Oi Juliano, em linhas gerais, concordo comtigo, seguem alguns comentarios:
2008/6/24 Juliano Bittencourt <[EMAIL PROTECTED]>: > Nos útlimos meses tenho presenciado nesta lista várias > discussões de colegas sobre a questão do Windows XP rodando no XO, da > saída do Walter Bender da OLPC e do surgimento do SugarLabs. Acho toda > a discussão importante para refletirmos profundamente acerca destes > fatos e das questões que levantam e por isso tenho me colocado como > espectador atento de todo esse processo. Entretanto vi nos últimos > tempos o surgimento de alguns argumentos que particularmente considero > preocupantes. Também tenho visto uma depreciação da imagem da OLPC > baseada muito mais em falta de compreensão e diálogo do que em fatos. Concordo, mas espero que tu tambem concordes comigo em que a OLPC nao tem comunicado muito bem ate agora. Confio em que nos proximos meses vai acontecer um esforco de melhorar o dialogo com a comunidade. > A primeira grande falácia que tenho ouvido repetidas vezes é > que agora (após a versão do Windows XP para o XO) o que importa é o > Sugar e não mais o XO. Por mais que eu goste do Sugar, desde de quando > criar um laptop de baixo custo, baixo consumo de energia e > conectividade mesmo sem Internet deixou de ser uma boa idéia? O XO é > significativamente mais sofisticado que os outros laptops que se > propõe a concorrer com ele, e o seu esforço de engenharia não foi > colocado apenas em minituarização, mas principalmente em fazê-lo > funcionar em condições onde nenhum outro funciona. Por exemplo, em > Ruanda 99% das escola primárias não tem eletricidade. Neste tipo de > cenário qualquer um dos concorrentes do XO funcionaria? Mesmo no > Brasil, 11% das escolas públicas da Amazônia Legal não tem > eletricidade. Antes mesmo da primeira linha de código ser executada, > é necessário existir uma máquina viável, tanto economicamente quando > tecnicamente considerando os contextos que ela se propõe a atender. Nao tenho certeza de ter ouvido que o que o unico que importa e o Sugar. O que acontece e que o Sugar e um projecto em que qualquer pessoa pode colaborar, em quanto que fazer uma maquina requer de uma maneira de trabalhar diferente. Em outras palavras: sabemos como desenvolver software de maneira totalmente aberta e inclusiva, mas hw? Se voluntarios a minha volta mostran-se frustrados pela maneira como OLPC tem comunicado certas coisas, e eu nao posso clarificar nada porque tenho a mesma (confusa) informacao, que posso fazer? Pedir a gente que mantenham uma fe cega na OLPC? Escolhimos diferenciar Sugar da OLPC, de maneira que as pessoas possam contribuir a um projecto com a confianza de que o fruto do seu esforco nao vai depender de negociacoes a portas fechadas em Boston ou Redmond. E e claro que a OLPC percebe que Sugar tem que ser un projecto independente, eles nao querem estar a manter sozinhos esse software para sempre. > O segundo equívoco que tenho observado é a idéia de que o > acesso a um software inovador por si próprio garantirá uma revolução > na educação. Bem, essa é uma equívoco que muitas das pessoas mais > geniais que trabalharam na área cometeram no passado, e que gostaria > de não ver repetido. No início da reflexão sobre informática na > educação, pensou-se que o simples acesso do LOGO garantiria uma > restruturação da escola. Na realidade o que aconteceu foi a escola > assimilando o computador no laboratório de informática e substituindo > os usos inovadores do LOGO por aulas de LOGO. Depois, substituindo as > aulas de LOGO por aulas de computador, então nada remanescendo das > idéias originais sobre computadores e aprendizagem. Pensar que por > mais genial que o Sugar seja, que ele vai revolucionar a educação por > si só é no mínimo um equívoco. Ele é apenas uma parte de um projeto > maior e devemos tomar cuidado com a forma que usamos o termo "é um > projeto educacional". Já presenciei ele sendo utilizado de formas > muito "mundanas" como em "aulas de sugar". Se não existir esforço em > inserir novas idéias acerca da aprendizagem e como os computadores > podem auxiliar nesse processo, ele não passará muito mais disso. Concordo totalmente. > Outro ponto relacionado a isso é julgar que o sugar é o novo > representante legítimo do construcionismo de Papert. O constucionismo > é uma proposta pedagógica para o uso do computador na educação e não > uma especificação de software. Muitas pessoas, inclusive nós aqui no > LEC, buscamos utilizar o computador dentro de uma proposta > construcionista muito antes da discussão sobre software livre começar > a surgir. Para isso utilizamos primeiro os MSX e depois PCs rodando > Windows. Para ser franco, por mais que nos posicionemos a favor do uso > de Linux nas escolas, ainda é bastante difícil encontrar softwares > livres educacionais com qualidade para apoiar práticas construtivistas > e a implantação do Linux nas escolas públicas brasileiras tem sido até > então, no mínimo difícil. Por isso tomemos cuidado ao dizer que o > Sugar é o novo monumento ao construcionismo e quem