Supranormais. Agora sim

NO AVENTAL… — Comecemos pelas coisas. Analogamente à sarça ardente. Coisas materiais, muito comburentes que, porém, em contato com o fogo não se queimam.

Longis era um jovem sacerdote belga que, sob o patrocínio do bispo de Mans, vivia como monge na aldeia francesa de Boisselière. Inesfreda, uma jovem bonita, recusava o "casamento por conveniências" que energicamente queria lhe impor a família. Não tendo outro asilo, Inesfreda acudiu ao sacerdote amigo. E o pe. Longis, decidido a enfrentar as más línguas e a não abandonar a amiga, hospedou-a na casa canônica.

De boca em boca, o fato logo virou um grande escândalo, alentado pelo pretendente de Inesfreda. Mais, denunciou o pe. Longis como sedutor da sua "prometida". O rei Clotario chamou ambos jovens ao seu tribunal. Quando o pe. Longis e Inesfreda apresentaram-se no palácio…, o rei saíra para uma caçada!

Durante a longa espera, o pe. Longis estava ficando pouco menos que congelado. Inesfreda foi então procurar fogo, enquanto o padre procurava lenha.

O padeiro real com muito gosto ofereceu-se a retirar do fogo carvões acesos… E Inesfreda, simplesmente após levantar os olhos ao céu, convenceu o padeiro que, meio fascinado e como um autômato, obedeceu deitando os carvões acesos sobre o avental da jovem. O rei Clotário e toda sua corte chegaram a tempo de ouvir o padeiro e presenciar o milagre. Os carvões acesos não queimaram nem um fio do avental, nem o sujaram sequer.

Com aquele sinal divino, Clotário sentenciou a favor dos jovens. E o milagre também correu de boca em boca. Então ninguém mais falou mal, muito ao contrário, de S. Longis e Santa Inesfreda. Ambos tiveram vida longa e muito edificante. Santa Inesfreda morreu no ano 638, e S. Longis muito ancião no ano 653 53.

… OU NA BLUSA — Mais um dentre tantos milagres de S. Francisco de Paula. Tinha então, ano 1429, somente treze anos. O sacristão da igreja de S. Marcos pediu ao menino Francisco que trouxesse carvões para preparar os aquecedores dos censores. S. Francisco de Paula colocou uma grande quantidade de carvões acesos na sua blusa e assim levou-os ao sacristão, sem que nem ele próprio nem a blusa sofressem o mínimo dano54.

CAMINHAR SOBRE BRASAS… — Fabiano, o governador romano, mandou fazer no campo um comprido corredor de carvões acesos. "A prova do fogo". Disse a S. Tibúrcio: "Agora escolhe o que preferes fazer, ou pões incenso sobre estes carvões em honra dos deuses imortais, ou caminhas descalço sobre eles para que vejamos se teu Deus crucificado pode te salvar".

S. Tibúrcio fez o sinal-da-cruz. E lentamente foi atravessando, tranqüilo, até o outro lado (onde não havia água, como para os farsantes que caminham sobre simples brasas). Ao sair, comentou: "Para mim foi como passear sobre um tapete de pétalas de rosas e de outras flores"55.

… OU PARADO SOBRE O FOGO — Século IV. Quando o abade S. Palimão, na Tebaida, se preparava para rezar "as Vésperas", entrou um outro eremita e desafiou o santo abade a rezar em pé sobre o braseiro. É claro que S. Palimão não aceitou, invocando aquele texto da Escritura: "Não tentarás o Senhor teu Deus" (Dt 6,16; Mt 4,7). Perante as angustiosas insistências, suspeitando que o visitante precisava de um sinal, S. Palimão descalçou os pés, subiu nos carvões acesos e assim tranqüilamente rezou com o outro eremita as compridas orações, durante uma hora, sem sofrer a mínima queimadura56.

* Século XIII. O rei Fernando, o Católico, chamara o famoso S. Pedro González (1190-1248) de Galícia, onde trabalhava, a Valladolid para consultá-lo. Um libertino da corte contratou uma jovem e muito bonita profissional da prostituição. Bem instruída, enviou-a ao famoso santo, da ordem de S. Domingos. Havia bastante gente. A mulher disse que precisava fazer uma consulta muito importante e confidencial. S. Pedro levou-a a uma salinha de visitas reservada. Logo a jovem abraçou-lhe os joelhos, começou a tirar a roupa, queria arrancar os hábitos do padre, mil outros artifícios. Para surpresa e alegria da prostituta, que "não esperava que fosse tão fácil", S. Pedro pediu que o seguisse ao seu quarto… E quando entraram no quarto S. Pedro González, como se tivesse muita pressa, começou arrancando os sapatos… e pôs--se em pé sobre os carvões do braseiro que estava ao máximo naquele gelado dia de inverno. A jovem, apavorada, lhe gritava que saísse de lá, que iria morrer. Passava o tempo. A jovem terminou, em lágrimas, pedindo perdão. O santo então saiu do braseiro. A moça, querendo socorrê-lo, não encontrou absolutamente nenhum efeito do fogo nos pés do santo. Converteu-se e dali em diante foi uma exemplar cristã e grande colaboradora no apostolado de S. Pedro González. Ou hoje popularmente "Santo Elmo", padroeiro dos marinheiros espanhóis57.

