Fernando De Matos wrote:�ptimo. Quando puder tecer algumas considera��es
sobre o assunto (da tanatologia), agradecemos. J� agora, talvez me possa
esclarecer dois pontos,  1) a pessoa antes de "morrer" tem um peso,
quando "morre", quando d� o �ltimo suspiro:  a) fica com o mesmo peso;
b) o peso a menos � proporcional ao ar expelido; c) o peso a menos n�o
se justifica; d) fica com peso a mais; e) outra (por favor esclare�a).


>
> Resposta: N�o sei. Nunca pesei uma pessoa a beira da morte. Alias, um
> dos problemas da medicina hoje em dia � definir claramente quando uma
> pessoa morre. O "�ltimo suspiro" n�o � necessariamente um ind�cio
> definitivo de morte.  Recentemente, em um encontro internacional em
> Cuba, o conceito de morte encef�lica foi novamente colocado em xeque.
> Isso nos traria o problema metodol�gico para definir a hora exata em
> que uma pessoa esteja efetivamente morta, assim, em que momento devo
> "pes�-la"? Como significar as poss�veis diferen�as de peso?  O pr�prio
> processo de morte � muito relativo pois embora as fun��es vitais
> possam cessar (atividade cerebral, pulsa��o, respeita��o etc), certos
> processos de manifesta��o vitais continuam a ocorrer certo tempo
> depois da morte. Por exemplo, uma m�e ainda pode manter um feto vivo
> mesmo estando sem as fun��es vitais, dependendo do caso, por mais de
> uma hora.  Pessoalmente me definiria como agn�stico, n�o acredito em
> vida ap�s essa que estamos desfrutando agora mas estou aberto a
> especula��es a respeito. Por exemplo, se existir a alma, ela teria
> peso? Mas, onde est� escrito que a alma abandonaria imediatamente o
> corpo depois da morte?  Como frisei, meu centro de interesse em
> rela��o a morte diz respeito a quest�o das representa��es. No nosso
> s�culo, devido aos ava�os da medicina, criou-se a ilus�o da
> possibilidade de imortalidade f�sica. Na verdade, o m�dico deixou de
> ser um expectador da evolu��o da morbidade e passou a intervir com
> relativo sucesso podendo muitas vezes debelar alguns tipos de mal ou
> mesmo prolongar a vida do paciente. Esse processo de prolongamento
> pode levar a distan�sia, situa��o em que o paciente � mantido em
> relativo equil�brio de suas fun��es vitais mas em situa��o de
> indignidade, dada a qualidade prec�ria de seu estado f�sico e
> irreversibildiade do quadro. O que me interessa na verdade � entender
> que processos de defesa psicol�gica s�o utilziados por quem trabalha
> diretamente com a morte. Al�m disso, como as representa��es sobre a
> morte e o morrer colaboram para constituir a identidade individual,
> oferecendo subs�dios para que o indiv�duo produza a resposta para a
> seguinte pergunta: "Quem sou eu?"

>
>   2) Em termos de segrega��es odor�ficas, preserva��o do corpo ou de
> algumas das suas partes (incorrup��o verdadeira), o que � que pode
> dizer a respeito?

Resposta:

> Novamente, como dizemos aqui no Brasil Fernando, "esta n�o � minha
> praia", ou seja, n�o � um assunto que eu domine. Sei apenas que
> dependendo da composi��o qu�mica do solo ou mesmo de virtuais
> subst�ncias que o indiv�duo possa ter ingerido em vida, seu corpo pode
> se manter preservado durante muito tempo. Um caso c�lebre, ao que me
> lembro, foi o de Napole�o Bonaparte envenenado com ars�nico. Tornou-se
> c�lebre a preserva��o de corpos de pessoas tidas como "santas". Antes
> de recorrer a explica��o pela interpreta��o do "milagre" creio que a
> ci�ncia baseada na f�sica, na qu�mica e na biologia possa oferecer
> explica��es a contento para estes fen�menos. No mais, historicamente,
> a igreja sempre se proveitou destes fatos naturais para manter o
> controle mental de seus fi�is. Como dizia Lutero, na �poca da reforma,
> se referindo ao uso indiscriminado das rel�quias, s� de ossos dos
> ap�stolos de Jesus daria para termos 18 ap�stolos apenas com as
> igrejas da Alemanha. Com as lascas das cruzes de Jesus poder�amos
> remodelar toda  a marinha mercante. Pessoalmente n�o acredito em
> milagres, n�o acredito em deus, n�o acredito em nenhuma igreja.
> Acredito que significamos os fen�menos da natureza e/ou aqueles feitos
> diretamente pela m�o do homem de acordo com as possibildiades
> oferecidas pelo conhecimento existente em cada momento hist�rico. Um
> homem que retornasse de um  estado de catalepsia na idade m�dia
> poderia ter sido, por exemplo, "resuscitado" pela interven��o de algum
> santo. A remiss�o espont�nea de tumores pode ser perfeitamente
> explicada a partir da a��o concreta do sistema imunol�gico humano e,
> estatisticamente, � algo muito raro de ocorrer mas n�o imposs�vel.
> Para tal ocorr�ncia n�o � necess�rio que algu�m se dirija a qualquer
> santu�rio ou fa�a qualquer ora��o como demonstra Carl Sagan em
> interessante artigo.




> E, me perdoe mais algumas quest�es, j� elaborou algum livro sobre o
> assunto? Em termos, psicol�gicos, sociais, culturais... como um
> historial generalizado do morrente (por poss�veis tra�os comuns a
> todos)?... N�o seria �ptimo considerar um trabalho destes? Qui��, at�
> para um doutoramento.
>

Resposta:

> Estamos, eu e meus alunos, em fase final da produ��o de um livro que
> discute algumas manifesta��es da morte na artes e na cultura. Temos
> tamb�m pesquisas discutindo como aprimorar um atendimento mais
> humanizado a pacientes terminais. Essa mesma publica��o expor�  dois
> estudos de caso com profissionais que lidam diretamente com a morte
> bem como um interessante estudo demonstrando a mercantiliza��o das
> pr�ticas funer�rias (como as funer�rias tem mudado seu discurso
> transformando suas pr�ticas de venda em um alinguagem similar �quela
> utilizada para vender autom�veis). Como percebes, n�o estou preocupado
> com a investiga��o da exist�ncia da alma. Me interessa mais entender
> como a "sombra" dos mortos permanece na cogni��o dos vivos. No momento
> estou concluindo Doutoramento em Educa��o.

>
>  Seja bem sucedido em todos os campos, em particular com o seu filho.
>  Resposta:
> Muito obrigado Fernando!! Epero que a gente, trabalhando em �reas
> distintas, possa manter uma f�rtil colabora��o m�tua. J� o meu filho,
> adora subverter os manuais de psicologja de desenvolvimento. Ainda bem
> que nos aspectos positivos!!!
>
> Respeitosamente
>
> Erasmo Ruiz
>
>
>
>
>

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