Prezad@s, temos de reconhecer que a exitência hoje do "nosso" Portal SPB foi fruto de uma caminhada ao longo de diversos anos e com muitos esforços. Portal que disponibiliza aplicações para o setor público aplicáveis às diversas necessidades de funcionamento da máquina pública. E isso sem custos ou burocracias. Lembro-me como foi difícil criar e manter uma agenda continuada de conversas com a CGU e o TCU de forma a se poder colocar os elementos necessários para que esses órgãos de controle se convencessem da importância do compartilhamento de software no âmbido da administração pública. Inicialmente, a CGU e o TCU entendiam que disponibilizar os softwares que foram obtidos através de investimentos públicos, na forma não custosa (ou seja, de graça), era sinônimo de prejuízo patrimonial para o Estado pois este estaria perdendo um bem. Naquele momento, esses importantes órgãos da administração não conseguiam entender que o compartilhamento destes bens instangíveis significava um ganha-ganha benéfico para o desenvolvimento do Estado, bem como de toda a sociedade. Que estávamos diante de um novo modelo de negócio, muito mais aderente aos novos tempos e que exigia um reposicionamento do Estado diante da nova realidade. Para o avanço do Portal SPB e da possibilidade do compartilhamento de softwares no âmbito do poder público essa mudança de entendimento das controladorias se tornaram uma questão essencial: mostrar que o compartilhamento do intangível não representaria qualquer perda patrimonial para o Estado e era necessária à toda a sociedade.
Reconheço o papel fundamental que teve Corinto e equipe neste processo, que de forma paciente, perseverante, inteligente e minuciosa, conseguiu gradativamente ir mostrando a importância do software compartilhado e fazer com que as pessoas (não só das controladorias, mas muitos gestores de muitos ministérios) se convencessem da importância desse entendimento. Demorou, mas a tese do compartilhamento através do portal SPB foi vencedora para o bem de toda a sociedade. E o sonho virou realidade. Temos o Portal SPB com muitas soluções, reconhecido nacionalmente e internacionalmente. Temos centenas de empresas mapeadas e cadastradas nesse portal com capacidade de prestar serviços tecnológicos referente as soluções disponibilizadas. Os sonhos são tão importantes, pois são os que de fato impulsionam mudanças: de crenças, paradigmas, mitos, arranjos institucionais...políticas. Movimentam pessoas e instituições. E Corinto e equipe tinham o sonho, que hoje já não é mais um sonho (para o bem de toda coletividade), é realidade. Hoje, quando faço a leitura dessa matéria referente a CGU ( http://www.cgu.gov.br/noticias/2015/06/cgu-identifica-possibilidades-de-economia-de-recursos-publicos-em-investimentos-de-softwares), a qual revela o entendimento da controladoria quanto à importância do software compartilhado, fico deveras feliz. Para mim é muito rápido entender a preocupação da controladoria quanto ao fato do governo federal estar utilizando pouco as soluções já disponibilizadas através do Portal SPB. No entanto, ao refletir com mais cuidado, fico também com um sentimento de preocupação: motivado pelo fato das soluções disponibilizadas através Portal SPB não estarem ainda suficientemente difundidas no âmbito do Estado, depois de mais de uma década de esforços. Talvez esse prenúncio de que a CGU esteja cada vez mais convencida de que o fato da administração pública não utilizar extensivamente soluções livres e compartilhadas seja sinônimo de perda de economicidade e de efetividade da máquina pública me pareça insufiente para dizer finalmente....."tudo valeu a pena". Realmente, me preocupa o fato dos gestores públicos não estarem convencidos da força inovadora de soluções compartilhadas de software livre. Já era tempo disso, pois o portal SPB já está consolidado. Esses retrocessos citados aqui na thread na questão do Expresso (poderíamos até citar outros), evidencia uma coisa: a incapacidade dos gestores públicos (de maneira geral, mas claro que temos bons gestores) de discernir entre escolhas tecnológicas que levem de fato a um processo sinérgico de modernização do Estado de curto, médio e longo prazos. Entendo ser urgente a criação de uma agenda para discurtir o Estado do século XXI que queremos. Eu avalio que urge termos mais estruturas de TICs no âmbito da máquina do Estado vinculadas aos espaços de alta direção. Mais pessoal com capacidade de formulação e execução de "Políticas Científicas e Tecnológicas" vinculados a esses espaços de alta direção. Sem isso, no meu entender, as ações de modernização do Estado apoiadas por softwares (que são quase 100% dos casos) ficarão restritas a esforços de heróis e de forma insuficientemente difundida. Eu não fico no dilema levantado pelo Machado "do ovo ou da galinha": a política industrial do software livre e compartilhado só não está mais robusta e de melhor qualidade por falta de decisão governamental e de uma boa política de fomento. O governo não tem que paternalizar o processo, mas tem obrigação de induzir aquilo que é bom para a sociedade brasileira. Temos sim boas empresas de software livre, bem intensionadas, capacitadas. Essas empresas têm capacidade de dar suporte ao conjunto de softwares livres disponíveis no mercado. Basta que sejam demandadas. A utilização do poder de compra do Estado para induzir uma política tecnológica-industrial para o software livre e de qualidade é fundamental. Urge a mudança de entendimento daqueles que tomam decisões no âmbito do estado, saindo do modelo das "caixinhas" de software para o modelo de serviços de inteligência de software. Temos soluções, temos empresas e temos que acreditar na capacidade da brava gente brasileira!
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