não usa ele (ou > quem usa software proprietário) não está sendo construcionista. Papert > quando desenvolveu o construcionismo não utilizou software livre. Concordo, nao ha muito que expliquei em IAEP que eu nao vejo o Sugar como um ambiente so para criancas, nem so para paises em desenvolvimento, nem so para "suportar o construccionismo". O meu objetivo e desenvolver um ambiente grafico que facilite o acesso a leitura, a simulacao, a expressao, a colaboracao, etc. Espero que sejam outros os que se preocupem de utilizar estas ferramentas da melhor maneira. http://lists.lo-res.org/mailman/listinfo/its.an.education.project > Nessa altura muitos devem estar pensando que eu sou contra o > Sugar e o software livre! Muito pelo contrário. Dediquei muitos anos > da minha vida ao trabalho com Linux dentro das escolas públicas e > particularmente acho o Sugar umas das coisas mais legais que se > inventou na área de software nos últimos tempos. Mas usando uma idéia > de Paulo Freire (já que falamos de educação) que gosto muito, devemos > distinguir a militancia cega do pensamento crítico. No caso evitar a > militancia é pararmos de olharmos para o nosso próprio umbigo e termos > atitudes colonialistas nos intitulando "herórios/salvadores das > criancinhas do país X" pq desenvolvemos o sugar, e termos pensamento > crítico é sermos capazes olharmos para os nosso próprios problemas e > falhas, aprendermos com eles, e nos re-estruturarmos mais fortes. Por > exemplo, por mais que defenda o software livre nas escolas públicas, > sei das muitas dificuldades que isso traz para os professores, e acho > que a solução não é negar as dificuldades mas sim trabalhar para > soluciona-las. Concordo. > Nesta linha de pensamento, volto ao ponto que gerou toda essa > polêmica que foi o Windows XP sendo portado para o XO. E aqui ouso a > pensar que faço mais um alerta. Se um país decide que o melhor para > educação de suas crianças é utilizar Windows XP, quem somos nós para > dizermos que não? Não estaríamos sendo contraditórios em dizer que as > pessoas tem *liberdade* de escolha desde de que façam as escolhas que > nós julgamos corretas? Se o movimento do Software Livre representa na > sociedade moderna um movimento pela liberdade, devemos respeitar > aqueles que não desejam se juntar a nós. Discutir, tentar influenciar, > abrir possibilidades, trazer novas idéias: sempre. Impor, nunca!!! > Justamente pela OLPC ser um projeto de educação, seria correto ela > negar as crianças de uma determinada nação acesso aos seus laptops (e > dentro da sua lógica a possibilidade de uma educação melhor) só porque > os políticos decidiram que querem Windows nas máquinas? Aqui e que eu vejo um equivoco ;) Os paises tem liberdade de escolher o software que desejem, mas as pessoas tambem temos a liberdade de opinar sobre essa escolha, e sobre tudo de decidir se vamos a dedicar o nosso tempo num esforco ou nao. Quem tem estado a tentar impor nada a pais algum? Alguem tem proposto tomar um Parlamento ou Congresso pelas armas? > No Brasil, uma das coisas que mais admiro é como o movimento > de Software Livre conseguiu com muita habilidade atingir as esferas > mais altas do governo. Sem imposição, mas com conscientização. Ao > invés de simplesmente negarmos aos outros países laptop com Windows, > devemos trabalhar com as pessoas daquele país para ver como é possível > influenciarmos as idéias de seus governantes. Certamente, lembra-me uma palestra que ouvi uns messes atras sobre como a gente do SkoleLinux tem introduzido linux e software livre nas escolas da Dinamarca. > Por fim, gostaria de dizer que acredito que a maior parte das > críticas a OLPC que tenho visto aqui são, no mínimo, injustas. A OLPC > continua não só apoiando mas também patrocinando o Sugar, considerando > que a maior parte dos desenvolvedores são funcionários ou consultores > da OLPC. Se esta tirasse o seu apoio financeiro ao projeto, poderíamos > no mínimo lançar dúvidas sobre a sua continuidade. Nessa mesma idéia, > se a OLPC fechasse amanhã, poderíamos lançar também dúvidas sobre a > disposição das empresas em criar laptops de baixo custo para educação, > os quais canibalizam suas margens de lucro. Mais um equivoco, desde quando os projectos mais importantes tem que receber menos criticas? Sempre que as criticas sao constructivas e procurem melhorar o entendimento comum, porque as vamos calar? > Por fim, dizer que o foco agora é o Sugar e não a OLPC é como > dizer que o importante é o piano e não os pianistas. Certamente. Agora, o que eu percebi e que um individuo exprimiu a sua decisao de dedicar o seu tempo ao Sugar e nao ao OLPC. Qual e o problema com isso? Certamente, OLPC vai ganhar tambem em quanto continue a utilizar Sugar. > Peço desculpas antecipadamente se ofendo alguém, mas achei > importante compartilhar esses pensamentos com o grupo. Muito obrigado pela tua sinceridade e claridade de exposicao. Abracos, Tomeu _______________________________________________ Brasil mailing list [email protected] http://lists.laptop.org/listinfo/brasil
