirem seus projetos. A troca de 
experiências é a forma mais barata e eficiente de inovar nos grandes projetos 
sem correr o risco de "errar feio". Projetos, equipamentos, plantas, 
habilidades, rotinas e serviços devem ser compartilhados para que o dinamismo 
não se perca e para que as iniciativas nasçam e cresçam de forma saudável e 
sustentável.

Fica a sugestão e o apoio. A revolução já começou e seu rumo é traçado por nós 
a cada instante.

==Links relacionados==
[Sobre cidades digitais 
http://www.arede.inf.br/index.php?option=com_content&task=view&id=911&Itemid=99],
 leia esta excelente matéria da revista A Rede (leia também este [editorial 
http://www.arede.inf.br/index.php?option=com_content&task=view&id=909&Itemid=99]
 da revista).

[Regulamentação da ANATEL 
http://adadigital.net/index.php?option=com_content&task=view&id=49&Itemid=1] 
que permite aos poder público oferecer gratuitamente acesso à internet.

A notícia da regulamentação, [segundo o Blog do Américo 
http://digitalmediauniverse.blogspot.com/search?q=anatel].

[Blog http://adadigital.net/] da Ada Lemos.

[Uma matéria 
http://www.arede.inf.br/index.php?option=com_content&task=view&id=797&Itemid=99]
 sobre as diversas visões sobre a universalização do acesso.

[Outra matéria http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=18&id=188] 
sobre universalização do acesso e redes sem-fio.

Um [site http://www.montesantoonline.com.br/] sobre Monte Santo.

Sobre [a rede pública em Belo Horizonte 
http://idgnow.uol.com.br/telecom/2007/06/11/idgnoticia.2007-06-11.5001411191].

[Matéria 
http://www.arede.inf.br/index.php?option=com_content&task=view&id=966&Itemid=82]
 Sobre a internet discada a R$ 7,50.

Sobre [Wimax e TV Digital 
http://www.dicas-l.com.br/educacao_tecnologia/educacao_tecnologia_20060915.php]

Sobre [convergência tecnológica 
http://www.dicas-l.com.br/educacao_tecnologia/educacao_tecnologia_20061011]



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