NAS MÃOS! — Já vimos no capítulo 1 que S. Pedro de Alcântara agarrou sem prejuízo algumas traves em brasa. Outros santos realizaram o mesmo:

* Dois casos de S. Francisco de Paula: Eram muitos os doentes que de todas partes o procuravam. Apesar de o santo procurar "esconder-se" no trabalho e apesar de só curar casos realmente desenganados, de maior angústia, e só quando claramente as circunstâncias garantiam que os milagres seriam realmente sinal para a converS. a Deus. Todos os outros doentes despedia-os, por si ou por seus colaboradores, sem atendimento, recomendando que procurassem os médicos. Não obstante, alguns médicos acusaram-no de curandeirismo e mesmo de charlatanice.

Veio o pe. Antonio Scozetta, grande orador e muito esperto nas falhas da religiosidade popular, mas também temperamental e um tanto fanático. Tomou sobre si a misS. de combater o que ele julgava, também no caso de S. Francisco de Paula como em tantos outros, exploração da crendice popular e curandeirismo, ainda mais indigno num frade com fama de santo.

O pe. Scozetta invadiu inclusive o quarto de S. Francisco. Face a face acusou-o de impostor. S. Francisco escutava, como acolhera, o reverendo padre com toda cortesia e amabilidade. Isso irritava ainda mais o temperamental e abusivo acusador; pensava que era a típica "pele de ovelha" dos mais prejudiciais e mais ladinos charlatões.

No momento mais quente das diatribes contra ele, S. Francisco acudiu à "prova de fogo". Levantou-se calmamente, pegou com ambas mãos todos os carvões que lhe cabiam, e aproximando-se do aterrado acusador lhe disse com um sorriso carinhosamente irônico: "Pe. Antonio, aqueça seu coração, tem grande necessidade disso".

O pe. Antonio por uns momentos ficou observando… Pouco depois prostrava-se de joelhos pedindo perdão. S. Francisco devolveu os carvões ao braseiro, nem cinza ficara nas mãos, levantou o pe. Antonio, abraçou-o e lhe disse: "Meu irmão Antonio, o homem por si mesmo é sem dúvidas débil criatura, mas com a ajuda de Deus tudo é possível".

* Muito parecido e com maior transcendência ainda, em outra ocasião.

Em 1469 o papa Paulo II enviou um dos seus auxiliares a verificar as maravilhas que se contavam de S. Francisco de Paula, "o Taumaturgo". O arcebispo de Cosenza encomendou ao cônego Charles Pyrro que acompanhasse o enviado do papa. Quando chegaram a Paula, S. Francisco estava trabalhando, como de costume, com os operários na construção de igrejas, escolas etc. O enviado do papa humildemente quis beijar a mão do padre, mas S. Francisco imediatamente retirou a mão exclamando: "Não fica bem que um auxiliar papal, que durante trinta anos celebrou a Santa Missa, beije a mão duma pessoa tão insignificante como eu".

O enviado do papa ficou impressionado de que S. Francisco o tivesse reconhecido, mas compreendendo que aquilo não era milagre insistiu mais tarde em particular e amigavelmente com o santo: não se deve dar importância a esses fenômenos (realmente o enviado papal só presenciara uma singela manifestação do mais freqüente e vulgar fenômeno parapsicológico, HIP. De fato, muitos santos e o próprio Cristo manifestaram domínio, como donos, dos fenômenos parapsicológicos que em si mesmos S. espontâneos, incontroláveis e perigosos). O delegado papal advertiu também que em matéria de milagres (?) há muito perigo de ilusões…

Então S. Francisco de Paula se levantou, enfiou as mãos no fogo, pegou tantos carvões acesos quantos lhe cabiam nelas, aproximou-os ao enviado papal, que não podia resistir a tal calor, e disse: "Toda criatura obedece a quem com coração sincero serve a Deus".

Depois desse sinal, o enviado papal pôde sem preconceito indagar entre as testemunhas sobre outros muitos milagres de S. Francisco de Paula. Quando voltou a Roma, manifestou ao papa que a santidade de S. Francisco era muito maior do que se afirmava, e que não havia exagero nos milagres que dele se referiam58.

NAS MÃOS E NA ROUPA — Santo Toríbio, bispo de Astorga, Espanha. Um diácono acusou o bispo de um enorme crime. A confuS. era geral. A igreja estava cheia. Santo Toríbio não duvidou um instante em recorrer ao "juízo de Deus" (que ainda não fora proibido expressamente pela Igreja). Era o ano 460. O bispo foi pegando com uma mão carvões acesos e carregando seu próprio roquete, que com a outra mão mantinha em forma de bolsa. Quando já tinha sobre si mesmo um grande braseiro, foi lentamente percorrendo a igreja, para que todos vissem e sentissem o fogo que ele mexia com a mão livre. Assim, pelo sinal divino ou "juízo de Deus" Santo Toríbio convenceu a todos de que era inocente, e o diácono ficou convicto e confesso de calúnia59.

[continua]

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Fernando De Matos:

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