Os Evangelhos falam dos possessos como daqueles que t�m um daimon. A palavra
s� aparece uma vez em MT. 8, 31, ou muito mais comumente como tendo um
daimonion (11 vezes em Mateus, 14 em Marcos, 23 em Lucas e 6 em Jo�o).
Os possessos s�o descritos como daimonisomenoi endemoninhados, atormentados,
presos dum dem�nio (7 vezes em Mateus, 4 e, Marcos, uma em Lucas e Jo�o).
� seguro que n�o guarda nenhuma rela��o etimol�gica com Satan�s ou diabolos.
A palavra daimon, muito provavelmente deriva etimologicamente de daiomai,
dividir, distribuir.
O significado mais antigo de daimonion, � uma divindade inferior. E por
�ltimo note-se que em grego, daimonion pertence ao g�nero neutro, nem
masculino nem feminino. � uma coisa e n�o uma pessoa. Eram as for�as
divinizadas da natureza, os demiurgos, a quem os judeus come�aram a atribuir
o mal e os identificaram com os anjos rebeldes da B�blia.
OS ENDEMONINHADOS DO NOVO TESTAMENTO:
H� uma s�rie de dados que chamam desde logo a aten��o: - nenhum tem os
sinais do RR.
O da sinagoga de Cafarna�m, era v�tima de convuls�es.
Noutros, a possess�o era causadora de surdez, ou surdez e cegueira
combinadas. H� quem afirme que s� foram atribu�das ao dem�nio as doen�as
ps�quicas. Mas concretamente no Evangelho, as doen�as atribu�das aos
esp�ritos s�o as que podemos classificar como doen�as internas e que hoje se
conhecem como causadas por diversas desordens gerais do c�rebro (n�o
percept�veis aos olhos ou defici�ncia cerebral localizada). E todos os casos
do Evangelho pertencem a esta categoria: os surdos-mudos, os epil�pticos e
os loucos.
A um mudo ou surdo, p.ex., n�o se lhe via defeito. Tinha boca e l�ngua para
falar e ouvidos para ouvir, s� que n�o falavam nem ouviam.
No caso dos epil�pticos a evid�ncia � ainda mais clara. Em MT. 17, 15, o
jovem � chamado de lun�tico, que vem do latim luna, pois acreditava-se que
esta doen�a estava ligada �s fases da lua. Aqui temos um caso evidente de
uma doen�a interna que se atribui aos dem�nios, pois aparentemente n�o havia
nenhuma causa natural para a repentina e estranha conduta manifestada pelos
epil�pticos durante o acesso e Jesus n�o ia colocar uma chamada para o s�c.
XX, quando o tratamento da doen�a iria surgir.
O mesmo podemos dizer dos loucos, pelos vistos frequentes na regi�o dos
gadarenos. Tinham uma conduta estranha e anormal, no entanto eram
fisicamente perfeitos. A CAUSA DA DOEN�A N�O ERA VIS�VEL.
Portanto, quando a causa da doen�a � percept�vel pelos sentidos, quando �
vis�vel, por assim dizer, palp�vel, nunca � atribu�da ao dem�nio. Nestes
casos a causa da doen�a estava clara: a ferida externa, a deformidade f�sica
vis�vel de um ou mais membros.
N�o se fala nunca em dem�nios numa cura de leprosos.
Por outro lado, vemos uma vez os disc�pulos indignados por verem algu�m que
expulsava dem�nios em nome de Jesus, o que nos leva a crer que havia outros
exorcistas que se dedicavam a exercer sem invocar o nome do Messias, como
este d� a entender ao perguntar : - "Se eu expulso os dem�nios por Belzebu,
vossos filhos por quem os expulsam?".
Servi�o secreto demon�aco a funcionar: - o da sinagoga de Cafarna�m, sabe
que Jesus � o "santo de Deus".
Outros ajoelhavam: - "Tu �s o Filho de Deus"... Nem mesmo os Doze sabiam,
pois nem sequer tinham sido eleitos!
Tal elei��o, em Marcos, produz-se pouco depois, no cap.3, 13. O caso da
sinagoga de Cafarna�m, est� em Mc. 1, 24 e em Lc.4, 34 (neste a elei��o foi
em 6, 12).
