O QUE � ISTO??! � O olhar do dr. Alexis Carrel voltou a Marie Bailly: "Parecia que o rosto n�o tinha mais o mesmo aspecto, que os reflexos l�vidos haviam desaparecido, que estava menos p�lida".

� "� uma alucina��o � disse a si mesmo. � � um interessante fen�meno psicol�gico, talvez convenha tomar nota". Tirou a caneta e anotou em seu caderninho a hora exata da observa��o: duas e quarenta. "Embora at� hoje n�o tenha sofrido alucina��es" � pensava. E dirigindo-se a M. (mais um m�dico "liberal"):

� "Ora, olhe para esta doente. N�o parece que o seu aspecto melhorou?"

� "A melhora n�o � not�vel, se � que houve � respondeu M. � Eu acho que simplesmente n�o se agravou".

Alexis Didier aproximou-se e contou as pulsa��es e a respira��o. E ap�s um momento disse a M.:

� "A respira��o se acalmou".

� "Ora, talvez esteja morrendo � retrucou M., que n�o conseguia nem ver coisa alguma que fosse extraordin�ria".

Alexis Carrel "n�o respondeu. Sob seus olhos havia uma melhora, evidente e r�pida, das condi��es gerais. Alguma coisa estava acontecendo. Esticou-se, para defender-se contra uma ligeira emo��o. Inclinado sobre a balaustrada punha todas as suas faculdades de aten��o sobre Maria Ferrand (Bailly), n�o olhando para mais nada do que a ela".

"Ent�o um padre fazia uma pr�dica � multid�o de peregrinos e aos doentes. Elevaram-se cantos e invoca��es. O rosto de Maria Ferrand (Bailly) continuava modificando-se; seus olhos, brilhantes e extasiados, estavam voltados para a gruta. Uma melhora importante havia se verificado. A srta. De O., inclinada sobre a doente, a sustentava. Naquele momento Lerrac (Carrel) sentiu que empalidecia: estava vendo as cobertas, � altura da cintura, abaixar-se pouco a pouco adaptando-se ao ventre. Estupefato reclamou a aten��o de M."

�"Pois � � disse ele �, parece que est� havendo uma diminui��o. Certamente � a coberta".

Acabavam de soar as tr�s no rel�gio da Bas�lica. "Ap�s uns minutos a tumefa��o do ventre parecia completamente desaparecida. �Eu devo estar ficando verdadeiramente louco� � pensava Carrel. Aproximou-se de Marie Bailly, observou--lhe a respira��o, o colo, o cora��o. Sem d�vida, alguma coisa estava acontecendo".

� "Como se sente?"

� "Muito bem. N�o estou com muita for�a, mas sinto que estou curada", respondeu em voz baixa Marie Bailly.

"N�o cabia mais d�vida. O estado de Maria Ferrand melhorava. Ela estava j� irreconhec�vel. Profundamente turbado, incapaz de refletir, Lerrac, sem deixar o seu lugar, advertiu M. e a srta. De O. do que estava acontecendo. A srta. De O. observava aquele acontecimento fant�stico com ar nada estupefato (� de quem) estava habituada". Para o dr. Carrel, pelo contr�rio, o "fato insuspeit�vel era de tal maneira contr�rio a todas as suas previs�es, que pensava estar sonhando!".

A srta. De O. passou uma ta�a cheia de leite a Marie Bailly, que "a bebeu de um golpe. Ap�s alguns minutos, a doente levantou a cabe�a, olhou ao redor, agitou-se um pouco e se encolheu sobre um lado sem dar a m�nima mostra de dor".

Carrel preferiu ir embora. Para ele, professor de medicina, sempre em ambiente racionalista, "o que havia acontecido era a tal da coisa imposs�vel, a coisa inadmiss�vel, o milagre! Ignorava ainda o estado real das les�es. Mas uma tal melhora das fun��es, que seria j� um milagre, tinha acontecido sob seus olhos. E com que simplicidade!".

VERIFICA��O � O dr. Alexis Carrel viu de longe o dr. Boissarie, diretor, em p�, � porta da Cl�nica de Lourdes. Aproximou-se. Cumprimentou-o e "lhe contou afoito a coisa assombrosa que acabava de assistir. Boissarie o escutou, nada impressionado".

Carrel havia lido os livros de Boissarie. E contra eles, influenciado pelo ambiente racionalista, s� conseguiu diagnosticar que "n�o havia acreditado na excel�ncia dos seus m�todos cr�ticos (!?). Mas sentia uma profunda estima pelo seu car�ter (aberto a todas as poss�veis realidades) e pela sua intelig�ncia". Durante o relat�rio verbal de Carrel, Boissarie havia ficado em sil�ncio, e como Carrel falava de uma simples melhora funcional, sem cura das les�es, Boissarie lhe disse tranq�ilamente:

� "Sua doente est� curada, ou ao menos � muito prov�vel que esteja curada. Traga-a aqui � Cl�nica, amanh�".

� "Apenas volte ao hospital, apressar-me-ei para ver o que h� acontecido. Seria fant�stico" � respondeu Carrel.

� "� preciso decidir-se a acredit�-lo. Com respeito � peritonite tuberculosa, n�o seria a primeira vez. H� aqui observa��es. Uma mormente, com o pe. Salvador, um frade. Chegou aqui morrendo por tuberculose pulmonar e peritonite. Sarou em cinco minutos. E no ano passado, nesta �poca, uma jovem da peregrina��o de Lyon, uma certa srta. D., sarou em poucos minutos de uma peritonite muito grave".

Carrel "voltou ao albergue, proibindo-se a si mesmo toda pergunta antes de saber exatamente o que tinha acontecido". E �s sete dirigiu-se ao hospital. Logo que se abriu a porta da sala da Imaculada Concei��o, Carrel precipitou-se ao leito de Marie Bailly. "E ficou at�nito: a transforma��o era prodigiosa. A jovem, em camisola branca, estava sentada na cama. Brilhavam os olhos no rosto, abatido ainda e magro, mas m�vel e vivo, as ma��s do rosto levemente rosadas".

� "Senhor doutor, estou completamente curada. Sinto-me muito d�bil, mas me parece que, se quisesse, poderia caminhar".

Carrel "tomou-lhe o pulso. Sob seu dedo a art�ria radial batia regularmente e calma, oitenta pulsa��es por minuto. Ele lembrava que nos dias precedentes o ritmo era acelerado e que os batimentos eram intermitentes. R�pidos, ao ponto de ser imposs�vel numer�-los. Tamb�m a respira��o tornara-se normal, o peito elevava-se lenta e regularmente (�) Levantou a coberta e observou. A pele aparecia branca e lisa. Acima das coxas estreitas, viu o ventre pequeno, abaixado, como � pr�prio de uma mo�a de vinte anos, muito magra. Ent�o passou as m�os sobre a parede abdominal: revelou-se mole e trat�vel, extremamente fina. Os dedos moviam-se curiosos, sem provocar a m�nima dor, oprimindo em todos os sentidos o ventre, intestinos e bacia, procurando a tumefa��o e a massa dura, que haviam desaparecido como num sonho. Tudo tornara-se normal. A cura era completa".

Carrel sentia que todo seu "liberalismo" anterior ru�a pela base, "sentia gotas de suor escorregando-lhe pela fronte. Experimentava a sensa��o de haver recebido um soco no rosto. As art�rias pulsavam fortemente. Ficou r�gido em absoluta imobilidade". Chegou nesse momento o dr. M., junto com o dr. J.; Carrel disse simplesmente:

� "Parece curada. Examine-a agora. Eu n�o encontro mais nada".

Os doutores J. e M. apalparam o ventre de Marie Bailly. Carrel, um passo atr�s, "seguia com o olhar aceso todos os gestos dos colegas. �Esta mo�a est� curada completamente� �pensava. �� indiscut�vel. Nunca vi nada t�o interessante. Que impresS. espantosa e deliciosa provoca o espet�culo �nico da vida que rapidamente volta em um organismo quase destru�do por anos de doen�a!�".

"Acima de toda discusS. (te�rica) est� o fato positivo: a cura de uma jovem muito doente. � a realiza��o do imposs�vel (?�) Razoavelmente n�o se pode propor uma hip�tese diferente (do milagre�). Seus pais morreram de tuberculose, seus irm�os tamb�m (�) O m�dico lhe extraiu realmente dois litros de l�quido (�) Depois m�dicos e cirurgi�es lhe diagnosticaram a peritonite tuberculosa (�) Se n�o tivesse posto por escrito as observa��es sobre ela, em v�rias oportunidades, duvidaria da exatid�o de minha mem�ria. � absolutamente certo que seu estado geral era extremamente grave. E est� curada. � o milagre, o grande milagre" (�)

"Que satisfa��o que, entre tantos doentes, eu haja visto sarar precisamente aquela que conhecia melhor e que havia tido longamente sob observa��o! (�) Se verdadeiramente � um milagre, h� que admitir um poder sobrenatural". E perguntou a M., que longamente apalpava o ventre da doente:

� "Encontra alguma coisa?"

� "Nada, absolutamente. Mas quero auscultar os pulm�es". O dr. M. apoiou o ouvido sobre o peito de Marie Bailly, enquanto o dr. J. contava as pulsa��es card�acas. E o dr. C., que acabava de entrar tamb�m na sala, "um italiano que ap�s uns anos de vida alegre aqui e l� pela Europa havia se convertido ao catolicismo, observava com aten��o. A srta. De O. estava ao lado, e com o belo rosto contra�do pela fadiga olhava sua doente. Nos seus olhos havia uma expresS. de �xtase e emo��o. Algumas senhoras haviam-se aproximado e estavam todas ao redor do leito. Todos em sil�ncio. Maria Ferrand (Bailly), submetida �s percuss�es, apalpada, examinada em todos os sentidos, estava radiante. A alegria, a sua t�cita felicidade parecia comunicar-se a todos. Na sala estava, como difundida no ar, uma impresS. de alegria serena e de paz. Eu tomava notas".

� "Est� curada � disse o dr. J., profundamente impressionado".

� "Eu n�o encontro nada � acrescenta M. � A respira��o � completamente normal. N�o h� mais nada. Agora pode levantar-se".

� "Esta cura n�o � explic�vel pelos meios naturais �acrescenta o dr. J.".

� "� um grande milagre � observou C. � Converter-
-se-�, Lerrac?" (�)

� "� verdadeiramente um milagre � disse Lerrac em voz baixa"5.

Marie Bailly, em 6 de dezembro daquele ano, 1903, entrou na Congrega��o das Filhas da Caridade, de S. Vicente de Paulo, dedicando toda sua vida a Deus e ao cuidado dos doentes. Morreu com 51 anos de idade em 1937. O dr. Carrel, o famos�ssimo m�dico e pr�mio Nobel, converteu-se num exemplar e excelente cat�lico, at� sua morte em 1944.

[continua]

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   Fernando De Matos:
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