E hoje a parapsicologia explica perfeitamente estas adivinha��es, sem
precisar recorrer ao dem�nio: HIP ou telepatia...
Mesmo os mais ortodoxos n�o podem aceitar esta adivinha��o como vinda do
dem�nio, pois at� S. Tom�s a nega. Diz ele que o dem�nio n�o pode adivinhar
o pensamento dos homens, nem conhecer o futuro. ("Summa Teol�gica", prima
pars, questio 54, articulus 19).
O menos que podemos pedir ao dem�nio � que n�o seja ap�stolo...
CASO DO ENDEMONINHADO EPIL�PTICO:
Era epil�ptico e n�o hist�rico. Provar.
Histeria: reac��o de convers�o.
Na B�blia de Jerusal�m e nos sin�pticos todos referem endemoninhado
epil�ptico...
Vulgares: Marcos: epil�ptico;
Lucas: epil�ptico endemoninhado;
Mateus: lun�tico.
"Um homem suplica a Jesus que tenha pena do seu pobre filho endemoninhado".
Os disc�pulos j� tinham tentado curar sem resultado e Jesus respondeu que
"esta esp�cie n�o pode ser expulsa por nenhum meio, sen�o pela ora��o". Logo
vemos que n�o era um dist�rbio psicossom�tico; n�o era histeria, era
epilepsia. Sintomas claros: ca�a por terra, lan�ava espuma pela boca, rangia
os dentes, lan�ava-se ao fogo e � �gua em risco de perecer...
O Evangelho � muito claro: cura de um endemoninhado, de um epil�ptico, mas
sempre a palavra cura.
Se fosse um transtorno psicossom�tico, bastaria a sugest�o da palavra cura
para o doente. Ali foi preciso fazer algo mais e Jesus fez... um MILAGRE...
E foi cura definitiva, pois foi este o �nico caso em que se ordena ao
dem�nio para se ir embora de vez:
"Esp�rito surdo e mudo, eu te mando, sai deste homem e n�o voltes".
Mas ser� que assim podemos pensar que nos outros casos n�o ter� havido mais
que uma remiss�o temporal?
Geza Vermes, cita a opini�o de um psiquiatra que queria ver os curados por
Jesus depois de seis meses...
Todo aquele que pretende curar na base da sugest�o, est� a adoptar um
comportamento curandeiril, fazendo um triste favor ao doente, pois n�o lhe
est� a tratar as causas mas s� os sintomas.
No entanto com Jesus isso n�o acontecia, pois Ele mesmo nos diz ao cortar a
palavra aos murmuradores:
"Quando o esp�rito impuro sai de um homem, foge para os lugares �ridos,
procurando repouso e n�o o encontra. Ent�o diz: voltarei a minha casa donde
sa�. Volta e encontra-a limpa e adornada. Ent�o vai e leva consigo outros
sete esp�ritos piores que ele que, entrando, ali habitam, vindo a ser o
estado do homem pior que ao princ�pio".
Temos que reconhecer que Jesus curava estes casos, sabendo do perigo da
simples sugest�o e for�osamente fazia algo mais, a n�o ser que admitamos
Nele um comportamento irrespons�vel!
Mesmo Vermes, que n�o aceita a Sua divindade, lhe reconhece um c�digo �tico
diferente. Textualmente: "No Seu c�digo �tico, havia algo de sublime,
distinto e original, sem paralelo em algum c�digo �tico hebreu". ("Jesus el
Judio", Geza Vermes, p�g.236 - Muchnick ed. Barcelona 1977).
Portanto, se num c�digo �tico inatac�vel, usava a sugest�o como meio
terap�utico, mesmo sabendo dos perigos de a aplicar, n�o seria que na sua
sugest�o havia algo mais?
Jesus servia-se das for�as da natureza sim, mas porque o n�o faria, sendo
Ele o senhor e dono dessas mesmas for�as? Usou-as como quis, quando quis,
sem transes nem prepara��es pr�vias.
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Maria Luisa Albuquerque
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